A verdadeira transformação pela Amizade


Quando nascemos, já estamos ligados aos nossos familiares por laços de sangue, que normalmente também são de afeto. Os que vêm depois de nós, se conectam conosco da mesma maneira, e assim por diante. Já os amigos, como disse Shakespeare, são a família que a Vida nos permite escolher.

Desde a infância até a idade adulta, muitos de nós mudam de cidade, de escola, de trabalho, de residência, entre tantas outras coisas. Nesse vai e vem, fazemos novos amigos, e perdemos também alguns. Se relacionar com novas pessoas é sempre uma excelente oportunidade de desenvolvimento, pois conhecemos diferentes pontos de vista, diferentes experiências de vida. Perder amigos, no entanto, não parece fazer sentido quando nos damos conta de que vivemos a Era da Informação e da Tecnologia.




Com um celular nas mãos, podemos ouvir a voz de quem gostamos através de uma ligação, ou até vê-los por chamada de vídeo, simples assim. Isso é especialmente mais fácil de vivenciar atualmente, por causa da situação de distanciamento em que nos encontramos. Com aplicativos de orientação de tráfego, como Waze ou Google Maps, chegamos mais rapidamente na casa de um amigo, mesmo que agora esteja um pouco mais distante. Mesmo assim, parece que esse pode não ser o problema.

Se exercitarmos nossa imaginação um pouco, e nos perguntarmos porque queremos preservar as árvores, seja em nosso bairro ou como um todo, provavelmente nossos pensamentos nos diriam que isso é importante porque elas nos dão frutos, sombra, purificam nosso ar, nos encantam com sua beleza, ou mesmo porque abrigam pássaros cujo canto nos emociona. A segunda etapa desse teste é nos perguntarmos porque todas essas respostas só nos contam a respeito de benefícios para nós mesmos, e não para a Natureza que queremos salvar?



Assim são muitas de nossas amizades, que estão perto de nós porque precisam, ou porque precisamos delas de alguma forma. Seja pela diversão que nos trazem, pela paz, pelas boas experiências. Esse comportamento é muito mais comum do que se imagina, e não nos torna puramente egoístas. Não falamos de relações de interesse puro no que o outro pode nos oferecer, mas, que estamos acostumados a nos mantermos perto de pessoas e envolvidos em situações que nos agradem e nos enriqueçam de alguma forma.



Uma amizade verdadeira persiste além das fronteiras, além das convenções sociais, além dos limites conhecidos. Não se trata apenas de cooperação, de bem querer, mas, de um sentimento real e inesgotável. É mais comum experimentarmos algo desse tipo ainda crianças, talvez porque quando crescemos paramos de acreditar um pouco nas pessoas. As crianças, mais puras, gostam de seus amigos simplesmente por gostarem, e não costuma haver outra coisa em jogo a não ser a reciprocidade.


A tirinha de Alexandre Beck nos fala sobre isso, na voz de Armandinho, um garotinho que fala tudo o que pensa, e nos permite muitas reflexões.



Dedicar-se a alguém sem desejar absolutamente nada em troca é muito difícil, mas surpreendentemente recompensador. É difícil pois temos mais medo da ingenuidade do que do conflito ou da separação. Não queremos ser usados, ou parecer bobos. Estamos em eterna batalha contra nossos inimigos, e mesmo que não saibamos quem eles são, estamos certos de que alguém, em algum lugar, espera nossa derrocada com brilho nos olhos. Isso, no entanto, quase nunca é verdade.


Também não é fácil porque é Humano esperar resultados para suas ações. A recompensa que esperamos nem sempre é em dinheiro ou em bens materiais, mas, frequentemente nos basta a sensação de reconhecimento. Ajudar alguém desfavorecido, contribuir para uma causa, ou até pedir perdão são exemplos de boas ações, que devem sempre ser praticadas, enquanto houver necessidade. Mas, se formos bem dentro de nosso coração, lá de onde brotam nossos sentimentos, e tentarmos descobrir se de fato o fazemos porque acreditamos ou por uma eventual recompensa, é possível que não fiquemos muito felizes com o que vamos descobrir. Pelo visto, então, nos encontramos num beco sem saída, afinal, nada de verdadeiro se pode fazer, já que sempre esperamos algo em troca. Porém, há algo maior, que nenhuma recompensa pode substituir, e que é capaz de transformar qualquer relação, e mudar Vidas. A amizade verdadeira é Amor, e o Amor é incontestável.


Não há contrapartida que se exija e não há necessidade de que o outro tome conhecimento de como nos sentimos. Apenas os amamos, simplesmente. Às vezes podemos sentir um frio na barriga, ou tremer as pernas quando percebemos que sentimos isso por alguém, ou por algum amigo, pois é algo que toca o Divino, algo que existe antes de nós, e viverá muito além.


Tudo o que há de material, se esgota, até mesmo as árvores que queremos preservar. O Amor, no entanto, não precisa ser poupado. Podemos compartilhá-lo sem distinção, e observar suas transformações. Somente o Amor pode nos transformar de verdade.


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