Tea Time: Entre o Progresso e o Melhoramento Humano

November 17, 2020

 

Tea Time é um curta-metragem francês, do tipo animação,  produzido em 2015, que sutilmente provoca uma reflexão sobre a ideia de progresso. Conta a história de uma senhora idosa, com muitas limitações de locomoção e coordenação motora, que é auxiliada por um robô antigo. O problema é que esse robô também é cheio de limitações, o que faz com que a senhora seja seduzida por uma propaganda na televisão e decida comprar um equipamento de última geração que promete energizá-la. Mas tudo vai dar muito errado e no final fica fácil perceber que entre a inovação de última geração e o robozinho antigo, o melhor e mais seguro para aquela senhora era a relação com o robô antigo.

 

 

 

Nós somos hoje uma sociedade que emergiu da luta pela superação da Idade Média. Então, o jeito como pensamos é o resultado do esforço da modernidade para se livrar do feudalismo, do religiosismo medieval e do antigo regime político da Europa baseado no sustento de uma nobreza luxuosa, improdutiva e ociosa. A fim de superar esses entraves, a nossa civilização foi construindo uma ideologia de progresso que serviu de motor para o avanço da ciência, para o avanço do capitalismo e que nos levou à Revolução Industrial, potencializando os transportes terrestres, marítimos e aéreos. Ou seja, a fim de sair do fosso que era a Idade Média, a civilização ocidental fortaleceu essa ideia de progresso de modo que todos os setores da sociedade foram potencializados ao máximo, movidos por esse jeito de pensar dogmático que se repetia como um mantra: é preciso crescer, desenvolver, expandir, etc.

 

 

O ponto de partida dessa ideologia é muito positivo, realmente, a ideia de expansão parece ter base em uma intuição profunda que todos temos. Todos queremos crescer, expandir, avançar e isso nos leva à busca do que está sempre à frente. Queremos tudo de última geração. Mas agora no Século XXI, podemos olhar para trás e perceber o rastro destrutivo e predatório que esse padrão de pensamento vem deixando no mundo nos últimos cinco séculos, seja na natureza, seja na saúde psíquica da sociedade humana, a ideologia do progresso em certa medida tem um efeito monstruoso e devastador. 

 

Vivemos uma era de muitas incertezas: crises migratórias; crises no mercado financeiro; crises ambientais; produção de armas químicas, atômicas etc., tudo em decorrência de um jeito de pensar que passa pela ideia de que é preciso estar sempre à frente, avançando, chegando sempre ao ponto mais alto, sempre triunfar, sem jamais retroagir.

 

 

A ideologia do progresso surgiu para melhorar a condição humana, mas com o passar do tempo ela foi colocada acima do seu próprio fim. Hoje se pensa mais em progredir tecnicamente do que em melhorar como Ser Humano, e muitas vezes ocorre um pioramento da condição humano na medida em que se desenrola um grande avanço tecnológico. Mandamos nossas sondas para outros planetas e ao mesmo tempo não conseguimos deter a marcha do desflorestamento; aprendemos a fazer transplante de coração, mas há índices alarmantes de suicídios porque não conseguimos chegar ao coração dos que sofrem e não encontram alternativas.

 

 

O avanço e o progresso são sempre necessários? Quando nos ajuda e quando nos atrapalha? Essa é a reflexão que o curta nos pede. Aquela senhora idosa é como a sociedade humana, e o robô antigo representa as condições de vida e de convivência, que temos.  A engrenagem sofisticada que a submete a exercícios para além de seus limites físicos representa essa marcha acelerada que vivemos hoje, caminhando para onde ninguém sabe, buscando um progresso baseado numa sede que nunca se sacia, que não sabe o que necessita, e que aos poucos vai nos levando ao desequilíbrio. Precisamos olhar para os padrões da Natureza e entender o que é progressivo ou não. Isso é um discernimento que necessitamos ter. O que contribui com o Ser Humano? O que está destruindo o Ser Humano? O verdadeiro progresso está no afeto, no respeito aos limites do corpo, da Natureza, está no uso justo do tempo, está no Amor a todos os seres e a todas coisas. Como dizia Renato Russo, é preciso Amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar, na verdade não há.

 

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