Expresso do Amanhã - Sabemos viver em sociedade?





O Ser Humano é um ser social. Não sobrevivemos sozinhos e, desde o nosso nascimento, somos educados para viver com outros de nossa espécie, colaborar com o coletivo e buscar decisões que ajudem a todos. Esse pode parecer um raciocínio óbvio para uma vida em sociedade, porém, em nossa prática cotidiana não o aplicamos. É comum, infelizmente, agirmos pensando apenas em nós mesmos. Agimos como seres egoístas quando nossas atitudes, por menores e banais que sejam, têm por base não o bem comum, mas o de uma parte minoritária que, em geral, é a que nos interessa. Acabamos, por fim, nos dividindo em grupos a partir de nossos interesses, sejam eles econômico, político ou social. Logo, o que no princípio deveria ser uma sociedade harmônica e que busca a Unidade, acaba por se transformar em uma colcha de retalhos na qual cada um busca os próprios interesses. A partir dessa separatividade podemos observar diversos fenômenos presentes no mundo atual como, por exemplo, luta de diferentes classes, racismo e diferentes tipos de preconceito. Todos esses males sociais tem uma única raíz: a separatividade.




Esse tema, apesar de urgente em nossa sociedade, não é novo. Se olharmos para a História, por exemplo, poderemos observar que a separatividade sempre foi, em maior ou menor grau a depender do momento histórico, um mal das sociedades humanas. Quando perdemos o real sentido de União, ao qual não seria possível sobreviver, começamos a nos fechar e selecionar quem está “do nosso lado” e, consequentemente, quem está “do outro lado”. Do mesmo modo que na Vida, a disputa social está presente em inúmeros filmes, séries e obras de Arte. Hoje indicamos, portanto, um filme que explora de maneira inovadora a divisão de classes e o jogo político.


Imagine que, ao tentar solucionar o aquecimento global, os Seres Humanos acabassem congelando a Terra e dando início a uma nova era do gelo. Para resolver o problema e não levar a humanidade à extinção foi-se criado um trem, um enorme trem, e nele milhares de Seres Humanos foram embarcados para viver até que o período glacial passasse. Essa mudança brusca na forma de Vida da humanidade poderia mudar a maneira que nós nos organizamos a nível social? Ou será que mesmo em uma condição extrema, correndo risco da espécie desaparecer do planeta, iríamos seguir nos dividindo em classes?



Essa é, a grosso modo, a trama que gira em torno de “O expresso do amanhã”, filme de 2013, dirigido pelo diretor coreano Bong Joon-Ho. O diretor se baseou em um HQ francês chamado “Le transperceneige” para criar seu longa-metragem. Em resumo, o filme apresenta um cenário pós apocalíptico em que a humanidade inteira se resume a um trem que viaja pelo globo. A dinâmica dentro do trem, apesar de apresentada em um contexto novo, é uma velha conhecida dos grupos humanos. Dividido em vagões, a máxima lei dentro do trem é a de que cada pessoa está “exatamente onde deveria estar”. A diferença, entretanto, está nas condições de vida entre os vagões: enquanto os habitantes dos primeiros vagões são privilegiados com comidas, roupas, entretenimento e conforto de qualidade, aos passageiros dos últimos vagões é dado um tratamento desumano. A narrativa, logo, se desenvolve a partir da tentativa de subversão da ordem existente no trem.


O filme se apresenta como uma crítica social de como alguns Seres Humanos têm acesso a muitos bens enquanto a maioria esforça-se para apenas sobreviver. Bong Joon-Ho, entretanto, vai além das expectativas e apresenta questões que superam a disputa de classes e questiona, em certa medida, a real existência dessa disputa. Nos percebemos, seja do lado mais abastado ou mais necessitado, presos nesse cabo de guerra social e esquecemos de nos perguntarmos o real sentido de vivermos aquela situação. Por vezes, talvez, acabamos nos acostumando em uma vida “dentro de um trem” e esquecemos de sair daquele modelo temporal. No filme o objetivo é sair do trem e viver, mais uma vez, na Terra. Mas e o nosso objetivo, qual seria? Ou será que estamos fadados a viver uma eterna luta entre ricos e pobres, privilegiados e injustiçados?


Certamente essas questões são importantes em nosso mundo, uma vez que vivemos suas consequências diretas. Entretanto, quantas vezes paramos para nos perguntar sobre nossa finalidade no mundo? Uma percepção importante do filme traz para nós essa reflexão: apesar do vagão em que se encontram, as pessoas não se perguntam mais sobre o que há fora do trem, ou mesmo para onde o trem está indo e até quando deverão viver sob aquelas condições. Com o tempo, e parece-nos que o mesmo acontece conosco, as pessoas acabam por se acostumar com aquele estilo de vida. Já não fazem as perguntas importantes, pois a realidade passou a ser o cotidiano do trem, baseado nas leis e dinâmicas impostas por aquela sociedade.



Do mesmo modo, por vezes nos desligamos do fluxo da Vida e passamos a viver nossa realidade objetiva como única e absoluta. Tudo ao nosso redor se transforma, portanto, no modo que a nossa sociedade opera. Passamos horas, por exemplo, exercendo funções que não nos realiza, mas que nos permite comprar bens materiais. Do mesmo modo, frequentamos ambientes que não nos fazem bem ou cultivamos amizades e gostos que, em verdade, apenas deformam nossa essência e nos tornam insensíveis. Sem perceber acabamos caindo no mesmo jogo que tantas outras sociedades caíram: a separatividade. De repente passamos a selecionar nossas amizades e criar inimizades. Ditados como “aos meus amigos, tudo;aos meus inimigos, a lei” ou “farinha pouca meu pirão primeiro” passam a fazer sentido em nossa vida e, sem perceber, somos levados a viver de maneira a nos afastar do coletivo.


A convivência em sociedade, como bem sabemos, é um desafio para qualquer um de nós. Não é fácil lidar com outras pessoas, principalmente quando essas não tem opiniões similares às nossas. Apesar disso, por mais diferentes que dois Seres Humanos possam ser, eles cultivam uma mesma Natureza: são igualmente Humanos, dotados de uma Alma e de Virtudes, portanto, poderão sempre compartilhar esse ponto em comum. Esse deve ser nosso foco para gerar um sentimento de União em nossa sociedade. Uma vez que somos todos Humanos, podemos nos reconhecer no outro: desde um gesto Belo, Ético e Justo até mesmo atitudes que não são boas. Como diz uma antiga frase tibetana: os outros são sempre um espelho de mim mesmo. Logo, se reconhecemos a Beleza no outro, é porque temos isso dentro de nós. Do mesmo modo, quando julgamos e criticamos quem faz uma má ação é porque, em algum grau, detemos aquilo em nós.


A crítica e o julgamento, por fim, são elementos que nos afastam uns dos outros. O reconhecimento de Virtudes e o Amor para com o semelhante são elementos de União. Cabe a nós, portanto, escolher de que modo agir: selecionar e colocar as pessoas ao nosso redor em caixinhas, ou melhor, assim como em “O expresso do amanhã”, em vagões, ou nos abrirmos e buscarmos nos unir ao melhor que habita em cada um de nós.




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