Curta: O Emprego - Humanos Não São Objetos

November 10, 2020

 

 

“O Emprego” (El Empleo) é uma animação argentina da primeira década dos anos 2000, produzida e dirigida por Santiago Grasso e Patrício Plaza. Foi um curta metragem que recebeu vários prêmios nacionais e internacionais devido à sua temática – O homem e a sua relação com o trabalho. 

 

 

Essa é uma das temáticas mais importantes da sociedade dos dois últimos séculos, em que vários autores discorreram e trataram largamente na literatura das ciências humanas. 

Neste filme, aborda-se de forma impressionante o processo de desumanização do Indivíduo através das suas relações de trabalho. 

 

 

 

Longe de querer aqui discorrer ou aprofundar os conceitos de “alienação”, “trabalho” e o seu impacto nas relações sociais, cabe-nos resgatar o sentido dessa relação social para entender melhor a proposta do curta. 

 

Assim, comecemos por entender as categorias utilizada por Marx, um dos importantes estudiosos sobre a temática em questão. Em uma de suas obras, mais precisamente, o Capital, o autor discorre sobre o processo de construção da Humanidade ao longo da história. Segundo o filósofo e sociólogo, é através do trabalho que, ao longo da história, o Indivíduo se Humaniza, domina e transforma a Natureza a favor de suas necessidades, pois através do trabalho o Homem constrói a sua Identidade e supera as adversidades do cotidiano, com sua imaginação e sua capacidade de produzir ferramentas. 

 

 

Desse processo surge o desenvolvimento da cultura.  Ou seja, a cultura é fruto da produção que é consequência do trabalho. Diante disso, se o Homem é alienado do processo do seu trabalho, não se constrói, não tem Identidade, não produz cultura e se reduz apenas a uma coisa/objeto, tal como se demonstra em nosso curta.

 

 

 

Aqui nesse ponto, cabe trazer outro importante conceito para a nossa análise, que é o conceito de “alienação”. A palavra vem do latim “alienatio” que significa estar alheio a algo. Mas, tratando-se do caso em questão, a alienação do trabalho significa que o trabalhador participa apenas do processo e não tem acesso ao produto final, ou seja, aos bens que produz. Assim, dentro da dinâmica de produção, o trabalhador elabora e constrói, mas fica totalmente alheio ao produto e, consequentemente, fica também alheio a qualquer Valor ou bem agregado ao seu trabalho. 

 

 

 

 

 

“O Emprego”, resgata e atualiza essas ideias, ou pelo menos uma parte delas, em apenas 7 minutos. Dado o histórico de premiações e visualizações nas plataformas virtuais, assim como o debate gerado, percebe-se que essas ideias ainda continuam reverberando com muita força. No curta, o encadeamento das cenas da rotina do trabalhador conduz para a ideia de sua relação desumana com os objetos, com as pessoas e com tudo o que o cerca. Ou seja, um Indivíduo alienado do trabalho, consequentemente se torna um objeto e passa a coisificar tudo o que o rodeia. É muito interessante como através das cores e da ordem da narração das imagens, os produtores ressaltam a simetria entre as pessoas e os objetos, que acabam por se igualarem no seu valor social. A cena final culmina com o trabalhador deitando-se ao chão e servindo de tapete para o seu chefe pisar e passar por cima. Da mesma forma que objetificava os demais trabalhadores, o protagonista também se torna um objeto de seu patrão, que por sua vez, podemos deduzir, é mais um personagem que será privado de sua Humanidade, para ser usado como objeto de outras pessoas, em outras circunstâncias.

 

Diante da proposta do curta e de tudo que foi citado acima, cabe uma reflexão sobre esses conceitos que foram debatidos exaustivamente ao longo dos últimos séculos. O curta, de fato, mostra uma realidade que tem levado a perigosas tensões entre classes sociais. Parece que vivemos constantemente em uma guerra entre os que são usados e explorados, contra aqueles que usam e exploram. Porém, a solução para este problema não é simplesmente uma troca de papéis. Essa forma de encarar a sociedade só nos mergulhou em um mar de desconfianças, mágoas, tristezas e incertezas.

 

 

 

 

A perspectiva de uma abordagem apenas materialista da sociedade já nos mostrou que não consegue dar respostas à nossa realidade, tendo em vista o nosso histórico dos últimos séculos. Reduzir a Vida Humana às necessidades materiais é desconsiderar outras necessidades transcendentais que habitam dentro de todos nós. Como explicar o nosso impulso para a Justiça, para a Bondade ou para a Beleza? 

 

Por isso, precisamos fazer como o personagem que aparece após os créditos, o “abajur”, que simplesmente abandona essa condição e não aceita mais ser usado como um objeto. Mas isto não pode servir somente para nós mesmos. Uma pessoa tem Valor pelo que ela é, e não pelo que ela produz. Se queremos dar respostas válidas ao momento complexo em que vivemos, precisamos compreender o Ser Humano de maneira profunda e conectá-lo às Virtudes que habitam dentro dele. É necessário entender que o nosso verdadeiro trabalho não é construir coisas no mundo material, mas sim compreender e construir a nossa própria Identidade Humana, a partir do que há de mais Divino dentro de nós.

 

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