A Beleza e a Ternura da Mitologia Maori



Toda vez que a temida seleção de Rugby da Nova Zelândia entra em campo, antes de começar a jogar, eles fazem uma dança chamada “Haka”: colocam as mãos contra as coxas, estufam o peito, dobram os joelhos, batem os pés o mais forte que podem e o líder grita “é a morte, é a morte! ”, e em seguida o time grita: “é a vida” e terminam dizendo “o Sol brilha! ”. Essa cerimônia tem origem na Mitologia Maori, proveniente da cultura nativa da Nova Zelândia.




De acordo com Tīmoti Kāretu, acadêmico especialista na cultura Maori, o Haka foi "erroneamente definido por gerações de desinformados como 'danças de guerra'", na verdade, o Haka é uma forma de celebrar a Vida.


Quando os britânicos chegaram pela primeira vez às belíssimas ilhas neozelandesas, se depararam com o povo Maori. Uma cultura muito rica em símbolos, mitos, cerimônias e formas religiosas. O jeito como essa tradição explica a origem do mundo envolve muita ternura e muito Amor.


Eles costumavam contar aos seus filhos que no começo do mundo existiam dois Deuses, o Deus Rangi, ou pai céu e a Deusa Papa, mãe terra. Ambos se amavam muito e viviam eternamente abraçados. Seus filhos viviam dentro do seu abraço, aquecidos e protegidos. Até que um deles, o Tane (Deus da floresta) resolveu afastá-los para que entrasse luz para seus irmãos, e com os pés no ventre de Papa, empurra com muita força o peito de Rangi. Assim, o céu vai se afastando da terra e todos os filhos do casal, as pedras, as plantas e os animais, começam a ser iluminados pela luz do Sol, e se libertam. Triste com a separação, Rangi chora copiosamente e suas lágrimas caem sobre Papa dando origem aos oceanos.




Esse Mito conta a história da criação do mundo de uma forma muito Humana. Abraçar, acolher, afastar e chorar são aspectos profundamente Humanos. Falar da origem de tudo usando essas figuras é um jeito Inteligente de conectar aspectos sutis da nossa alma à causa inicial de Tudo. Para a Mitologia Maori, tudo está integrado, desde a vastidão dos oceanos até as lágrimas que correm em nossos olhos, as florestas, as nossas afetividades, a história do mundo e nossa história pessoal. Cada pequeno aspecto da nossa existência contém todo o Mistério do mundo. Este é justamente o sentido profundo da idéia de religião, é ver todas as coisas a partir da ideia de Unidade.




Para a tradição Maori, nada está separado, tudo se Unifica de algum modo, toda a multiplicidade do mundo une-se por um fio Misterioso. Não se chega a esta percepção por vias meramente intelectuais, é preciso despertar a consciência para uma realidade mais profunda, que só pode ser acessada através de um tipo de Intuição. E isso se faz a partir de símbolos e cerimônias. Esse saber é mais do que apenas mental é um saber profundo que sentimos dentro de nós. Só uma cultura muito comprometida com essa natureza transcendente consegue construir uma narrativa para a criação do mundo semelhante a esta do povo Maori.

Somos hoje uma civilização muito intelectual, muito comprometida com a informação e com a técnica, falta-nos a Ternura, a Mística e, por conseguinte, a Profundidade frente ao Mistério que a cultura Maori nos apresenta. Então, que aprendamos com eles.

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