A Profundidade do Filme As aventuras de Pi

August 25, 2020

 

 

Alguém já lhe disse que seu maior inimigo é você mesmo? Sabia que todas as batalhas que enfrentamos na Vida são travadas, sobretudo, contra aspectos de nós mesmos? Mas perceber isso é muito difícil, pois se trata de uma Verdade muito sutil. O escritor espanhol Yann Martel encontrou um jeito de tornar essa Verdade bem clara a partir de um romance, que depois foi adaptado para o cinema, com o título “As Aventuras de Pi”.

 

 

Além de premiadíssimo, o filme indicado onze vezes para o Oscar e vencedor dos prêmios de melhor diretor, melhor trilha sonora, melhor fotografia e melhores efeitos visuais, traz uma reflexão profunda sobre a Vida, a sobrevivência, a Fé, o ceticismo e a realidade. 

 

Tudo começa quando o pai do jovem indiano Pi, que era dono de um zoológico na Índia, resolve tentar a vida no Canadá, levando consigo toda a família e todos os animais em um navio cargueiro. No entanto, quando estão em alto mar sofrem um violento naufrágio e todos morrem, exceto Pi que se agarra em um pequeno bote salva-vidas, junto a uma zebra e um orangotango. 

 

Em dado momento, uma hiena que se debatia para não se afogar no mar, consegue invadir o bote e mata a zebra e o orangotango. Mas Pi consegue escapar, pois um tigre que estava no fundo do barco ataca a hiena furiosamente, e a mata. Por fim, só ficam no pequeno bote, Pi e o grande tigre, chamado de Richard Parker.

 

 

Tudo estava dando muito errado para Pi. De um momento para o outro, perde toda a família, o zoológico, os alimentos, tudo foi engolido pelo mar. E agora, sozinho, sem comida, sem água, em alto mar, perdido, com pouquíssimas chances de sobrevivência, a única coisa que o mantinha a salvo era o bote, mas ainda precisava disputá-lo com um animal selvagem, agressivo e perigoso que era o tigre de bengala. O que você faria se estivesse no lugar de Pi?

 

Já percebeu que na nossa Vida, às vezes, as coisas começam a dar muito errado, e parece que as únicas chances que temos estão comprometidas? Nesses momentos, temos duas opções: ou gastamos toda a nossa energia rejeitando as condições que estão postas; ou acolhemos e direcionamos as energias para administrá-las. Pi optou pela segunda alternativa, e foi por causa disso que ele, apesar de tudo, consegue sobreviver. Cada movimento de Pi, cada gesto, cada segundo é dedicado à sobrevivência. Ele tem que desenvolver técnicas para poder lidar com o tigre, pois sua Vida dependia disso. Tem que aprender a providenciar algum tipo de alimento, do contrário morreria de fome. Tem que aprender a controlar o medo, a ansiedade e o desespero. Para isso, precisa usar a mente, o raciocínio, mas também precisa da Intuição, dos Sentimentos, da Fé e da Religião.

 

 

Esse momento na Vida de Pi é um recorte da nossa própria Vida. Esse mar assustador, pronto para nos devorar é o plano da existência no qual estamos mergulhados. Viver é, em certa medida, navegar em alto mar. O tigre com o qual deve lidar o tempo todo representa uma parte de nós mesmos, a mais selvagem, que está pronta para nos devorar através dos nossos instintos, da preguiça, da inércia, das fantasias, das perversões, dos ciúmes, dos ataques de ira, do ódio e dos vícios de toda forma. Assim como Pi não podia abrir mão de estar alerta o tempo todo, de estar presente, nesta Vida nós também não podemos abrir mão disso, sob pena de sermos devorados. Pi, o personagem central desta história, assim como os heróis dos antigos mitos, é uma grande alegoria de nós mesmos.

 

Às vezes precisamos ser racionais e calculistas, mas em alguns aspectos da Vida, essa frieza e esse ceticismo não são suficientes para nos dar respostas, e aí precisamos ter Fé, Devoção, Intuição e Espiritualidade. Isso também aparece no filme, já que o pai de Pi era muito cético e a mãe muito religiosa. Com isso, em alguns momentos na sua experiência em controlar Richard Parker, o ceticismo do pai o ajudou muito. Mas em meio ao mar, sozinho e sem perspectiva sobre seu futuro, somente o ceticismo não seria capaz de manter Pi vivo, ele precisava também da Inspiração e da Religiosidade da mãe. Na altura em que nos encontramos na história da Humanidade, precisamos encontrar uma forma de unir as pontas da ciência e das religiões. Quando tomamos consciência do perigo em que nossa sociedade está mergulhada, não conseguimos mais ver sentido em antagonizar esses dois aspectos, precisamos juntá-los pelo Bem do Ser Humano. Precisamos da matéria, como precisamos do Espírito. Também não podemos ter o luxo de antagonizar as formas religiosas. No auge do filme, percebe-se que Pi reúne elementos das maiores religiões do mundo, do Islamismo, do Hinduísmo e do Cristianismo, porque nessas horas o que se busca é a síntese, a Unidade de Tudo, e não a disputa entre as partes. 

 

 

Trata-se de um filme profundo, inspirador e muito necessário, pois fala da Vida, da sobrevivência, da condição Humana e dos diversos aspectos interiores que existem dentro de nós. No atual momento, todos precisamos despertar consciência de que é fundamentalmente necessário desenvolvermos o Autodomínio, a Inteligência e a Fé, elementos sem os quais seremos devorados por este “tigre” que nos ronda dia e noite.




 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

DIFICULDADE COM AS LEGENDAS?

Caso você não saiba ativar as legendas nos vídeos do youtube, clique aqui para acessar o tutorial.

  • Facebook Social Icon
  • Instagram Social Icon
  • YouTube Social  Icon
Procurar por Tags
Histórico de publicações
Please reload

Please reload

Siga essa Idéia

I'm busy working on my blog posts. Watch this space!

Please reload

Você também vai gostar
Please reload

© 2017 por "Equipe Feedobem". Orgulhosamente criado pela Feedobem

    Gostou do nosso portal? Nos ajude a elaborar artigos e

conteúdos cada vez melhores para vocês. ;-)