A busca pela consciência no século XXI




Uma nova teoria sobre consciência está impactando o mundo. Apresentada através de artigos científicos do professor Johnjoe McFadden, da Universidade de Surrey, na Inglaterra, essa teoria afirma que a consciência vem do campo eletromagnético gerado a partir dos impulsos elétricos dos neurônios cerebrais. Obviamente, muitos cientistas discordam, afirmando que isso não é científico, que não é possível provar, etc. O próprio McFadden admite que é só uma hipótese, mas que seguramente abre caminho para uma linha de pesquisa científica muito promissora.



Essa investida na descoberta da consciência, tão atual, tão ousada e com uma repercussão tão forte nos principais jornais do mundo, demonstra que assim como os antigos buscavam o metafísico e o imaterial, o mistério que nos habita, a mentalidade contemporânea também caminha na mesma direção, mas através de meios muito diferentes. Quando falamos “os antigos”, nos referimos à filosofia clássica, a exemplo de Pitágoras, Sócrates, Platão, os estóicos, bem como às tradições místicas da Índia, do Tibete e do Egito. Esses antigos, diferente do que fazemos hoje, não estavam interessados em entender de que material é feita a consciência, de ondas eletromagnéticas, de átomos ou de partículas fotoelétricas, na verdade, o que percebemos nessas tradições é uma busca profunda por despertar a consciência no exercício da Vida. Buscavam estar presentes, unir o céu com a terra, no sentido de conectar o mundo sutil, das ideias, com a vivência prática. Entendiam, a exemplo dos filósofos estóicos, que assim como há Leis que regem a Natureza, há também Leis invisíveis que regem o comportamento Humano e assim buscavam viver uma Vida Moral, a fim de se harmonizarem com essas Leis.


Nossa civilização, tão avançada na racionalidade técnica, e com buscas tão presas à matéria, completamente desconectada do Sentido da Vida, tateia no escuro, na tentativa de encontrar consciência nos impulsos elétricos dos neurônios. Talvez se um sábio antigo visse isso, iria rir de nós. Mas o que há de positivo nessa busca atual, é que essa investida acompanhada de toda a repercussão que vem causando, nos mostra que o Espírito Humano não morreu, ainda vive, e se revolve em busca de consciência, ainda que com ferramentas tão materiais e distantes da essência profunda do que somos.


Querer saber o que é consciência é uma das perguntas mais filosóficas que existem, para qual não há uma resposta objetiva. Não se sabe exatamente o que é consciência, mas a certeza inevitável é que somos seres conscientes. Ainda que duvidemos de tudo o que existe, ao final teremos que concluir que o próprio fato de duvidar de tudo, já nos traz uma certeza, a de que existimos enquanto seres conscientes. Foi nesse sentido que o filósofo René Descartes enunciou: “quando penso, logo existo”.



Sabemos muito pouco sobre consciência, somos fartos de teorias a respeito, conceitos equivocados dos mais diversos, milhões de livros publicados sobre o assunto, há quem atribua a sua origem à linguagem, há quem atribua à energia eletromagnética, mas nenhuma dessas tentativas dão conta de exaurir a busca Humana por conhecer a Natureza profunda do que é consciência.


As formas religiosas que conhecemos, geralmente quando definem Deus, parecem ter a mesma dificuldade que se tem ao se tentar definir consciência, de modo que esses dois conceitos parecem se confundir. Tomemos como exemplo a tradição judaico-cristã que ao definir Deus usa termos como “onisciente”, “onipresente” e “onipotente”, mas curiosamente esses são atributos da consciência.


Nesse sentido, poderíamos afirmar que consciência é o aspecto mais Divino que temos em nós. As tradições hindu, tibetana e egípcia geralmente quando tratam de consciência falam das ideias de concentração e autodomínio. A ideia de "concentração" aponta para uma reunião em torno de um centro. Em nossa Vida costumamos ter diversos eu’s. Um ‘eu’ para o trabalho, outro para a família, outro para os estudos, outro para os amigos, etc. Essa pluralidade de tantos ‘eu’s tende a nos levar a uma desagregação interna, pois qual desses Eu’s vai governar? Nós somos internamente como uma cidade, se não houver um governo, tende ao caos. Concentrar-se é fazer todos esses eu’s orbitarem em torno de um centro, obedecendo-o e se harmonizando com ele, e isso acontece no exercício da Vida, é uma busca vivencial. Assim, para as antigas tradições, quando conseguimos organizar o nosso modo de viver, de forma que os múltiplos eu’s que nos habitam obedeçam ao núcleo central da nossa Vida, que é a nossa Alma Imortal, o nosso Eu superior, quando conseguimos isso, então é um sinal de que despertamos consciência, por isso atribuíam à consciência o sentido de concentração.



Essa capacidade de identificar o centro e viver o seu governo, nos leva à segunda ideia relativa ao autodomínio ou, como diziam os antigos, à “posse de si mesmo”. Não sei se você já observou, mas quando estamos inconscientes, não temos a posse de nós mesmos. Por exemplo, uma pessoa hipnotizada, como a própria Associação Americana de Psicologia afirma, encontra-se em um estado de redução da consciência, e qual o efeito imediato disso? Maior capacidade de resposta à sugestão, ou seja, tende a ser possuída, dominada por comandos externos. Isso acontece o tempo todo em nossa Vida. Quando reduzimos a consciência, por conseguinte, somos dominados por comandos externos, perdemos a posse de nós mesmos. Já lhe ocorreu sair de casa, e quando já estava na rua, ficar em dúvida se trancou a porta ou não? E quando você volta, constata que trancou. Então, aonde você estava no momento? Estava no “piloto automático”, ou seja, fisicamente presente, trancando a porta, mas de forma inconsciente. Fazemos isso o tempo todo, se você dirige com frequência vai perceber que há trechos nos seus deslocamentos que você fica completamente inconsciente. É nesses lapsos de inconsciência, em que fazemos as coisas por automatismo, que ficamos vulneráveis, despossuídos de nós mesmos, e o grande perigo é que nessas horas, influências, opiniões, medos, impulsos, apetites passam a nos governar, em lugar do nosso Eu central.



Observe então que enquanto a filosofia antiga e as tradições estavam preocupadas com o despertar da consciência na Vida, a nossa contemporaneidade está encantada com a busca por entender a natureza material da consciência. Esses dois movimentos em busca da consciência, o antigo e o contemporâneo, são provenientes dos paradigmas. Todas as civilizações são construídas a partir de paradigmas. Um paradigma é um jeito de olhar o mundo, uma perspectiva, uma cosmovisão. O paradigma do mundo antigo, olhava a Natureza de forma contemplativa, via-na como um grande Mistério, do qual somos integrantes, já o paradigma da modernidade olha para a natureza como algo à parte de nós, e que é uma mina de ouro para ser explorada, dominada e nos servir. É esse paradigma que move a contemporaneidade hoje, é daí que surge esse impulso de mapear a consciência, com o objetivo de explorá-la, dominá-la e extrair dela algo que atenda aos nossos interesses. Não existe um caminho mais equivocado possível! Mas o que nos dá Esperança é que, apesar de todos os equívocos, ainda palpita no âmago da nossa geração uma busca por consciência, quem sabe em algum momento não consigamos realmente encontrá-la?


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