Um Olhar Para a Subcultura Gótica

November 10, 2020

 

 

Não é difícil encontrarmos pelos shoppings, cinemas ou praças grupos de adolescentes/jovens vestidos de preto com roupas customizadas e maquiagens pesadas, a exemplo dos grupos denominados de Emos, Punks, Góticos, entre outros. Certamente, algum de nós, já participou ou criticou esses grupos em nossos tempos de secundaristas e dos antigos cursinhos preparatórios para universidade. De maneira geral, esses micro grupos sociais são vistos como se fossem uma única massa homogênea de rebeldes que são contra todas as regras e sempre estão dispostos a afrontar a moral e os bons costumes de seu tempo. É relevante fazer uma análise sobre o surgimento destes grupos.

 

 

Antes de adentrarmos na análise, é preciso fazer um resgate da origem da palavra gótico, termo que ao longo da história foi utilizado de diversas formas para classificar movimentos artísticos, estéticos e comportamentais que influenciaram várias gerações. O termo gótico vem de “godos”,  antigos povos germânicos. Os godos eram considerados bárbaros pelo Império Romano. Na verdade, o termo teria sido usado pela primeira vez por Giorgio Vasari, o fundador da História da Arte, que se referia a um tipo de Arte muito obscura e negativa da Baixa Idade Média, que de tão contrária ao estilo clássico, lembrava a postura dos bárbaros que destruíram o Império Romano. Porém, na prática, esses povos germânicos nunca tiveram relação direta com a Arte gótica.

 

Dado o momento histórico, a arquitetura gótica foi uma busca da expressão de Deus como o centro do mundo, por isso, as principais referências dessa arquitetura eram as igrejas, as catedrais, as basílicas e os mosteiros. Vale ressaltar que a pintura, a literatura e as artes plásticas também seguiram esse movimento, centrando-se nos temas sacros. Esta era a mentalidade da época, a Igreja era o centro de toda atividade Humana, e “Deus” era o principal tema. Imperava uma visão infantil da Divindade, era como se um Deus pessoal, caprichoso, orgulhoso e vingativo vigiasse os passos de todos. Se por um lado, o fanatismo e a ignorância imperavam, por outro, podemos perceber que, principalmente na arquitetura, se buscava uma ideia de verticalidade e de aproximação de Deus através do Belo e do Sublime. 

 

Após a Idade Média, com o avanço das ideias Iluministas, que eram a antítese da religiosidade medieval, os Valores da racionalidade, do materialismo e do empirismo ganharam o centro da pauta nas questões sociais. Porém, como nenhum dos extremos traz o equilíbrio, por volta do século XVIII, com tanta lógica fria e tanto cientificismo, a sociedade já sentia uma “secura na Alma”. É nesse contexto que surge o movimento do Romantismo, em oposição ao Iluminismo. Mais uma vez o termo gótico seria usado para designar uma parcela da literatura romântica que tinha como objetivo se posicionar contra os Valores racionalistas e materialistas da sociedade.

 

 

Na década de 70, no Reino Unido, surge a subcultura gótica influenciada pelas correntes artísticas do Expressionismo, Decadentismo, a Cultura do Cabaré e o Beatnik. O movimento gótico é um dentre outros movimentos alternativos, artísticos e culturais no contexto da contracultura. Para entendê-lo, é preciso considerar qual a influência das duas guerras mundiais e de todo processo subsequente da guerra fria no comportamento das pessoas. É consenso que o mundo pós guerras foi marcado por grandes transformações no panorama geopolítico e econômico, e, no tocante à sociedade, fez surgir esse fenômeno já citado da “contracultura”. Em linhas gerais, se trata de um movimento sociocultural que surgiu da insatisfação de jovens descontentes com a Vida e com os Valores sociais que viviam. Esses movimentos nasceram no contexto desse panorama, onde se tem uma população mundial traumatizada pela carnificina das incontáveis mortes, e pelas ideologias que dizimaram pessoas e esfacelaram para sempre algumas famílias em nome de uma política de Estado.

 

A subcultura gótica, através das Artes, buscou questionar e quebrar as normas e padrões que julgavam desumanizar toda a sociedade. E, é a partir dos seus estilos próprios e de novas formas de olhar o mundo, que seus integrantes influenciaram a moda, a música, as artes plásticas, a literatura e todo o comportamento social das últimas décadas. Os mesmos são reconhecidos e diferenciados de outras tribos urbanas pelo o uso de roupas pretas, com excesso de detalhes e maquiagens pesadas, contrastando, quase sempre, com um comportamento tímido, quieto, misterioso e sombrio que os indivíduos carregam consigo. Tais características psicológicas fazem eles serem vistos como pessoas “antissociais”, e por vezes violentas. Na maioria das vezes, por causa do preconceito, os góticos são confundidos e/ou marginalizados.

 

Por outro lado, compartilham um gosto profundo pela cultura e vêem nela um valor importante, em oposição a um mundo utilitarista e "materialista" em que vivemos. Possuidores de uma sensibilidade acima da média, são excessivamente românticos. Amam poesias e literatura com temas voltados à melancolia, ao romantismo sombrio e macabro, além das filosofias niilistas e existencialistas, o que lhes confere o título de pessimistas por natureza. A disseminação dessa subcultura ganhou o mundo e o Brasil na metade da década de 80 e início da década de 90, sendo conhecida inicialmente como os “darks”. E, quando se fala em gênero musical gótico, não se pode esquecer da lista com os nomes das bandas Joy Division, Bauhaus, Siouxsie and the Banshees, The Cure, Sisters of Mercy, The Damned, Alien Sex Fiend, entre outras. 

 

 

Como citado acima, o surgimento histórico da subcultura gótica ocorreu como oposição a um mundo arrasado pelo ódio e pelo preconceito, disseminados por ideias que mataram e retiraram dos indivíduos a Esperança e a chance de acreditar na Humanidade. Manifestaram as suas indignações através de suas músicas, romperam regras, mudaram hábitos e deram a sua mensagem. Porém, em contrapartida, isolaram-se e se tornaram cada vez mais tristes e mais depressivos, perdendo o contato com a realidade e o fluxo da Vida. O que era sensibilidade, tornou-se suscetibilidade e o que era negação dos valores sociais, tornou-se um relativismo estéril, amoral e sem sentido para a Vida. Nega-se algo sem colocar nenhum sentido mais profundo em seu lugar.

 

Como consequência, produziu-se gerações de jovens depressivos, que de tanto cultuar o mórbido e o feio, tenderam ao suicídio como a maioria dos ídolos e vocalistas das bandas que gostavam. Portanto, há que se olhar para as tribos urbanas e, dentre elas, a subcultura gótica, não como uma massa de estranhos e rebeldes que ameaçam os nossos hábitos e costumes, eles não são os bárbaros godos que destruíram a nossa Roma. Na verdade, até mesmo essa referência histórica nos faz refletir que Roma caiu não por causa dos bárbaros, ela caiu porque já estava corrompida por dentro, já não possuía mais o Espírito e nem a Força que a manteve unida por séculos.  Por isso, precisamos entender que os góticos, e também outros jovens das mais diferentes tribos, são pessoas que sofrem porque não veem mais no mundo Heroísmo ou Virtude, em que possam se inspirar. Sofrem porque carregam consigo o desejo de lutar para contribuir socialmente com algo que retire o mundo da mediocridade. Para uma Verdadeira transformação, precisaremos unir a força dos jovens com a experiência e a Sabedoria das gerações mais antigas. Urge a retomada dessa Unidade, é preciso resgatar a crença e a Esperança no futuro da Humanidade. 

 

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