Como despertar Beleza e Simetria na alma a partir das obras de Bach?



Existem músicas que são apreciadas em um momento histórico por inovarem de alguma forma ou por se alinharem com os Valores da sociedade daquela época. Entretanto, existem músicas que vão para além de qualquer momento, qualquer circunstância, são atemporais e tocam no mais profundo que há no Ser Humano, conectando-os aos sentimentos e às idéias elevadas. Johann Sebastian Bach é um desses geniais Seres Humanos que entram para a história por terem uma grande sensibilidade poética de olhar para a Vida, captar aquilo que há de mais Belo e traduzir em ricas composições.

Bach nasceu na Alemanha em meados do séc XVII, e nessa época a música da moda era a galante, muito diferente do estilo barroco que ele genialmente dominava. Em vida, portanto, não foi reconhecido. Assim como tantos outros artistas dos quais só percebemos o Valor quando os tempos mudam e nossa visão sobre suas obras deixa de ser influenciada pelo modismo, Bach começou a ser considerado um gênio da música somente um século depois de sua morte.



O que se conta é que teve uma Vida muito prosaica, suas composições para cravo, órgão e clavicórdio, instrumentos da época, eram executadas em pequenas igrejas luteranas que frequentava. Dava aulas em algumas escolas, nunca saiu da sua terra natal, entretanto, apesar de bastante humilde, alcançou através da sua Arte aquilo que nem todos os Seres Humanos conseguem: uma elevação da Alma que toca o transcendente e nos faz também ouvi-lo.

Bach foi um mestre em composições polifônicas e simétricas do estilo barroco que nitidamente mostram seu respeito às leis que regem o Universo, aos símbolos e ao Sagrado. Suas músicas sacras ou seculares sempre abordam temas de encontro do Ser Humano com o Divino, de heroísmo, de superação, de Beleza e de contemplação da Vida, demonstrando sempre uma Serenidade e uma Temperança que fizeram Beethoven mais tarde chamá-lo de pai da Harmonia. Uma obra madura para ser apreciada em qualquer momento histórico.



Provavelmente nenhum músico contribuiu tanto quando o assunto foi transmitir as Leis da Vida através da música quanto Bach. Suas composições parecem confirmar a ideia de que a Beleza está na Ordem, uma imagem do princípio arquetípico da criação. Esta premissa é uma lei presente em tudo que há, só nos basta ter ouvidos para ouvir e olhos para ver.

As polifônicas, melodias simultâneas que são harmonicamente ajustadas para nos fazer ouvir uma única canção, técnica muito usada na alta Idade Média, nos lembra o quanto tudo que existe tem sua singularidade mas que faz parte de um todo único que é a própria Vida. Assim como cada célula, cumprindo seu papel, contribui para o bom funcionamento do corpo; assim como cada Ser Humano, dando o seu melhor, constrói uma Humanidade mais Justa e Harmoniosa; assim é cada voz das músicas polifônicas de Bach, que em sua justa medida, guiadas pelo mestre, faz surgir uma Bela canção.

Exemplo de polifonia:


“Em Bach, todas as células vitais da música estão unidas como o mundo está em Deus; nunca houve polifonia maior que essa!”. Mahler

No fim de sua vida, Bach se interessou muito pela simetria musical, que consiste em uma possibilidade da música se transformar e, ao mesmo tempo, manter-se a mesma. Muitos costumam chamar as peças de Bach de uma espécie de palíndromo musical, lembrando que palíndromo é quando uma palavra ou uma frase diz a mesma coisa independente da ordem que se lê, da esquerda para a direita ou vice-versa, como o substantivo “asa”, ou o pronome “esse”.

Essa mesma simetria é percebida em muitas das músicas de Bach, semelhantes às estruturas simétricas que se encontram em diversos lugares na Natureza, como no DNA, nas asas de uma borboleta ou no girassol.



Pitágoras, um grande sábio, filósofo e matemático, nos deixou como legado a ideia de que todas as Leis da Vida, desde a Lei da Gravidade até a Virtude da Beleza, podem ser expressas em números. Desta forma sistematizou as escalas musicais através do seu aprofundamento em matemática e da sua visão profunda da Beleza presente na própria Vida. Bach se mostra um grande herdeiro desta tradição. Sua busca por Beleza através das leis matemáticas e através das Leis da Vida, nos faz entender com a mente aquilo que o nosso coração já compreendeu quando ouviu suas Belas composições.

Para começar a apreciar sua obra, vai abaixo uma sugestão de roteiro:

  1. Pequeno Livro de Anna Magdalena Bach;

  2. O Cravo Bem Temperado;

  3. As Suítes para Violoncelo;

  4. Variações Goldberg;

  5. A Arte da Fuga.

Essa ordem expressa na obra de Bach nos lembra que devemos buscá-la em nossa existência. Ouvi-lo é uma forma de buscar essa Harmonia dentro. É um jeito de buscar a ordenação dos pensamentos, das emoções. Nossa Alma gosta da Ordem, da Harmonia e da Beleza, pois esse é o seu lugar de origem. Veja como pensamos melhor quando estamos em um ambiente limpo, bem organizado e belo. Devemos buscar isso em nossa Vida o tempo todo e um bom caminho é refinar o ouvido e aprender a saborear obras tão bem ordenadas como essa de Bach.


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