Da Intuição do Oráculo de Delfos à Racionalidade Contemporânea


Há cerca de 2.700 anos, viajantes de toda parte do mundo se deslocavam em longas distâncias até a cidade de Delfos, na Grécia, em direção ao templo do Deus Apolo. Ao se aproximarem do lugar Sagrado, antes de entrarem, se purificavam em uma fonte de água e seguiam por um caminho cercado de esculturas, símbolos, tesouros e edifícios consagrados às divindades. Ao terminarem esse caminho, antes de ultrapassarem os portais do templo, precisavam oferecer um animal em sacrifício. Os sacerdotes examinavam as entranhas do holocausto em busca de sinais proféticos, e em seguida conduziam o viajante até o interior do templo que era circunscrito por enormes colunas. Lá dentro, o peregrino apresentava suas consultas às pitonisas, sacerdotisas separadas da sociedade e dedicadas exclusivamente à Arte Sagrada da profecia. De posse da consulta, essas profetisas desciam para uma câmara subterrânea, onde entravam em um estado de transe misterioso. Nesse estado de consciência, elas respondiam à consulta com palavras enigmáticas, mas que, quando devidamente interpretadas pelos sacerdotes, orientavam os consulentes a tomadas de decisões sábias.





Foi assim, a partir do Oráculo de Delfos, que muitos príncipes e imperadores decidiram o destino de povos inteiros. Casamentos, guerras, julgamentos, rotas marítimas, decisões comerciais, enfim, o pulsar civilizatório do mundo antigo passou pelas pitonisas de Delfos. Como e por que um sofisticado sistema místico como esse surgiu e se tornou tão influente no mundo antigo? E por que desapareceu? Por que só temos ruínas hoje? Será que a supressão de um sistema como esse não trouxe algum tipo de prejuízo para o mundo subsequente?


Na Grécia Antiga, a vida cotidiana da população refletia os mitos que pairavam na mentalidade de todos. E é importante frisar que mitos não são mentiras, são narrativas que servem de meios para se acessar aspectos mais profundos da realidade. Aspectos sutis que não conseguem ser explicados na linguagem concreta e imediata. Dessa forma, ao se valer dos mitos, os gregos conseguiam canalizar para a vida prática decisões, planejamentos e execuções de ideias muito sutis.





O mito que relata a origem do Oráculo de Delfos dizia que a Deusa Hera, sentindo-se traída por Zeus, pelo fato de ter gerado seu filho Apolo através de uma relação fora do casamento, teria enviado a monstruosa serpente Píton, que teria se formado do lodo da terra que restou do dilúvio, para destruir o jovem Apolo. Mas ele teria matado o monstro, e os seus restos mortais teriam sido sepultados em uma cavidade de pedras sobre a qual foi erigido o templo de Delfos. Dessa cavidade subia um vapor que estava diretamente ligado ao transe das sacerdotisas. Esse é o ponto de contato entre o mito e o mundo prático. O vapor de fato existe, concretamente, inclusive vem sendo estudado hoje pelos cientistas.


Esse sistema começou a entrar em declínio com a decadência da civilização grega há cerca de 2.200 anos. Com a conquista pelos macedônios e posteriormente o surgimento do Império Romano, o Oráculo foi perdendo sua importância. O último suspiro das pitonisas de Delfos se deu com a oficialização da religião cristã no Império Romano e o banimento dos chamados “cultos pagãos”.






Hoje, após a queda de Roma, a Idade Média, o Renascimento e a Modernidade, o Oráculo foi reduzido a uma memória, uma peça de museu, uma curiosidade histórica. A nossa civilização rompeu com a Intuição e com o conhecimento simbólico. Nossas decisões são baseadas em uma racionalidade técnica, fria, na qual confiamos como se confia em um dogma irrefutável. Quando se quer tomar uma decisão fundamental, lança-se aos dados estatísticos. As pitonisas modernas são as análises de dados, através de algoritmos sofisticados. Com isso, nos sentimos superiores e mais avançados do que esse modelo místico que acabamos de descrever. Mas o fato é que, com tanta racionalidade e com tanta tecnologia, nossa geração não consegue dar conta da situação. Estamos mergulhados em crises humanitárias muito agudas: crises migratórias; coalizões de países contra o terrorismo; surgimento de armas químicas e nucleares que ameaçam o futuro da humanidade; absurda distribuição desigual de recursos; altos índices de suicídios, de novas patologias psíquicas e de mortalidade infantil em países como Somália e Haiti. Vivemos uma civilização em desabamento, mas continuamos acreditando que temos o melhor sistema de acesso à realidade, pensamos que compreendemos o mundo, mas nossos padrões de existência são letais para a Natureza e para nós mesmos.




Precisamos olhar para os gregos e aprendermos com eles a desenvolver uma visão de respeito pelo Sagrado, pela Intuição, pelos símbolos e pelo Mistério. Se as coisas não vão bem em nosso mundo, é porque não estamos tão próximos da Verdade como julgamos estar. Que possamos refletir e entender que muitas vezes as melhores decisões e direcionamentos da nossa Vida não vem da Racionalidade, mas sim de um acesso da nossa Intuição a Verdades que só podem ser compreendidas pelo nosso Coração, através de uma busca profunda e sincera, de uma Amor pela Verdade.


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