Kintsugi - A Beleza de Uma Cicatriz

September 1, 2020

 

A Arte do Kintsugi, que se tornou uma grande filosofia de Vida, consiste basicamente numa técnica de reparo de cerâmicas quebradas. Conhecido como “carpintaria de ouro”, surgiu no Japão feudal com  Ashikaga Yoshimasa, que enviou uma tigela de chá chinesa danificada de volta à China para reparos. Quando a tigela retorna, os reparos eram mal feitos e grosseiros. Ainda insatisfeito, Ashikaga leva a cerâmica para artesãos japoneses, que aplicam a técnica de preencher as ranhuras com resina e ouro em pó, dando o aspecto final de fios de ouro pela peça.

 

Segundo a tradição, diz-se que os artesãos usaram essa técnica porque não tiveram coragem de se desfazer da peça original, e encontraram um modo de valorizá-la ainda mais. A partir daí, surge toda a filosofia dessa técnica japonesa. Exatamente o ponto onde a cerâmica quebrou, seu “ponto fraco”, por assim dizer, foi onde eles enriqueceram-na, colocando o ouro. O que era fraqueza e defeito, tornou-se o mais Belo, o ponto de destaque da peça.

 

 

Essa mesma ideia deveria ser vivida por nós, sobre nós mesmos. Kintsugi nos ensina a reconhecer a Beleza das nossas cicatrizes. Nossos erros, nossas falhas, nossas quedas, podem nos tornar mais fortes, podem nos enobrecer, nos enriquecer de Valores Humanos. Normalmente, queremos esconder nossas marcas, não queremos que ninguém saiba o que passamos. Mas por quê? Se foi graças a esta marca que nos tornamos quem somos hoje!

 

Os guerreiros espartanos, e várias culturas guerreiras, tinham o hábito de valorizar suas cicatrizes. Quanto maiores elas eram, mais se sabia sobre o tipo de guerreiro que estava ali. Ao falar de suas cicatrizes, resgatavam a memória de como elas foram adquiridas, da dor que sentiram no momento, mas surgia também o ânimo e o impulso de sair em novos combates. Por isso as famosas cicatrizes de guerra que são mostradas com tanto orgulho. 

 

 

A tradição também comenta que dependendo do Kintsugi, às vezes são necessários dias, até mesmo meses, para que a resina cole completamente a peça. E o mesmo acontece com nossas feridas. Após elas gerarem a dor, é preciso de um tempo para que se fechem. O tempo ajuda no processo de superação. A grande filosofia dos japoneses foi justamente essa, e com isso, podemos ver que algo tão simples pode se tornar uma reflexão sobre nós mesmos. Temos poucas ou muitas “linhas de ouro” em nossa Alma? Tudo o que foi quebrado foi consertado? Ou ainda temos fragmentos soltos dentro de nós mesmos?

 

E por mais Bela que seja esta filosofia, hoje já se perdeu muito dela. Existem diversos tutoriais na internet ensinando a como fazer seu Kintsugi em casa. Você escolhe uma peça que goste, quebra de propósito e depois faz a aplicação. Mas dessa forma, se perde todo seu significado, não é mesmo? Fica uma prática superficial, voltada só para decoração, e não mais uma forma de reparo e cuidado com a peça, nem respeito à tradição. 

 

 

Assim como as cicatrizes da pele são formadas após a resposta do corpo a uma reação inflamatória, as cicatrizes de nossos pensamentos e emoções foram formadas em resposta a uma ferida interna que tivemos. Elas são resultado de muito aprendizado, muito movimento e da busca pelo equilíbrio. Que possamos olhar sempre para elas e reconhecer sua Beleza e seu Valor, assim como reconhecemos o valor do ouro nas tênues linhas da cerâmica.

 

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