O Mito de Eco: você já encontrou sua verdadeira voz?


A mitologia grega é vasta e repleta de grandes histórias. Várias delas você já leu aqui em nosso portal, e o mito de hoje apresenta a história de Eco.



A maioria de nós já deve ter passado pela seguinte experiência: no alto de uma montanha, gritou o nome da pessoa amada e ouviu a imensidão dela repetir diversas vezes: amada... ada... ada... ada... Se formos perguntar à ciência por que isso acontece, ela nos diria: eco é uma reflexão do som cujo intervalo de tempo é maior do que a persistência acústica. Tudo bem, deusa ciência, nós não temos nada contra sua autoridade, até te dedicamos um texto inteirinho (O mito de Eco). Mas, cá entre nós, neste texto vamos preferir a Beleza e a Criatividade do mundo grego clássico.

Eco era uma ninfa, e ninfas são geralmente Espíritos da Natureza relacionados com determinados locais e fenômenos naturais. As oceânides, por exemplo, são filhas do titã Oceano com sua irmã Tétis. Algumas são ligadas a determinados Deuses, como as ninfas que acompanhavam Ártemis, ou Dionísio, são frequentemente descritas como belas e graciosas donzelas. Tanto que, não raras vezes são desejadas e disputadas por Deuses e mortais. Embora não fossem imortais, viviam muito mais do que os humanos e lhes serviam de inspiração. Eco era uma ninfa da família das oréades, que vivia no Monte Citéron. Sua voz era belíssima, da qual tinha muito orgulho e por isso costumava falar bastante. Conta-se que falava com tamanha graça que podia manter as pessoas interessadas no que dizia por muito tempo.

Zeus, o rei dos Deuses do Olimpo, é bem conhecido por muitas de suas aventuras amorosas. Ele frequentemente era infiel a sua esposa Hera, quer seja com outras Deusas, quer seja com mortais. E com essa característica em mente, não é de se admirar que ele costumasse procurar a companhia das ninfas.



Segundo Ovídio, grande poeta romano, Hera desconfiada de mais uma traição de Zeus, resolve procurá-lo pessoalmente. Coube a Eco a tarefa de entreter a Deusa, enquanto o Deus do trovão fugia do flagrante. Ao perceber que havia sido enganada, Hera resolve castigar a ninfa, retirando-lhe a voz e obrigando-a a repetir a última palavra de tudo o que lhe era dito. Assim, a orgulhosa ninfa nunca mais poderá iniciar uma conversa. Amaldiçoada, ela encontra algum tempo depois um jovem belíssimo, um jovem por quem qualquer pessoa apaixonava-se perdidamente no primeiro olhar. Seu nome era Narciso, Eco vê-se então apaixonada e sem poder falar de seu Amor.


Narciso, que estava em uma caçada no momento do encontro, afasta-se por um momento de seus companheiros. Ele era acompanhado à distância por Eco. Ao perceber que está sozinho ele grita: “Tem alguém aqui?” E escuta a última palavra em resposta. Após algumas tentativas, sem que ninguém se apresentasse, Narciso conclui que a pessoa com quem falava só podia estar fugindo dele e fala: “Por aqui, devemos estar juntos!”. Para o coração apaixonado de Eco, essa é a declaração com que sonhara. Ela grita de volta “Devemos estar juntos!” e corre para os braços de seu amado.



Saturado de tanta adulação por onde passava, o jovem a rejeita. Ele era um homem reconhecido por sua arrogância. “Tire as mãos! Que eu morra antes que você aproveite meu corpo”, gritou. Eco só conseguiu sussurrar: “aproveite meu corpo” e fugiu, humilhada e envergonhada. Ainda assim, não conseguiu escapar do Amor que nutria por Narciso. Quando ele morre enamorado de seu próprio reflexo na água (esse é um tema para outro texto), ela definha e morre. Seu corpo desaparece e hoje tudo o que permanece é sua voz (ou resistência à persistência acústica, como queira).

Esse é um mito trágico, como muitos outros. E como todos, há sempre uma lição escondida nas entrelinhas, que só pode ser lida por olhos atentos. De fato, os mitos guardam mais de uma lição, uma vez que são símbolos e todos os símbolos carregam o significado que o “leitor” conseguir desvendar. Nesse, podemos ouvir refletidas as vozes de diversos outros mitos e sábios que em suas mensagens sempre tentaram nos dizer: encontre a sua voz e fale por si só.


Como Eco, todos nós temos algo que nos distingue. Um dom, um talento, uma característica marcante, é assim que a Natureza é. Não existem dois dedos iguais nas mãos, assim como não há dois tigres com as mesmas listras. Você mesmo, leitor, possui um traço admirável e potente. Alguns cantam, outros têm uma consciência corporal magnífica, há os que tocam um instrumento e há ainda os mais raros hoje em dia, os que sabem ouvir. Sim, mesmo que não perceba isso, você é diferente e isso é ótimo. Se ainda não o vê, vale investir um pouco mais em conhecer a si mesmo, e, provavelmente, isso não será o mais difícil. A questão mais importante é: o que você fará com o que descobrir.


Eco foi obrigada por um Deus dado a aventuras extraconjugais, a usar seu dom de uma forma inadequada aos olhos gregos. Como uma ninfa, seus dons deveriam inspirar os Seres Humanos e não enganar uma Deusa. Ela foi forçada a isso, mas e você? Usa seu dom de acordo com sua Natureza? Ou como Eco, está condenado a repetir o que outros falam? Existem vozes ecoando pela sociedade há milhares de anos, e nem todas são positivas. Algumas continuam mandando você tratar pessoas como inferiores somente por causa da cor, ou do gênero, por exemplo. Pense um pouco, não há cantores ecoando essas vozes em suas músicas? Ou dançarinos, escritores, vizinhos, jovens e até mesmo crianças? Talvez, eles também estejam condenados, mas não o saibam. Nesse sentido, suas penas são maiores do que a da ninfa do Monte Citérion, pois o prisioneiro com a menor chance de libertação é aquele que pensa que já é livre.



A musa inspiradora deste texto, não teve chance de mudar o seu destino. Mas, talvez você possa! Talvez, você possa voltar a fazer uso de seu dom de forma autêntica, de acordo com sua Natureza e não repetindo as vozes dos outros. Para isso, você precisa conhecer a si mesmo, encontrar sua Identidade Humana, perceber aquilo que lhe distingue dos demais seres. E depois disso, usar seus dons para expressar a si mesmo. Se você perguntasse a um filósofo grego do mundo clássico, ou a um sacerdote egípcio do mundo antigo, ou a um chinês que tenha tido contato com as ideias de Confúcio e Lao Tsé, ou a um monge hindu, ou budista... Eles lhe diriam sem duvidar: você é Amor! Você é Justiça! Você é Harmonia!


Então, que tal ouvir essas vozes e investigar se fazem sentido na sua Vida? Se você ver com seus próprios olhos a validade dessas ideias, elas agora são suas também! E você poderá usar sua voz sem medo, pois será você que estará falando.


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