A Lenda do Cristal de Buda

November 10, 2020

 

A internet está cheia de vazios. Explicando melhor, a rede mundial de computadores é como um caleidoscópio: colorido, brilhante e bonito de se ver, mas nem sempre útil de verdade no fim das contas. Todavia, nem só de erva daninha o mundo “www” está cheio. Tem muito conteúdo inspirador também. E, sem fingir modéstia, não é por isso que você está lendo esse texto, aqui na Feedobem? Nós também procuramos mostrar conteúdos que tornem o Ser Humano cada vez melhor. Um desses conteúdos muito válidos está em Mundo-Nipo, um site dedicado à cultura Japonesa. E aqui, nos referimos diretamente a um de seus textos: a Lenda do Cristal de Buda.

 

 

A lenda nos relata uma história de Nobreza. Nobreza é uma daquelas palavras que foram mudando de significado ao longo do tempo. É verdade que ela sempre representou um grupo de pessoas com poder político, militar e econômico em uma nação. Mas, se voltarmos à antiguidade clássica veremos que a Nobreza era sinônimo de comportamento fidalgo, cortês, polido. Que o nobre era o símbolo da Bravura e do Heroísmo, sendo o primeiro soldado a se alistar para a batalha, ou o primeiro a se sacrificar numa situação difícil. Se esperava de um  nobre Honra e Autodomínio. Em outras palavras, eles carregavam os Valores da sociedade e eram os modelos de Seres Humanos a serem seguidos. Como não lembrar de Lúcio Quíncio Cincinato? Esse homem exemplificou o conceito ideal da Nobreza romana.

Infelizmente, quanto mais fomos entrando na idade das trevas, mais nos tornamos materialistas. Ser parte da Nobreza, passou a ser identificado apenas com o fato de ter riquezas, ou algum título hereditário. Durante muito tempo na Idade Média, o modelo romano ainda ecoou. O ideal cavaleiresco herdou de Roma o modelo de Homem nobre, mas com o tempo foi substituído por um modelo burguês. E aquela classe promotora das Artes, mantenedora das Tradições, fiel aos códigos de Honra, foi pouco a pouco sendo substituída no poder por outra que via Nobreza apenas como a posse de privilégios. Como esses privilégios passaram a estar à venda em muitas nações, não se precisava mais comprometer-se com o código Moral das antigas tradições. Lembremos que no último império brasileiro os títulos de nobreza eram vendidos para financiar o estado. Se podia comprar o título, mas não a capacidade de ter em si as características para merecê-lo.

 

Hoje em dia, poucos querem ser verdadeiramente Nobres. Mas aqui e ali, ainda é possível ouvir a voz dessa Nobreza Idealizada. Há Quixotes, ou lampejos de Quixotes, na história recente da Humanidade. O Rei Alberto I, da Bélgica, por exemplo, durante a primeira guerra mundial, ia pessoalmente todos os dias passar suas combalidas tropas em revista, para os encorajar, e se envolvia pessoalmente nas decisões das táticas de guerra, como no caso da batalha do Rio Yser. Ele é, por muitos, considerado o último rei general de nossa história. Enquanto isso, enquanto milhares perdiam suas vidas nas batalhas, os comandantes das maiores potências tomavam suas decisões em bunkers superprotegidos.

Na história que ora recomendamos, lemos os acontecimentos da vida de Kohaku Jo, uma belíssima filha do Ministro de Estado Kamatari. Seu pai escolheu o Imperador da China para ser seu marido. Ainda que um pouco relutante, a obrigação de honra com a tradição e com seu pai a leva a aceitar o matrimônio. Após ser cortejada e antes de ser desposada pelo Imperador da China, ela faz uma promessa no templo de Kofuku-Ji. Se tudo ocorresse bem em sua nova vida de casada, ela voltaria ao local de oração com os três melhores presentes que pudesse.

Aqui já podemos observar duas grandes características de quem é Nobre. Kohaku Jo não queria se casar. Ela amava demais sua terra para aceitar deixá-la. Mas, antes de pensar em seus gostos e inclinações, ela pensou em seu compromisso com o Estado e com o seu pai. Um ato verdadeiro de sacrifício pessoal ainda hoje é considerado Nobre. Apesar de aceitar ser esposa do imperador da China, ela não esquece de suas tradições e faz uma promessa que vai lhe acompanhar por toda a história.

 

A sorte sorriu para nossa protagonista e seu marido se mostrou Bondoso e Generoso. Com todas as gentilezas que fez para deixar sua esposa feliz, o imperador da China encarna mais um elemento Nobre: a Generosidade. Ele a enche de presentes e homenagens e ela lhe fala da sua promessa. Imediatamente, o governante coloca toda a sua riqueza à disposição para que ela possa cumprir sua palavra. Kohaku Jo escolhe os três presentes que quer ofertar: um instrumento musical mágico, um suprimento de tinta indiana que nunca se acaba e um cristal belíssimo e fantástico com a imagem do Buda dentro, sentado em um elefante. Como lemos no texto:

“O Cristal, de transcendente beleza e reluzente brilho como de uma estrela, proporciona paz de espírito eterna para quem olhasse através do conteúdo líquido e visse a figura sagrada de Buda.”

 

 

O almirante Banko foi escolhido para a tarefa de transportar os presentes. Porém, no meio do caminho, o Dragão Rei do Mar, cria uma tempestade e rouba o precioso cristal. Consternado e envergonhado por não ter cumprido a missão, Banko pensou até em suicídio, mas decidiu viver e procurar a jóia até poder cumprir sua promessa. Essa fixação em cumprir uma promessa que vimos no almirante e na imperatriz pode nos parecer exagerada hoje em dia, mas, é um dos Valores mais importantes para a Vida em sociedade, e sempre foi considerado um ato Nobre. Quem não gostaria de conhecer um profissional que cumprisse os prazos que promete, por exemplo? Ainda assim, embora Banko e outros pescadores tenham se esforçado muito, não encontram o cristal. Katamari, pai de Kohaku, fica aborrecido, pois ama demais sua filha e reconhece a importância de cumprir uma promessa.

 

Até que o presente real é encontrado no fundo do mar, em posse do Dragão Rei. E uma jovem pescadora nos dá a última lição de Nobreza desse mito. Ela se oferece para recuperar o tesouro, desde que seu filho seja criado como um Samurai e não como um simples pescador. Ela mergulha no mar, enfrenta os dragões e rasga o peito para esconder a jóia e trazê-la à superfície. Ela cumpre com o que prometeu, mas infelizmente não resiste à aventura. Dessa forma, ela nos deixa uma linda lição. A Nobreza não vem de berço e não é uma dádiva da sorte. Ela é uma escolha, uma atitude. Qualquer um de nós pode ser Nobre. Qualquer que seja nossa posição na sociedade, podemos seguir o roteiro de Nobreza do conto sobre o qual refletimos hoje:

 

1 – Vencer o egoísmo: pensar nos outros antes de pensar em si mesmo;

 

2 – Ser generoso: afinal, os bens são ferramentas para fazer as pessoas felizes;

 

3 – Encontrar uma Unidade Interna: que nossos atos sejam o reflexo de nossas palavras, e que possamos cumprir o que prometemos;

 

4 – Viver e morrer naturalmente: toda a Natureza está se sacrificando. O sacrifício é uma lei da Vida. Os grandes heróis do passado sonhavam em morrer naturalmente, ou seja, morrer dando a sua Vida por uma causa Nobre. Hoje, não queremos nem viver assim, o que diríamos da ideia de morrer por alguma ideia, ou por alguém?

 

Talvez seja a hora de se inspirar na Nobreza das personagens desse conto. Parece uma ideia louca viver seguindo essas direções, não é? Mas, como nos disse um certo cavaleiro louco... Precisamos de um pouco de loucura, de vez em quando.

 

 

 

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