O que é comum a todas as religiões do mundo?

Você sabia que todos os anos, no terceiro domingo do mês de janeiro, se celebra o Dia Mundial da Religião? Pois é, isso acontece desde 1949. A iniciativa foi de uma religião persa conhecida como “Fé Bahá’í”, a qual afirma que só existe uma única Religião que é revelada por Deus à humanidade de forma progressiva, através de profetas como Zoroastro, Jesus, Maomé, Buda, etc. Esse modo de pensar permitiu que a Fé Bahá’í elaborasse e organizasse uma celebração mundial em busca da Unidade de todas as religiões.



Esta celebração é uma boa ocasião para refletirmos sobre o sentido interno da Religião, ou seja, o que está para além das formas e não é percebido de imediato quando estamos observando celebrações religiosas ou elementos de um credo. Logo, precisamos olhar para além da forma e buscar a essência de cada religião. Para isso, uma maneira de encontrarmos o sentido interno das religiões parte da comparação. Porém, olhando assim, comparativamente, será que todas as religiões, em essência, trazem a mesma mensagem? Por que a religião é importante para a sociedade Humana? De que modo pode contribuir para um melhoramento Humano?

Quando olhamos para a vastidão de religiões que existem no mundo como cristianismo, islamismo, judaísmo, espiritismo, budismo, hinduísmo, xintoísmo, taoísmo, candomblecismo e etc, a impressão que se tem, inicialmente, é de muita desarmonia, como se cada uma fosse um universo à parte, diferentes e excludentes entre si. Entretanto, quando nos aproximamos de cada um destes sistemas religiosos percebemos que há profundas semelhanças em suas mensagens. Há mais pontos que unem essas religiões do que pontos controversos. Porém, só conseguimos perceber se entendermos que há uma diferença entre Religião e Religiões. As religiões, no plural, são formas de expressão do que seria a essência da Religião. Vamos explicar melhor.




Desde a pré-história que já se encontram vestígios de crenças e práticas religiosas como enterro dos mortos, símbolos sagrados, etc. As descobertas arqueológicas e as observações antropológicas em povos primitivos sempre se deparam com algum traço ligado à magia, à mística ou a algo que marque esse aspecto metafísico. Desde as escritas rupestres, passando pelos pergaminhos e hoje nos smartphones, a Humanidade produz e reproduz escritos religiosos. Por que esse movimento é tão recorrente e imprescindível na construção Humana? Na verdade, nós temos uma necessidade de atribuir sentido a tudo que vemos, que tocamos, que sentimos e que assimilamos. Nossa mente trabalha fazendo conexões entre coisas distintas, é assim que entendemos o mundo e que construímos um discurso em torno de algo, chegando, assim, a conclusões e sínteses. Sem essa capacidade de unificar a diversidade que nos hospeda, não sobrevivemos.

E quando essa necessidade de unificação se apresenta em relação a aspectos misteriosos e limítrofes da Vida, do tipo, por que existimos? Por que morremos? Para onde vamos depois da morte? Qual a origem do Universo? O que está por trás da vastidão de galáxias e sistemas estelares acima da nossa cabeça? A busca pela Unidade dessas questões existenciais é o que entendemos por Religião, no singular. Podemos dizer que Religião é tudo aquilo que reúne os homens entre si e estes com o Todo. Mas essa busca de Unificação é expressa na cultura humana através de formas diferenciadas, com características e narrativas específicas de cada região, civilização e momento da história em que acontece. Essas formas culturais específicas são o que podemos chamar de “Religiões”, no plural. Assim, cada forma religiosa carrega uma narrativa própria de uma cultura específica. A história de Abraão por exemplo é fundamental para os judeus e para os cristãos, mas não tem o mesmo efeito para a cultura chinesa ou hindu, de modo que lá nessas regiões, haverá uma narrativa própria para expressar a mesma busca de unificação, com seu jeito próprio.




Todas as Religiões do mundo, em seus mais profundos fundamentos, trazem a mesma mensagem, voltada para a Unificação de todos os Seres Humanos entre si e da Unificação do Ser Humano com a Natureza, com o Cosmos e com todo o Mistério que existe no mundo. Não é para menos que Jesus diz assim: “eu e o Pai somos um” e o apóstolo Paulo diz “Não mais vivo eu, mas Cristo vive em mim”. No hinduísmo, a visão que predomina é a de que todos os seres e coisas procedem de uma unidade englobante; já no budismo o cosmos é uma rede complexa de seres e fenômenos interpenetrados. O taoísmo fala dessa unidade na polaridade. E se pegarmos qualquer sistema religioso presente na história, certamente encontraremos um jeito profundo de falar de Unidade.

Você deve estar se perguntando a essa altura: se o sentido profundo da Religião é Unidade, por que temos tantas guerras hoje em torno das religiões, por que tanta intolerância? A resposta para essa pergunta é bem simples: é que nos afastamos, gradativamente, do sentido original, essencial e profundo do que é Religião. Reduzimos a Religião a dogmas, fanatismos e hoje, tristemente, muitas formas religiosas estão se tornando um meio de vida, um negócio para enriquecimento.

Precisamos urgente de uma retomada de consciência do que é essencialmente Religião. A Humanidade precisa despertar para os fundamentos das religiões, não se apegar a dogmas nem ortodoxias, mas ir mais fundo, procurar entender filosoficamente por que as religiões existem e encontrar o sentido fundante delas: que é o despertar da consciência de Unificação dos Seres Humanos entre si e estes com o Todo. Essa tomada de consciência, porém, não é meramente intelectual, pois se o fosse o problema estaria resolvido porque temos uma civilização extremamente intelectual. Estamos rodeados de livros, dissertações e teses em diversos tipos de ciências da religião que trabalham intelectualmente esses aspectos. O que precisamos é de um Despertar Interior, de uma mudança na Alma Humana.



Uma mudança tão profunda que nos leve ao encontro do que há de mais profundo em nós e que desperte em nós a consciência de que somos uma Unidade, de que somos interdependentes. As lágrimas de uma criança na Somália fazem sofrer todos os corações Humanos, estejam eles na Europa, Ásia, América, Oceania ou em qualquer parte do mundo pois somos todos Um. O afogamento de uma criança nas águas geladas do pacífico fugindo de seu país em guerra não é um ato isolado, mas sinaliza um naufrágio em toda a Humanidade. Quando entendermos isso no mais profundo de nossos corações, aí estaremos mais próximos de um Grande Despertar Religioso.


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