O Iluminismo e seus Pensadores

October 15, 2020

 

 

A luz da razão tem por finalidade combater as trevas da ignorância. Essa frase poderia resumir o objetivo dos Iluministas. Em linhas gerais, o Iluminismo foi um movimento filosófico dos séculos XVII e XVIII e seu nome advém justamente da frase que inicia o texto: a luz combatendo as trevas, a razão sobrepujando a ignorância.

 

 

 

 

 

Herdeiros do Renascimento cultural, o Iluminismo floresceu na Europa contestando os modelos sociais, políticos e econômicos vigentes. Seus pensadores atuaram em praticamente todas as áreas do conhecimento, mas sobretudo, em grande maioria, nas ciências humanas. Não por acaso, o século XVIII é conhecido como “Século das Luzes”, contrapondo a Idade Média, a “Idade das Trevas”. Essa oposição vai surgir devido ao caráter do movimento Iluminista que, ao buscar racionalizar a Vida Humana, acabou substituindo a mentalidade medieval, enraizada na estrutura de pensamento dogmática e religiosa. O Homem, a Sociedade e a Natureza passaram a ser estudados, objetivados e compreendidos sob a ótica racional. Deixou-se de lado o velho mantra de que “as coisas do mundo são da vontade de Deus” e começou a verificar-se como a Natureza opera. Os reis absolutistas, que também eram legitimados em suas posições pela Igreja, passaram a ser questionados e, aos poucos, novas formas de governo foram surgindo como uma saída do Antigo Regime.

 

Os iluministas tinham três características principais, as quais foram expressas a partir dos seus pensadores: o universalismo; a individualidade e a autonomia. O universalismo correspondia a percepção de que a capacidade de compreender a Verdade habitava em todo Ser Humano, ou seja, qualquer um poderia utilizar-se da razão e pensar sobre sua realidade. A individualidade passa, então, a ser uma característica importante dentro da lógica iluminista, pois o indivíduo passa a ser completo, não apenas um “servo” ou “rei”, ou seja, não seriam apenas títulos e posições sociais que o definiriam por si só. Uma vez que são indivíduos, estão aptos a pensarem por si mesmos, não dependendo de intermediários ou religiões para que os conduzam, assim cada Ser Humano torna-se um ser  autônomo. Há, nessas breves linhas, um resumo do pensamento geral do Iluminismo, mas só poderemos entender seu impacto ao compreendermos o que estes Homens, que foram os principais pensadores de sua época, declararam e teorizaram. Por isso, vejamos:

 

John Locke (1632 - 1704)

 

 

 

 

John Locke é conhecido como o “pai do liberalismo político”. Ele nasceu em Wrington, Inglaterra, e sua principal tese estava baseado na relação entre a distribuição do poder no governo. Para Locke, os poderes do governante deveriam ser limitados e, quando não atendessem às exigências do cargo, poderiam ser retirados, uma vez que o Estado era, objetivamente, um acordo entre governantes e governados. Um pensamento revolucionário e, em certa medida, suicida no século XVII, em pleno regime absolutista. John Locke também acreditava que dentro da estrutura política, o legislativo (o parlamento, no caso inglês) deveria ter mais poder do que o executivo, representado pelo Rei. 

 

Voltaire (1694 - 1778)

 

 

 

Assim como Locke, François-Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire, também defendia que o governo deveria ter poderes limitados. Por seu caráter revolucionário Voltaire foi preso algumas vezes e chegou a exilar-se na Inglaterra. Lá entrou em contato com as ideias de John Locke, com quem concordou em diversos pontos. Apesar de buscar fortes modificações na sociedade, Voltaire defendia que o povo, de maneira geral, não teria condições de governar sozinho. Portanto, o pensador francês acreditava muito mais em uma monarquia esclarecida, que mais tarde chamaria-se de despotismo esclarecido, do que em uma democracia ampla e irrestrita. A negação do povo nas decisões se devia pela falta de instrução das pessoas, que, em sua maioria, eram analfabetas e incapazes de compreender a complexidade do sistema político. 

 

Montesquieu (1689 - 1755)

 

 

Montesquieu foi o primeiro a pensar na divisão do Estado em três poderes: legislativo, executivo e judiciário. Em seu livro “A Essência das Leis”, um clássico na área humanística, ele desenvolve sua tese de equilíbrio no poder, contrariando a visão absolutista do Antigo Regime. Apesar de teorizar sobre essas questões, Montesquieu não acreditava em modelos perfeitos e acabados, tendo cada país que adaptar suas ideias em seus contextos. Cada país teria, assim, uma necessidade diferente e, consequentemente, um modelo de governo diferente. Mas por que dividir o poder em três? Montesquieu acreditava que o homem, uma vez dotado de poder, sempre tenderia a usá-lo de maneira abusiva. Portanto, com três forças se relacionando, a chance do país se tornar uma tirania seria diminuída.

 

Jean-Jacques Rousseau (1712 - 1778)

 

 

Enquanto a maioria dos filósofos iluministas buscavam perceber a sociedade a partir de um modelo que melhorasse a condição Humana, Rousseau defendia que a Bondade Humana era corrompida pela civilização. Sua teoria dizia que o “Bom Selvagem”, o homem em seu Estado Natural, sucumbiria aos prazeres e desejos a partir do contrato social, que ocorre na medida em que a propriedade torna-se privada. Desse modo, Rousseau acreditava que a igualdade era um valor fundamental à condição Humana e via na propriedade privada o início da decadência dos homens, uma vez que os tornava desiguais. Portanto, o sociedade deveria refletir, de forma ampla e irrestrita, a vontade da maioria, uma vez que o justo seria o melhor para a maior parte. 

 

Immanuel Kant (1724 - 1804)

 

 

 

Kant buscou, através da razão, transcender o aspecto temporal e material, tentando encontrar as bases de uma ética que se igualasse a uma lei geral, uma lei que fosse válida para todo Ser Humano. O que ele chamava de imperativos são como um “termômetro moral” para saber quando estamos agindo alinhados com nossos desejos ou com nosso dever. No campo político, Kant acreditava na soberania do povo frente ao governo, porém dizia que a participação direta da população nas decisões do Estado poderia ser nociva à Harmonia deste, uma vez que a motivação destas pessoas basearia-se não na razão, mas nos desejos e instintos.

 

Há ainda outros muitos pensadores iluministas. Poderíamos passar dezenas de parágrafos para dissecar suas teorias, principais ideias e aplicações cotidianas. Entretanto, se tivermos lido com atenção as linhas acima, perceberemos semelhanças entre as ideias abordadas por cada pensador. Entre elas, o principal destaque é a limitação do poder do governante e a divisão dos poderes. Esse pensamento vai resultar, no final do século XVIII e XIX, na Revolução Francesa e nas Revoluções Liberais. Os ideais iluministas, de fato, passaram a iluminar as ações dos Homens, mas a batalha contra a ignorância e o fanatismo ainda estaria longe de terminar.

 

 

 

Devemos ressaltar também que o Iluminismo foi responsável pelo cientificismo, ou seja, um avanço do pensamento científico, até o ponto de torná-lo verdade única e absoluta. O cientificismo cai no extremo de fechar-se em si mesmo: a ciência explica tudo, e o que não pode ser explicado ou provado, não existe. Aqui percebemos que a velha frase que diz “os extremos se tocam” faz-se verdade, uma vez que essa rigidez foi contemplada pelo pensamento religioso da Idade Média, que pregava algo semelhante, mas com outros termos: Deus a tudo vê, escuta e sabe, logo, não obedecer aos dogmas da Igreja tornava-o um herege, um pecador. 

 

Não podemos negar, obviamente, os avanços científicos e o valor da ciência no mundo. A ciência não é um mal, é claro que não, mas a religião também não é ruim ou inútil. Ambas, como frutos do tempo, estão sujeitas a alterações, dogmatismos e relativizações. Assim como a religião fanática decai e acaba por causar absurdos “em nome de Deus”, a ciência também viveu, em pleno século XIX, momentos de pura ignorância. Assim podemos classificar o Eugenismo e o Darwinismo Social, teorias supostamente desenvolvidas sob a “luz da razão” advindas do Iluminismo. Esta primeira teoria, em resumo, afirmava que algumas raças são superiores, por isso devemos fazer uma “limpeza” étnica na sociedade. A segunda, indo na mesma linha, dizia que a extinção dos Seres Humanos menos capacitados deveria ser encarada com normalidade, pois essa é a lei natural: os mais fortes sobrevivem e os mais fracos enfraquecem a espécie. Portanto, devemos perceber que qualquer tipo de extremismo, seja para o pensamento científico ou para o pensamento religioso, é perigoso. Não há apenas um caminho para se viver corretamente e dar sentido às nossas Vidas, ciência e religião podem coexistir em Harmonia, desde que os homens aprendam a fazer isso também.

 

O potencial do Iluminismo foi mostrar ao Ser Humano a capacidade de usar a razão e repensar sua Vida. Porém, de nada adianta uma mente afiada e lógica se não há nela Virtudes. Seriamos máquinas se só utilizassemos a razão e, certamente, não somos. A razão nos ilumina, nos afasta, de fato, das sombras. Agora resta-nos caminhar em direção à fonte da luz e percebermos, nesse momento, que é de um único ponto que toda a Luz irradia, que o Bem que Une todas as coisas é, em si, uma Lei da Natureza.

 

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