Nicholas Winton

October 8, 2020

 

Você já deve ter lido aqui em nosso Portal histórias dos grandes heróis gregos e romanos. O heroísmo de homens como Teseu, Hércules, Agamenon, Ulisses e até mesmo o grande Cincinato (cuja história você pode ler aqui) é resultado de um Ideal de mundo que colocava a Honra e o sacrifício entre as mais valiosas conquistas dos Seres Humanos. Todos eles buscavam a mesma coisa: Glória. Seus sonhos eram ter seus nomes cantados pelos grandes poetas de suas nações. A fama por grandes feitos era a honraria com que todo jovem daquelas civilizações ansiava. Assim, muitos procuravam as posições mais arriscadas e os trabalhos mais difíceis. Essa é seguramente uma das imagens mais comuns que temos sobre os heróis.

 

Nicholas Winton herdou daqueles heróis clássicos a Coragem de fazer o necessário, ainda que isso incluísse um grande esforço pessoal e riscos à própria segurança. Ele carregou em seu coração a Generosidade para servir aos mais necessitados e o Amor de quem mantêm-se fiel ao seu lado Humano. Mas, infelizmente a mesma sociedade que teve a Honra de gerar este herói, hoje em dia não segue o seu exemplo de Dignidade. Hoje, vivemos uma cultura de exposição excessiva, em que “pedir biscoito” é uma expressão comum e se refere a quem sofre de uma fome insaciável por atenção e reconhecimento. Provavelmente a expressão faz referência aos cães adestrados, pois assim como eles, para conseguir o “biscoito”, as pessoas mostram que estão se comportando bem, que são politicamente corretas e que colaboram muito com as causas da moda. 

 

Nós queremos fama. Os likes, as visualizações e os comentários são as novas drogas da nossa era, e estamos dispostos a pagar cada vez mais caro por elas. Muitos vendem inclusive suas Dignidades desde que recebam pelo menos alguns segundos de atenção em troca. Por isso, um herói que guarda segredo de seus feitos por cinquenta anos, gera em nós estranhamento e encantamento.

 

 

Então vamos parar de perder tempo e falar sobre este exemplo de Ser Humano. Winton nasceu em Londres, em 1909. Seus pais eram judeus alemãs emigrados. No fim de 1939, a convite de um amigo, foi passar as festas de fim de ano fora da Inglaterra. Foi para Praga na antiga Checoslováquia. O clima de terror que encontrou lá, devido às tensões criadas pelos nazistas, que já ameaçavam explodir uma guerra, o tocou profundamente. Então, por conta própria, começou a escrever para vários países pedindo asilo para crianças de famílias perseguidas. Inglaterra e Suécia abriram suas fronteiras para acolher as crianças refugiadas. Ele organizou uma operação de resgate para salvar a vida de 669 crianças do holocausto nazista na antiga Tchecoslováquia. Essa é uma operação que serve como modelo de Coragem e Amor para qualquer tempo. De um lado, famílias de várias nações europeias, com Coragem e Amor suficientes para receberem os filhos daqueles que eram perseguidos por sua filiação religiosa; Do outro, pais e mães com Coragem e Amor bastante para engolirem suas lágrimas e seus soluços, pela chance de dar uma oportunidade de futuro aos seus pequenos. Entre eles, um grupo de pessoas, lideradas por nosso herói, com Coragem e Amor para rejeitarem a cômoda e segura opção de seguirem suas vidas e não fazerem nada.

 

Mas Nicholas é um herói diferente daqueles cantados por Homero. Diferente do caso do grande Aquiles, esse ato de heroísmo não foi feito em nome da glória. Ele não buscava memoriais, filmes ou condecorações, por isso este fato permaneceu nas sombras da história por muito tempo. Seu objetivo era muito claro: salvar o máximo possível de crianças antes da chegada dos nazistas. Após concluída a missão, ele não viu mais sentido em contar para ninguém sobre o que havia feito. E esse ponto do seu caráter torna Winton ainda maior do que seus pares míticos.

 

Quem dera pudéssemos todos fazer o Bem, apenas porque é necessário e porque podemos. Um ato genuíno de Amor entra na Eternidade e continua gerando frutos enquanto houver Vida nesta Terra. Hoje, os “filhos de Winton” (descendentes das crianças judias) já são mais de seis mil pessoas. São engenheiros, cineastas, pais, mães... E o Amor que essas pessoas espalharão, exponencialmente, será em algum grau resultado do Amor que salvou as Vidas de seus pais em 1939. Isso é uma prova real de que nossos atos têm impactos por toda a Eternidade. 

 

Pensando neste exemplo, não deveríamos, então, escolher melhor o que fazemos, ou deixamos de fazer? De que forma você quer impactar a Vida? Cada pensamento que passa por nossas cabeças, cada sentimento que impacta nossas psiques, cada palavra que nossas bocas profere, cada ato que realizamos deixará uma marca em alguém, ou em algo. Essa marca será a prova de que passamos por aqui. Há quem se esforce para deixar poucas marcas e impactar o mínimo possível a Natureza. Há ainda aqueles que estão inconscientes das pegadas que deixam por onde passam, e nem se preocupam com o rastro de destruição que deixam. Essa inconsciência termina gerando frutos danosos para eles mesmos e para os outros. E há ainda os que, ao entenderem que não há imparcialidade na Vida, escolhem por Vontade deixar as melhores marcas que puderem. São esses os que mudam o mundo.

 

 

Após tratar pessoalmente da operação de resgate, com a chegada da Guerra ele pediu o registro como objetor de consciência (aquele que se nega a participar do conflito por questões de consciência) e serviu na Cruz Vermelha. Com o aumento das tensões, abdicou da condição de objetor em 1940 e passou a servir na força aérea britânica, atuando primeiramente na área administrativa e depois como piloto. Como podemos ver, ele continuou fazendo o que era necessário e nunca lhe faltou Coragem.

 

Depois de tantos anos de consciência tranquila, sua mulher encontrou num velho baú guardado no sótão de sua casa, no interior da Inglaterra, documentos que contavam essa impressionante história. Só então, ela ficou sabendo que era casada com um dos maiores heróis dos últimos séculos. Hoje ele recebeu diferentes condecorações: é Grã-Cruz da Ordem do Leão Branco, Knight Bachelor, Cidadão honorário de Praga, Membro da Ordem do Império Britânico, da Ordem do Leão Branco e da Ordem de Tomáš Garrigue Masaryk. Possui um memorial em seu nome em vários países. Sua história ganhou o mundo em 1988 através de um antigo programa da BBC, o That’s life. A cena é comovente. Dezenas de sobreviventes sentaram ao seu lado na plateia. Em determinado momento a apresentadora pede para que aqueles que foram salvos por Winton se levantem. A ternura toma conta do auditório. Veja no vídeo abaixo:

 

 

Sir Nicholas Winton morreu em 2015, aos 106 anos. Porém, morrer não parece um verbo conjugável para esse homem, pois ele continua vivendo entre nós, através de seus atos de heroísmo. Todos já passamos, e passaremos novamente, por momentos em que teremos que fazer uma escolha sobre qual legado queremos deixar para o mundo. Que o exemplo desse britânico nos inspire a fazermos as melhores escolhas, ou seja, aquelas que são movidas pelo Amor e pela Coragem.

 

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