O Vinho na História

October 20, 2020

 

 

Uma garrafa de vinho hoje não é um simples produto, é um fenômeno histórico. Os vinhos, tais como conhecemos atualmente, são resultantes de um processo que vem sendo construído ao longo de séculos e séculos, através de diversas civilizações. Egípcios, Gregos, Persas, Macedônios, Otomanos, Romanos, Europeus e Americanos, todos esses povos, dentro do seu tempo, acrescentaram uma pedra na construção desse monumento que hoje é o vinho: uns inovaram na técnica de fermentação, outros descobriram um aspecto mais sofisticado na prensagem, outros descobriram técnicas de envelhecimento, outros desenvolveram técnicas de cultivo da uva e assim essa Obra de Arte foi sendo alçada ao longo de milênios. O que se tem hoje não é uma simples bebida, é uma síntese de um extenso processo cultural.

 

 

 

Ao longo da história das civilizações, o vinho esteve presente nos principais fatos históricos. As grandes religiões do planeta sacralizaram o vinho e as maiores guerras e revoluções da história foram regadas à base de muitas taças de vinho. A bebida esteve presente na ascensão e no declínio dos maiores Impérios da história, desde os faraós até os césares romanos; desde os monastérios medievais até os navegadores da expansão comercial marítima europeia; desde os revolucionários americanos, franceses e russos até os czares, o Führer na Alemanha e o Duce do fascismo. Da África do Sul à região do Cáucaso, com evidências arqueológicas que datam de oito mil anos, o vinho espalhou-se pela cultura Humana, pigmentando o complexo emaranhado de relações políticas, religiosas e amorosas.

 

 

Há 222 anos, Napoleão Bonaparte invadiu o Egito, levando consigo uma comitiva de artistas, cientistas e pesquisadores de diversas áreas, a fim de descobrir as raízes históricas daquela civilização e levar essa riqueza cultural para a Europa. Foi graças a essa intervenção que a modernidade descobriu como aquela civilização, tão avançada a nível de Símbolos e de linguagem Sagrada, interagia com o vinho. Os manuscritos pré-dinásticos encontrados nessa expedição traziam uma riqueza de detalhes quanto à forma como produziam o vinho naquela altura da história. As viderias eram protegidas da incidência direta dos raios solares; depois de colhidas, as uvas passavam por um ritual de prensagem com os pés, de forma bem delicada, provavelmente ao ritmo de alguma música, para que não houvesse excesso no amassamento. Após isso, eles esticavam um lençol de linho branco em uma moldura de madeira e extraíam o suco. Na sequência, o extrato passava por mais uma etapa de prensagem com pedras e finalmente o produto final era distribuído em recipientes adequados para uma longa armazenagem e só depois estaria pronto para servir. 

 

 

Essa técnica egípcia provavelmente chegou até os gregos, já que a forma como a Grécia clássica lidava com o vinho é muito semelhante à egípcia. Na Odisseia de Homero, bem como no Mito de Dioniso, o vinho aparece com esse grau de sofisticação, tão próprio da cultura dos povos do Nilo. Mas os gregos não apenas herdaram as técnicas egípcias, como também as aprimoraram. Uma originalidade dos gregos é a técnica de envelhecimento dos vinhos em recipientes forrados com resina de madeira, mas tarde isso será aprimorado para os barris de carvalho, que são utilizados até hoje.

 

 

 

Quando Alexandre, o Grande conquistou seu Império, difundiu a cultura helênica, e também as suas técnicas vínicas, por toda a Europa, e é dessa difusão que surge o vinho mais próximo do que temos hoje, pois muitas cidades passaram a transcrever as técnicas em livros. Mais a frente no tempo, no Século I a. C., na batalha de Cartago, quando Roma saqueou a atual Tunísia, seus soldados se depararam com muitos desses livros sobre vinhos. Foi a partir daí que o vinho começou a ser assimilado pela cultura romana. Dessa forma, Roma herda a técnica dos gregos, e a difunde em toda a extensão de seu Império ao longo do Mediterrâneo, alcançando a África e a Ásia. 

 

Com a queda de Roma e o subsequente mergulho da nossa civilização nas profundezas da Idade Média, o eixo de valorização e aprimoração do vinho é transferido para dentro da Igreja, já que naquela época o catolicismo centralizava o conhecimento da civilização ocidental.  O uso do vinho nas cerimônias eucarísticas manteve a produção a todo o vapor ao redor do mundo. No silêncio dos monastérios, com suas volumosas bibliotecas e monges com tempo de sobra, os estudos sobre a produção de vinho começaram a evoluir ainda mais. É nesse período que vai surgir a fama de várias regiões ligadas à produção de vinhos, como a região de Bordeaux, bem como a região da Borgonha, nas quais os mosteiros descobriram novos tipos de uvas e novas modalidades de vinho. É nesse período que o espumante é descoberto acidentalmente pelo Dom Pérignon.

 

O fim da Idade Média, o Renascimento e a subsequente expansão comercial marítima vão dar outro tom à produção de vinhos. É nesse período que a bebida vai ganhar contornos mais próximos de um produto mais popularizado, como é hoje. Com o crescimento da nova classe burguesa, as vinícolas se tornam uma espécie de indústria e o comércio de vinhos ganha um tom fortemente mercadológico e lucrativo. É nesse período que a América descobre o vinho, trazido pelos colonizadores. Inicialmente o México se torna um grande produtor, em razão de seu clima, chegando inclusive a ser visto como uma ameaça ao mercado europeu. Nesse contexto, o vinho chega ao nosso país pelos portugueses, como elemento Sagrado da cerimônia eucarística, mas também como bebida profana, que alegrava as tavernas e inspirava os poetas saudosistas da península ibérica.

 

 

 

Hoje, com a sofisticação da indústria e o avanço da propaganda, o vinho chega às nossas mãos como um produto envolto em rótulos espetaculares. Mas a história nos mostra que uma garrafa de vinho guarda um processo milenar de caminhada Humana através de muitas civilizações.

 

Quando você estiver diante de uma taça de vinho, tente vê-la como um Símbolo de unificação de todas essas civilizações, de toda essa história, pois a sua taça não conterá apenas uma simples bebida, mas sim uma forte dose de cultura Humana. Um brinde a isso!

 

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