O Mito de Medusa - As Formas Mentais Que Nos Paralisam



Conta o Mito que Medusa era uma jovem sacerdotisa belíssima do templo de Atena, a Deusa da Sabedoria, mas um dia ela profana os seus votos com a Deusa ao ter uma relação promíscua com Poseidon, o Deus dos mares. Como castigo pela profanação, Medusa se transforma em um monstro, seus cabelos se transformam em serpentes venenosas e seu rosto fica tão deformado que qualquer pessoa que a olhasse fixamente se transformava em pedra. Só quem consegue destruir esse monstro, decapitando-o, é Perseu, com a ajuda de Atena.




Para entendermos o simbolismo por trás deste mito, primeiro temos que entender que todos esses aspectos estão dentro de nós mesmos: a Deusa Atena é a Sabedoria em nós, Medusa é a nossa parte que profana a sabedoria e opta por uma relação promíscua com a materialidade, já que o mar, na mitologia, representa o mundo material. Essa relação promíscua com a materialidade, podemos entender como os vícios de uma forma geral, ou seja, a luxúria, a preguiça, a gula, a mentira, o ódio, a corrupção, etc. Essa forma de Vida voltada para a matéria é um tipo de relação que vai gradativamente nos transformando em seres monstruosos, cheios de deformações. Os cabelos em forma de serpentes venenosas representam formas mentais perigosas, provenientes da ignorância, dos desejos e dos vícios grosseiros. Tais formas mentais petrificam nossa existência, nos paralisando e nos levando à superficialidade da Vida.


Perseu representa outra faceta, é o herói dentro de nós, o impulso para o auto aperfeiçoamento. Somente ele pode vencer esse estado monstruoso da Medusa a que, por vezes, costumamos chegar em nossas Vidas, mas ele só conseguirá vencer com a ajuda de Atena, ou da Sabedoria.


Essa tensão entre a Sabedoria e os vícios é uma constante em nossa existência. É importante olhar para esse mito não como uma fantasia distante, mas encontrar sua interpretação em nosso cotidiano. Há uma palestra da professora Lúcia Helena Galvão, no link abaixo, na qual ela chega a listar uma série de exemplos de formas mentais que todos nós temos e que são verdadeiras serpentes de medusas, por exemplo, “se eu não me comprometer, serei livre”, essa é uma forma mental medusiana. A ideia de que liberdade é a ausência de compromisso, é fazer o que der na cabeça e não seguir regras, isso é um jeito de pensar venenoso, perigosíssimo e que pode nos petrificar por muito tempo, como as serpentes da Medusa.





A Vida exige compromisso, regras e muita ordem. Sem isso não andamos, não evoluímos, não construímos nada. Mas, por incrível que pareça, esse monstruoso modo de pensar vem se tornando predominante. Isso é o que, em geral, se entende por liberdade hoje em dia. A professora cita outras formas também, como a ideia de que ser produtivo é estar sempre estressado, afobado, preocupado, etc. Isso não é verdade, não é sábio e vai corroendo nossa existência, nos transformando em corações de pedra. Acabamos nos tornando um tipo de pessoa que não se permite ser sensível, sorrir e levar a Vida com leveza e serenidade.


Poderíamos citar muitas outras formas mentais não faladas por Lúcia Helena na palestra, mas que também são evidentes nos dias de hoje. Como por exemplo, a falsa ideia de sucesso. Pensa-se que ter sucesso é sempre triunfar em tudo, mesmo que para isso se faça uso de meios incorretos.


Esses pensamentos são sinais de que estamos virando uma Medusa. E quando chegamos nesse ponto, só há uma forma de vencer, é preciso recorrer à Atena, à Sabedoria. Somente com a ajuda dessa Deusa conseguiremos decapitar a Medusa em nós.



E como encontrar a Sabedoria? Observe que os gregos para falarem desse Ideal geralmente começam a falar de um lugar sagrado, um templo, uma divindade, etc. Com isso, não querem associar a Sabedoria a uma forma religiosa específica, mas estão mostrando que este é um caminho para a transcendência, ou para a superação dos ditames da materialidade grosseira, é a busca pelo Sublime e pelo Mistério. Só vencemos essas formas venenosas de pensamento quando começamos a nos abster de vícios grosseiros, quando refinamos nossos gostos, dominamos nossos desejos e firmamos um contato com o Eu mais profundo e misterioso que habita em nós.


A Sabedoria não está na quantidade de leituras que fazemos, nem nos conhecimentos intelectuais que adquirimos, mas no jeito como nos relacionamos com a Vida, com todos os seres e com nós mesmos. Quando buscamos uma relação Sagrada, de verdadeira Amor e Compromisso com tudo o que existe, aí está a Sabedoria que vence a Medusa em nós.


Então, vamos nos preparar para essa batalha e enfrentar essas serpentes em nossas cabeças?


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Caso você não saiba ativar as legendas nos vídeos do youtube, clique aqui para acessar o tutorial.

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