Butão: Um País que Ensina a Ser Feliz

August 18, 2020

 

 

Eleito ano passado o melhor destino para viajar, e também um dos países mais felizes do mundo, seu nome oficial é Reino do Butão, e talvez por isso tenha sua história cercada de fantasias e Mistérios. 

No leste asiático, encravado aos pé dos Himalaias, este pequenino país compartilha a vizinhança com vários outros “personagens” bem mais famosos nos quesitos lendas e culturas exóticas, como Índia, Nepal, e mais notadamente o Tibete. Talvez por isso, por ser ofuscado por esses países, seja tão pouco conhecido no restante do mundo. Como país, a história do Butão faz parte do passado do próprio continente, e em especial, do Tibete. 

Dalai Lama em um Iaque

 

No Tibete, entre os séculos IX e X, diante de muita agitação política na terra dos iaques selvagens e dos lamas, muitos tibetanos das primeiras camadas monárquicas e aristocráticas partiram em exílio para os países vizinhos, estabelecendo um grupo importante na região onde antes era um apanhado de feudos independentes e conflituosos. Ali, nos vales e montanhas da região de Bumthang e Paro, formaram uma nação culturalmente Harmoniosa e Equilibrada socialmente. O Budismo já era a tradição mais comum desde três ou quatro séculos antes, quando os primeiros templos foram introduzidos por um rei tibetano e pelo Guru Rimpoché (ou Padmasambhava), reconhecido em algumas vertentes como o segundo Buda.

 

Hoje, o Butão representa uma espécie de Jóia dos Himalaias, não só pela Beleza arquetípica das paisagens, mas, por ter conseguido seguir uma rota de desenvolvimento bem diferente dos outros países culturalmente semelhantes. Ao invés de abrir-se por completo, e quase irrestritamente, ao turismo e à economia internacional, o reino Butanês permaneceu em reclusão por muito tempo. No entanto, na década de 70 do século XX, assumiu o trono um jovem príncipe educado na Europa, que trazia consigo uma consciência mais ampla de bem estar social e qualidade de Vida.

 

O então rei, Jigme Singye Wangchuck, quarto monarca do país, observou que quase todos os países do mundo mediam seu desempenho econômico e usavam índices como PIB (Produto Interno Bruto) como indicadores de riqueza e poder. Na busca de melhorar estes índices, fomentavam a competitividade e desenvolvimento comercial, muitas vezes em detrimento do social. Isso deixava Wangchuck confuso, pois não entendia como alguns governos inclinavam seus projetos e ações para atender interesses de pequenos grupos específicos de pessoas e empresas, em prejuízo do Bem da população como um Todo. Então, imbuído de um espírito Altruísta, o monarca implementou no Butão o índice de Felicidade Interna Bruta, onde pretendia medir a Alegria, e a Satisfação da população, afinal, o povo deveria ser o verdadeiro beneficiário da administração pública.

 

Atualmente, o turismo ainda é bastante controlado, de forma que só é possível conhecer essa “Shangri-lá” (cidade paradisíaca das obras de James Hilton) com o auxílio de operadoras de turismo locais. A chegada também só é permitida através de vôos esporádicos, pilotados por companhias aéreas de lá que, apesar de serem empresas públicas, são de excelente qualidade. Além disso, o Butão está prestes a se tornar oficialmente o país mais sustentável do mundo, já que quase 3/4 do território é coberto de florestas preservadas, que são capazes de reciclar três vezes mais carbono do que é produzido pela atividade Humana local.

Os Butaneses cultivam hábitos que não incluem o apreço ao materialismo, e por isso, mesmo tendo sido eleitos entre os mais Felizes do mundo, são considerados os mais pobres, se observados os aspectos econômicos. Isso, sem dúvida, deve soar altamente contraditório aos nossos ouvidos ocidentais, mas faz todo sentido quando entendemos que existem várias coisas que um Ser Humano pode valorizar além do dinheiro. Aliás, até a uma década atrás, eles sequer tinham uma moeda nacional.

 

Naturalmente, a força de uma perspectiva inovadora como essa no modo de governar, não poderia partir isoladamente de cima pra baixo. O rei, na verdade, canalizou um aspecto cultural muito forte daquele povo, que tem raízes no Budismo milenar, que ensina a aceitar que o sofrimento existe, e que é possível aprender com ele, para transformá-lo em Sabedoria.

 

A morte, por exemplo, é inevitável. A Vida vai acabar, e não há nada que possamos fazer além de vivê-la bem, promovendo saúde, bem estar e União com os outros. Um povo como os Butaneses, que encaram essa realidade de maneira natural, tendem a viver Vidas muito mais serenas e com menos angústias. Pensando dessa forma, parece simples, porém, geralmente o que vemos em nossa sociedade ocidental é uma tendência a não pensar a respeito deste tema da morte, e isso nos faz viver de maneira imprudente. Tal atitude nos fragmenta, tanto como pessoas, quanto como sociedade. Ignorar a morte, ou não ter Coragem de encará-la de frente e entendê-la de uma vez por todas, faz com que deixemos de dizer o que sentimos aos que amamos, e também nos mantém presos a hábitos negativos, porque esquecemos que não temos todo o tempo do mundo para mudá-los.

 

Dedicar-se a Felicidade não é o mesmo que dedicar-se ao prazer. Se assim fosse, lanchonetes de fast food ou casas noturnas não teriam entre seus clientes quem cultivasse comportamentos autodestrutivos, ou sofresse de depressão, por exemplo. Um alimento saboroso lhe dará prazer de imediato, e não há nada de errado nisso. Viver momentos alegres e despretensiosos na companhia de amigos também é uma forma divertida de passar o tempo, sem dúvida. Agora, imagine que comer com frequência algo que lhe dá prazer, mas tem valor nutritivo muito baixo ou até nenhum, vai tornar sua Vida muito mais infeliz em alguns anos, pela decorrência de doenças como diabetes, hipertensão, entre outras que tiram nossa Vida aos poucos, tornando o sofrimento ainda maior. Desta forma, torna-se claro que não é o prazer que leva à Felicidade.

 

Ser feliz depende do quanto nos entregamos à nossa Vida. Aceitar permanecer em uma condição que nos torna infelizes é um ato de desrespeito consigo mesmo, ou como disse o líder político e espiritual indiano Mahatma Gandhi, “acreditar em algo e não vivê-lo é desonesto”. Viver de forma Ética, Justa, é viver Bem e Feliz. Para conquistar isso, é fundamental compreender que o sofrimento faz parte da existência Humana, e que ele nasce essencialmente em nossa mente que, como uma criança que ainda não foi educada, deseja tudo que lhe dá prazer, e recusa tudo que parece privá-la disso. Por isso a Filosofia Budista, que é tão forte no Butão, nos ensina a educar a nossa mente.

 

 

Nós costumamos ter um ritmo de Vida muito frenético, e acreditamos que viver com pressa, em constante estresse e nervosismo é sinal de responsabilidade, é sinal de que estamos batalhando para crescer profissionalmente, para comprar nossos imóveis, nossos veículos, ampliar o nosso patrimônio... Para um dia “ser alguém na vida”. É incrível, e muito Belo de perceber, como um país como o Butão pode nos ensinar que estamos dedicando tanta energia, e sacrificando tantas coisas realmente valiosas, pensando que a riqueza material é a resposta para nossos questionamentos. Na verdade, a resposta para nossas perguntas, muitas vezes é algo extremamente simples. Basta compreendermos, e colocarmos em prática uma ideia: a Felicidade não significa “TER”, mas sim “SER”.

 

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