A rainha de Katwe: Superando os limites externos




De gênero biográfico, A Rainha de Katwe não é um filme que só nos emociona, mas nos faz refletir profundamente sobre o mistério que há entre o difícil e o válido para a nossa Vida. Baseado no roteiro de William A. Wheeler, o drama nos convida para adentrar na história de uma jovem negra, da zona rural de Uganda, que ao conhecer o jogo de Xadrez muda a sua Vida e a de todos que a cercam.

Phiona Mutesi, a personagem principal, vivia numa comunidade muito pobre e apresentava um histórico familiar bastante conflituoso. Ela abandonou a escola ainda muito cedo e desde então trabalhava para ajudar no orçamento familiar, entretanto, tudo na sua vida muda quando ela conhece o professor Ketende, que a apresenta ao xadrez. A partir disso, Phiona passa de uma menina pobre e sem perspectiva para se tornar uma grande enxadrista com reconhecimento internacional.

O filme aborda a caminhada de Mutesi para o sucesso, enquanto uma mestra enxadrista ainda muito jovem que serviu de exemplo de superação para toda a sua comunidade. Um dos pontos mais altos do filme, que emociona aos telespectadores, é, principalmente, a trilha de sua superação pessoal à medida que ela vai dominando o conhecimento e as regras do tabuleiro. O longa é um ótimo exemplo de demonstração de que o meio pode até nos influenciar, mas nem sempre pode determinar o que devemos ser, pois sempre poderemos agir e buscar caminhos diferentes daqueles que o meio nos apresenta.

O elenco conta com a queniana Lupita Nyong'o, o britânico David Oyelowo e a ugandense Madina Nalwanga que interpretou Phiona. Produzido pela Disney e sob a direção de Mira Nair, o filme é uma comovente história de superação com todos os desafios que se tem direito. Assim como no xadrez, no tabuleiro da Vida para se ganhar é preciso ter objetivos e metas claras, estratégias, Persistência e Constância. Mas, acima de tudo, é necessário desenvolver o poder da Vontade, uma vez que nada, exatamente nada, se constrói fora se não houver bases sólidas internas dentro do Indivíduo. Por isso, quanto mais clareza mental, sentimentos e emoções ordenados e um poder de ação para executar o que planejamos, maior é a nossa probabilidade de ter sucesso nos nossos projetos e anseios.


À medida que mergulhava no jogo, a jovem Mutesi sonhava em ser uma mestra no xadrez, mas não só no nível mental, como em geral costumamos fazer. Ela ordenou suas emoções e colocou-as à serviço desse projeto mental. Não obstante, ela lutou com todas as suas forças para executar o seu sonho através das poucas oportunidades que a Vida lhe concedeu. Quando, em alguns momentos, a Vida parecia ter fechado suas portas para a jovem, ela criava as oportunidades necessárias para crescer. Mesmo que por vezes apavorada pelos seus medos, Phiona não deixou de dar um passo à frente e seguir o caminho que havia decidido trilhar. Ela poderia se lamentar por morar numa favela, por ser pobre, por ser órfã, por trabalhar desde muito cedo e ter que cuidar dos seus irmãos pequenos etc. E tudo isso seria compreensível e justificaria a condição em que ela se encontrava, com poucas oportunidades para desenvolver suas potencialidades.


De fato, seria sim muito “compreensível” para todos nós aceitar um possível fracasso de Phiona, pois, compartilhamos de situações sociais bem semelhantes a da jovem ugandesa. A bem da verdade, infelizmente, temos infinitos exemplos de crianças e jovens que nascem, crescem e morrem sem oportunidades nas nossas favelas brasileiras.

Certamente, todos os sociólogos e estudiosos da área das ciências humanas, por vezes, teriam ricas sínteses para explicar ou descrever o fracasso das crianças de Uganda. Podemos citar aqui, por exemplo, algumas variáveis como causa – a ausência de políticas públicas, a economia, a corrupção, o sistema político, a religião e tantos outros fatores sociopolíticos. Entretanto, como explicar um sucesso quando se trata de uma superação como essa da Phiona, sem cair no discurso acerca da meritocracia? Se ela existe ou não, se é justa ou se não é, se representa o todo ou a parte ou se confirma a regra?


Como explicar a existência de indivíduos que, dentro das condições e situações mais adversas, conseguem se superar e fazer um caminho que nos inspiram e nos ensinam a não ter autopiedade ou revolta, que também, tão costumeiramente nos acompanham? Esses exemplos, como o da enxadrista, nos ensinam sobre como desenvolver a Fortaleza necessária para lidar com cada um de nossos problemas, enfrentando-os com a Coragem e a Nobreza semelhante à dos guerreiros que não tem dúvida da importância das suas batalhas.

Na Rainha de Katwe, Phiona escolheu o caminho mais “difícil”, que foi o de não se conformar diante das negativas que o mundo lhe deu desde sua tenra infância. Ela tinha tudo para repetir o ciclo de miséria que assola a realidade de muitos ugandenses, mas não o repetiu. Phiona tinha tudo para ser mais uma mulher negra, vítima das injustiças sociais e das circunstâncias, tinha tudo para participar da estatística, mas procurou vencer a si mesma, superando-se a cada jogada, não importando se era no tabuleiro do jogo de xadrez ou na própria Vida. Por isso ela foi um ponto fora da curva na sua comunidade e país, por isso, que se destacou com maestria.

Cada um tem uma história, uma dor ou uma batalha a travar. As circunstâncias nunca serão fácies e diante das batalhas da Vida há sempre uma decisão a ser tomada: ou enfrentamos as adversidades e lutamos como um bom guerreiro, ou negamos essa batalha e nos acovardamos a lutar pelo real sentido da existência, que é conhecer e vencer a si mesmo.


Na sociedade atual, em contrapartida, vivemos um total desconhecimento de nós mesmos. Segundo alguns filósofos, essa ignorância é fruto de uma dissociação entre a nossa essência verdadeira e as expectativas sociais que esperam de nós. Desse modo, vivemos fragmentados, à mercê dos esquemas sociais e negando para si mesmos a importância do autoconhecimento. É urgente que olhemos para dentro para rememorarmos a força que outrora possuíamos, e que agora, pela ausência dela, fomos reduzidos aos nossos medos, complexos, angústias, covardias e revoltas.

Nesse sentido, há um momento em nossas Vidas que é muito definidor, onde cada um, em algum momento, precisará olhar no espelho e deverá responder quem é de verdade. A partir desse ponto as respostas mentais já não serão mais suficientes para aplacar a dor existencial causada pela ausência de um Sentido de Vida. E é nesse instante que o desejo por se encontrar vai ser maior do que as tentativas da autossabotagem e das procrastinações corriqueiras.



Logo, viver exige mais do que a repetição de crenças, hábitos ou convenções sociais. Nesse momento crucial de despertar interior, não vai importar muito as circunstâncias, o tamanho ou tipo do problema. O mais importante, sem sombra de dúvida, será a compreensão da síntese de todos os fatos vivenciados. Diante disso, fica claro que os problemas podem até nos influenciar, mas jamais poderão nos definir. A potencialidade Humana transcende quaisquer adversidades. No caso da Rainha de Katwe, Phiona representa a exceção porque ela rompe com os acordos tácitos sociais, a partir de uma decisão interna. A jovem ugandesa rompe com as regras que a condicionavam e limitavam.




Há um conto que fala que uma boa espada é aquela em que o aço foi mais vezes temperado no fogo. Na Vida não é diferente, só aprende a viver aquele que mais desafios resolveu, aquele que mais praticou e mais experiências adquiriu. Porém, nada disso é possível se não olhar para dentro e descobrir quem se é de verdade, com todas as suas potencialidades e limitações. Phiona sabia quem era e por isso pôde trilhar e triunfar sobre os seus medos, suas dúvidas e dores. No tabuleiro da Vida não importa muito qual o seu papel social, mas como você o representa, se é pião, rei ou bispo, o que importa? Mas, quem você é para além desses papéis e como você responde a cada jogada que a Vida te oferece? A caminhada não é, nem nunca será fácil, mas a Vida sempre nos oferece um professor para nos mostrar as possibilidades que não enxergamos. Eles sempre acreditam em nós antes mesmo de acreditarmos, sempre nos olham com Amor profundo e nos seguram a mão quando o medo nos sufoca. Acredite, olhe ao seu entorno, reconheça o seu e siga em frente, assim poderemos compreender nosso verdadeiro papel diante do jogo da Vida e desempenhá-lo com maestria.


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