Efeito Borboleta - Como Lidar com o Passado?

November 18, 2020

 

Os filmes e livros sobre viagens no tempo, quase unanimemente, têm presente em seu enredo a preocupação com as intervenções dos personagens na linha temporal, pois, a mínima alteração em um ponto da história, pode gerar repercussões inimagináveis no futuro. Entretanto, quantas vezes dedicamos essa mesma preocupação, que vemos na ficção, com o presente que vivemos hoje, onde cada ação nossa também poderá gerar eventos imprevisíveis adiante?

 

 

O filme “Efeito Borboleta” tira seu nome de uma teoria que diz que o bater de asas de uma borboleta num canto do mundo pode gerar um furacão em outro. Também podemos chamar esse fenômeno de reação em cadeia, quando o último evento resultante de uma série de acontecimentos, está ligado a uma ação que o motivou, mesmo que pareçam não ter qualquer ligação. Como naqueles vídeos em que o simples movimento de uma peça desencadeia uma inacreditável ordem de reações.

 

 

 

Assim é também a história de uma pessoa, do mundo ou de todo o Universo, um efeito borboleta em máxima escala. A mudança de rota de alguns navios espanhóis no século XV, alteraram o curso da história de várias civilizações americanas, por exemplo.

No longa, o protagonista Evan, vivido por Ashton Kutcher, descobre uma forma de voltar ao passado, e assim decide tentar mudar eventos traumáticos que o transtornaram por toda a infância e adolescência. O que descobre, no entanto, é que cada mudança no passado gera repercussões inesperadas para o seu presente. 

Todo o filme é uma luta do protagonista tentando “salvar” o passado, mas só conseguindo causar problemas ainda maiores, que ele nunca seria capaz de prever. Se falarmos muito mais do que isso sobre a trama, já entraremos na zona de “spoilers”. Porém, se você é uma das pessoas que não assistiu ainda este filme, vale a pena seguir acompanhando a reflexão, pois serve como um perfeito complemento para esta obra de 2004.

Há, antes de mais nada, que se pensar no paradoxo que nos impede de viajar e alterar o passado, pois, se eliminássemos, em sua origem, o problema que nos motivou a voltar para resolvê-lo, no futuro, não teríamos a iniciativa de retornar ao passado para assim fazê-lo. É confuso, claro, mas, isso explica porque, mesmo se pudéssemos voltar no tempo, não nos serviria de nada.

 

 

A Humanidade já consegue manipular uma série de características da Natureza, que antes eram controladas apenas pelos “Deuses”, como o fogo, a água, o vento. O tempo, no entanto, não é uma delas. Viajamos pelo tempo a cada instante, mais rápido ou mais lentamente, a depender do estado de nossa consciência. Diz o senso comum que, se estivermos nos divertindo, viajamos de maneira acelerada. Do contrário, se estamos sofrendo, os segundos parecem se arrastar, quase parando. Mas nunca podemos fazer o que mais nos aflige, mudar o passado.

O aprendizado acontece através da experiência, seja ela nossa, ou, quando conseguimos captar de maneira vivaz, a de outras pessoas. Por exemplo, quando Isaac Newton era chamado de gênio, respondia que na verdade tinha subido nos ombros de gigantes. O que ele queria dizer era que ele se valeu das experiências de seus mestres e antecessores, que deixaram uma marca na história, de alguma forma. Dessa maneira, ele pôde continuar a partir dali, sem precisar iniciar toda a caminhada do zero. 

 

Assim, o que aprendemos hoje é resultado de como lidamos com as dificuldades. Mas como aprender com experiências com as quais não conseguimos lidar? 

 

 

Nosso imaginário recria a fantasia de que é possível mudar o que aconteceu, nos iludindo com a perspectiva de que, em algum lugar no universo imaginário, o que idealizamos realmente aconteceu, sem a interferência dos acasos e percalços que a Vida nos coloca. Mais sábio, no entanto, é aceitar que o vento sobre o mar enfurece as ondas, mas que elas voltarão a se acalmar eventualmente. A árvore mais forte não é páreo para uma grande tormenta, mas o bambu mais flexível é capaz de resistir às maiores intempéries, pois não enfrenta o que é natural, apenas aceita sua inevitabilidade, e lhe “pede permissão” para continuar seu caminho. Assim como o bambu, devemos aceitar as coisas que acontecem naturalmente e ter flexibilidade para nos posicionar diante das circunstâncias.

No Oriente, as consequências de nossas escolhas, sejam positivas ou negativas, são chamadas de Karma. Apesar de costumarmos associar essa palavra com a ideia de punição, sentença, castigo, nada tem a ver com isso. O Karma de um rio que desvia seu curso, é não chegar ao mar. Não é uma retaliação, mas um resultado. É verdade que o Karma normalmente está associado à dor, mas até isso não é de todo mal. A dor que sentimos por um problema de saúde é o que nos alerta de sua existência. Sem isso, não poderíamos nos tratar. Não é agradável sofrer, mas, é uma benção ter conhecimento do que precisamos curar em nós mesmos, antes que se torne irreversível.

 

 

Nossas ações hoje, por menores que sejam, tem potencial para mudar Vidas, começando pela nossa. Sorrir cordialmente para um estranho na rua pode mudar sua atitude naquele dia, evitar brigas, estreitar laços. Se o bater de asas de uma borboleta pode provocar um furacão, a boa ação de apenas uma pessoa pode, através de uma reação em cadeia, inspirar muitas outras e transformar o mundo num lugar melhor.

 

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