As Leis da Vida na Mitologia Celta

September 1, 2020

 

 

A palavra “Celta” não é tão comum no nosso cotidiano. A não ser quando nos referimos a automóveis, é possível que raras vezes tenhamos escutado sobre os Celtas e o seu papel na história. Sendo um dos povos da Europa Antiga, os Celtas espalharam-se pelo velho continente: sua cultura esteve presente desde a grã-bretanha até a Alemanha e regiões da Ásia Menor. Devido a essa diversidade de regiões em que os Celtas habitaram, não existe apenas uma cultura única com elementos que a definam, isso porque em cada região se valorizou um aspecto dessa vasta e pouco explorada civilização. Apesar disso, há elementos similares entre elas, em maior e menor grau.  

 

 

Entretanto, talvez seja na região da Grã-bretanha e Irlanda que tenhamos os maiores exemplos da cultura Celta. Isso porque elas foram representadas de maneira mais intensa por jogos, filmes e praticantes da religião Celta. Uma das principais figuras dos Celtas são os Druidas. Eles eram sábios que ensinavam o povo sobre a Vida, as Leis Naturais, a medicina, a história e a religião. Cumpriam um papel de conselheiros e professores, responsáveis por guardar a memória e difundir sua filosofia por gerações. Os Druidas usavam como símbolo o “triskelion”, que são três esferas interligadas que representam o Divino, o símbolo também traz a ideia de movimento, por isso é uma representação da evolução.

 

Além de todas essas funções, eram os Druidas que contavam os mitos à população. Assim, na Mitologia Celta os Deuses morrem, sentem dores e se aproximam dos Humanos pois demonstram ter emoções e reações que o Ser Humano comumente tem. O panteão Celta é composto por diversos Deuses, mas, assim como em outras civilizações, segue uma relação com as forças e aspectos da Natureza. É possível entender isso quando percebemos que as cerimônias e festivais do calendário Celta ocorriam em bosques e espaços abertos. Apenas quando os romanos dominaram e misturaram-se com os Celtas é que a construção de templos tornou-se comum na cultura Celta.

 

 

Quanto aos Deuses, podemos destacar alguns: Badb, a Deusa da guerra. Ela regeria a morte, a Sabedoria e a Transformação. Também temos Áine, a Deusa do Amor, da fertilidade e do verão. Ela comanda a terra e o sol, sendo uma Deusa solar, uma das principais do panteão. Outra divindade interessante é Dagda, o Deus da magia, da poesia e da música. Era conhecido por saber todos os ofícios e ser bom em tudo que fazia. 

 

Poderíamos passar muitas páginas falando sobre o rico panteão Celta, mas se observarmos apenas esses três Deuses poderemos compreender algumas características importantes da sua mitologia. Primeiramente, percebe-se que na mitologia Celta a divindade solar é feminina. Quando observamos o panteão de algumas civilizações, percebemos que o “comum” era que o aspecto masculino estivesse ligado ao sol, enquanto o aspecto feminino estivesse relacionado com a lua. Na cultura grega, por exemplo, o Deus principal é Zeus, e até mesmo os Deuses solares (Apolo e Hélios) também são masculinos, enquanto que as deidades lunares (Ártemis e Selene) são femininas. Percebe-se então uma diferença interessante quanto ao gênero destes. Talvez por esse aspecto de valorização do papel feminino é que vários grupos neopagãos busquem elementos da mitologia Celta para se representarem. 

 

 

Quanto ao aspecto dos Deuses, há similaridades de significado quanto a seus símbolos. Badb, por exemplo, sendo um Deus ligado à guerra e à morte, aspectos negativos num primeiro momento, também é o Deus da Sabedoria e da Transformação. É interessante pois em várias mitologias a morte está ligada à transformação e isso também está ligado a Sabedoria. Na mitologia grega, o aspecto da guerra se liga ao da Sabedoria na figura da Deusa Atena, representante da guerra sábia. Talvez essas divindades representem uma guerra interior, e não apenas a guerra externa. Já que também carregam o sentido de transformação, estes símbolos talvez queiram nos ensinar que, para que algo velho dê lugar ao novo dentro de nós, é necessário travar uma guerra. Para desenvolvermos a Disciplina, precisamos lutar contra a preguiça. Para conquistar a paciência, a ansiedade precisa ser vencida. Em outras palavras, podemos dizer que para alcançar a Sabedoria, a síntese de todas as Virtudes, precisamos travar uma guerra contra a ignorância, contra os vícios e os defeitos que existem dentro de nós.

 

 

Se observarmos, os mitos não são apenas histórias para explicar a cultura de um povo, mas são chaves que buscam entender o Ser Humano e como funciona a nossa evolução. Não a toa, como já citado, o símbolo dos sábios Celtas, os Druidas, representava o movimento e a evolução: para evoluir precisa-se de ação, de movimento. Nada evolui de forma estática. Ao observarem a Natureza eles chegaram a essa percepção Universal. Que possamos aprender então a nos movimentar e a ler na Vida essa Sabedoria que inspirou por séculos e, até os dias atuais, mantém-se viva através de releituras e do surgimento de novos grupos.

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

DIFICULDADE COM AS LEGENDAS?

Caso você não saiba ativar as legendas nos vídeos do youtube, clique aqui para acessar o tutorial.

  • Facebook Social Icon
  • Instagram Social Icon
  • YouTube Social  Icon
Procurar por Tags
Histórico de publicações
Please reload

Please reload

Siga essa Idéia

I'm busy working on my blog posts. Watch this space!

Please reload

Você também vai gostar
Please reload

© 2017 por "Equipe Feedobem". Orgulhosamente criado pela Feedobem

    Gostou do nosso portal? Nos ajude a elaborar artigos e

conteúdos cada vez melhores para vocês. ;-)