A Forte Cultura e o Orgulho na História de Recife

September 8, 2020

 

 

Somos Homens do passado. Essa pode parecer uma afirmação absurda ou até dogmática, mas ainda assim carrega uma Verdade. Nosso passado moldou, em grande parte, o que somos. A nível individual, é comum percebermos que nossos traumas e experiências dos anos anteriores forjaram nossa Identidade e crenças atuais. Essa Identidade, que é a resposta para a pergunta “Quem sou eu?”, também pode ser percebida em um nível mais amplo, como numa cidade, região ou país. Essa força da cultura regional está presente no nosso cotidiano, em maior ou menor grau, a depender do lugar. Hoje falaremos de uma dessas cidades que carrega uma forte Identidade regional, que é Recife. 

 

 Recife, capital do Estado de Pernambuco, nasceu em 1537 como um vilarejo à sombra de Olinda, mas com o passar dos séculos, a cidade de Recife passou a ter mais notoriedade. Um fato importante dentro desse breve histórico é a invasão holandesa, que fez de Recife a capital do Brasil Holandês por 24 anos. Esse período marca um primeiro impulso de modernização e construção dessa Identidade local. Ao caminhar pelo centro histórico de Recife, ainda é possível enxergar as marcas do desenvolvimento feito pelo governador holandês da época, Maurício de Nassau, na arquitetura e urbanização da cidade. É também nesse período que a produção de açúcar na capitania de Pernambuco vai chegar ao seu auge, sendo considerada a capital mais produtiva da colônia. 

 

Entretanto, um ponto ainda mais relevante na história dessa construção da Identidade de Recife está no século XIX. Berço de diversas revoltas e tentativas de revolução, Recife é um ponto de convergência de intelectuais e idealistas que desejavam mudanças na política, seja enquanto colônia e, após a independência, enquanto império. Por causa deste ímpeto, ainda hoje é comum, ao visitar Recife, ouvirmos falar que a primeira experiência republicana no Brasil ocorreu lá, em 1817, após a revolução pernambucana. Essa característica de mostrar-se sempre como “o primeiro” ou “o melhor” vai permear muitos elementos da cultura pernambucana como um todo.

 

Ainda no século XIX, a modernização da cidade do Recife vai ocorrer bem antes das outras capitais do Nordeste. Enquanto, por exemplo, em Natal a renovação urbana só foi ocorrer por volta dos anos 1920, na capital pernambucana esse novo modelo de cidade já surge após 1850 e continua a expandir até o início do século XX. Mais uma vez, Recife sai “na frente”. Com essa modernização, a cidade se torna palco de um ambiente que busca o progresso, apesar de ainda ter os pés no passado colonial e na utilização da mão de obra escrava. Mesmo assim, essa ideia de avanços, tanto a nível material como intelectual, cria na cultura pernambucana uma percepção de que Pernambuco sempre está à frente das mudanças que ocorrem no Brasil. Desse modo, para entendermos o Orgulho e a Identidade do povo pernambucano, é preciso compreendermos o modo de Vida e os avanços ocorridos em Recife ao longo do século XIX.

 

Certa vez o recifense Gilberto Freyre, que para alguns é o maior intelectual da história do Brasil,  ao comentar sobre a cidade de Recife, comparou sua cultura à Atenas clássica, considerando as duas como berços da Civilização Ocidental. O que para alguns pode ser considerada uma comparação sem fundamento, para o intelectual pernambucano passou a ser comum. Esses aspectos, com o tempo, foram enraizados na mentalidade do povo pernambucano e especialmente em Recife, criando uma Identidade regional que, além de responder a pergunta essencial do “quem sou?”, causa um segundo efeito, que é o “eu tenho orgulho de ser daqui”. Quem já foi a Recife ou conviveu com pessoas de lá sabe bem do que estamos falando. O Orgulho de ser pernambucano é extremamente comum ao se andar e conversar com quem é de lá. 

 

 

 

Como dito no começo desse texto, somos Homens do passado. Recife é um ótimo exemplo de como a nossa história fundamenta o que somos hoje, desde nossa cultura até a forma de enxergarmos a nós mesmos e os outros. A moderna e pioneira Recife do século XIX, então, permanece viva no Orgulho e Estima do seu povo.

 

A Forte cultura e o bom humor do povo pernambucano deveria ser uma inspiração para que todos nós também aprendêssemos a valorizar aquilo que temos de Bom.

 

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