O Folclore Brasileiro e seus Símbolos

August 20, 2020

 

 

Vamos ver o quanto você é brasileiro. Quais dessas brincadeiras você já brincou na Vida: pega-pega; esconde-esconde; bola de gude; pião; amarelinha; pular corda e passar o anel? Já dançou quadrilha, maracatu, frevo e samba de roda? Já cantou o cravo e a rosa; escravos de Jó; se essa rua fosse minha; peixe vivo ou boi da cara preta? Quais destas lendas você já ouviu falar: mula sem cabeça; a lenda do boto; saci-pererê; curupira; boitatá e Iara, a mulher-sereia? 

 

Esse conjunto de lendas, superstições, danças e brincadeiras tipicamente brasileiras reúne construções imaginárias muito antigas, que se originam a partir do encontro de diversas culturas que coexistem dentro do extenso território brasileiro. 

 

Quando os portugueses chegaram aqui, se depararam com a cultura dos indígenas. Erroneamente, muitos pensam que existe UM povo indígena, mas é um engano. Os portugueses encontraram aqui várias nações e culturas indígenas diferentes, com sistemas religiosos, línguas, hábitos, crenças e rituais bem diferentes uns dos outros. Todos sabemos que esse encontro não foi muito pacífico, já que tratava-se de uma colonização de exploração, inicialmente pelo extrativismo e depois pela monocultura. No período da cana de açúcar, os portugueses trouxeram mão de obra escrava da África. Da mesma forma, também imaginamos os escravos africanos como uma cultura única, mas também estamos  enganados quando pensamos assim. Na verdade, diversas nações, culturas e sistemas míticos diferentes foram trazidos através dos escravos africanos. 

 

Também costumamos pensar que apenas indígenas, portugueses e africanos formaram o tecido cultural brasileiro, mas isso também é um engano. Além desses povos, recebemos muitos outros ao longo dos últimos séculos: holandeses, japoneses, libaneses, espanhóis, italianos, alemães, entre outros. Para se ter uma ideia, no começo do Século XX, fala-se em quatro milhões de imigrantes no Brasil. Essa quantidade de pessoas equivale a um país inteiro. A população do Panamá, por exemplo, e da Croácia também são de quatro milhões de pessoas. 

 

A cultura brasileira emerge de um intenso processo de miscigenação ao longo de quinhentos e vinte anos. Esse é um tempo curto para a construção de uma cultura, por isso é importante entender que a formação da miscigenação brasileira é recente, mas as culturas presentes nesse processo são milenares. 

 

Esses elementos culturais são carregados de símbolos, os quais retém Sabedorias em relação à Natureza, ao Cosmos, às Leis Invisíveis que regem as relações dos Homens entre si e dos Homens com os outros seres da Natureza. Por exemplo, alguns grupos indígenas tinham muito medo de um ser mítico que chamavam de Curupira. Descreviam-no como um anão, com os pés invertidos, que protegia a floresta. Diziam que se derrubassem árvores ou matassem os animais, esse anão que vivia dentro da mata densa, fazia as pessoas esquecerem do caminho de volta e se perderem. Observem que a narrativa é absurda para a nossa racionalidade, mas nas entrelinhas dessa história há uma Verdade “inconveniente”: o desmatamento desenfreado, a matança desordenada de animais não leva a sociedade Humana a se perder no seu caminho de desenvolvimento?

 

Outra lenda muito curiosa do folclore brasileiro é a lenda de Iara, um ser que é metade peixe, metade mulher, que vive nas águas amazônicas. Os índios daquela região diziam que, quando os homens ouviam o canto de Iara, perdiam a consciência, ficavam rendidos ou hipnotizados. O interessante é que esse mesmo fenômeno é contado na Odisseia de Homero. Quando Ulisses está voltando para casa em alto mar, ele e sua tripulação se deparam com sereias, cujo canto causava alucinações e impedia seu retorno. Para vencer o canto das sereias, Ulisses teve que ser amarrado ao mastro e a tripulação teve que tapar os ouvidos. Daí que vem a expressão: “não dê ouvidos ao canto da sereia”. Tanto para as sereias gregas quanto para a Iara brasileira, podemos entender que elas representam os desejos Humanos, que estão sempre “cantando” em nossos ouvidos, mas que, se permitirmos que eles nos dominem, ficaremos presos e perdidos na sua sedução. Assim como Ulisses, precisamos de um mastro vertical, que representa os Princípios nos quais devemos nos manter firmemente agarrados.

 

Como esses povos indígenas poderiam conhecer o mito de Ulisses? Por que há tanta semelhança? O psicólogo suíço Carl Jung dizia que todos nós temos uma região inconsciente dentro de nós que guarda um saber Universal, uma Sabedoria que não foi criada por ninguém mas que pertence a toda a Humanidade, e os mitos e símbolos são expressões desse inconsciente. Dessa forma, usando essa chave, podemos dizer que todas as lendas e símbolos do folclore brasileiro representam expressões do inconsciente de toda a Humanidade. Por isso esse patrimônio imaterial, tecido ao longo de tantos anos, por tantos povos diferentes é tão rico e tão precioso. Cada lenda, cada dança, cada historinha, cada brincadeira está carregada de aspectos sutis da Realidade. Representam um movimento do inconsciente coletivo tentando se expressar. Sejamos mais cautelosos, mais zelosos por esses símbolos, pois eles são verdadeiros tesouros incorpóreos da Humanidade.

 

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