Mitologia Maia: A Criação do Homem Ainda Não Parou de Acontecer…

August 12, 2020

 

 

Você sabe o que aconteceu no Século XI? Provavelmente você lembrou de feudalismo; início do declínio da Idade Média; começo das cruzadas; começo das primeiras universidades no mundo, etc. Se pensou assim, então está com uma boa noção de História, mas não é sobre isso que trataremos neste texto. 

 

 

A questão é que dificilmente lembramos que, enquanto todas essas coisas estavam acontecendo lá na Europa, aqui na América, que ainda nem era chamada assim, quase quatro séculos antes de Colombo, uma civilização extremamente avançada em matemática, astronomia, agricultura e com uma enorme diversidade de símbolos Sagrados estava vivendo grandes e significativos acontecimentos históricos. Os Maias perfizeram na região onde hoje é a Guatemala e o México toda uma trajetória de nascimento, desenvolvimento, apogeu e declínio civilizatório, sem que houvesse nenhum registro, nenhum sinal de conhecimento disso pela civilização européia no mesmo período. A datação do início dessa civilização é desconhecida, fala-se em três mil ou quatro mil anos antes de Cristo, mas é certo que o seu declínio ocorreu por volta do Século XI, e seu desaparecimento quase total ocorreu com a chegada dos colonizadores, cerca de quatrocentos anos depois, os quais queimaram a maioria de seus registros.

 

Nós tendemos a valorizar somente os elementos herdados da cultura greco-romana e da tradição judaico-cristã, porém o melhor caminho para a Humanidade é olhar para todas as culturas, todas as mitologias, formas religiosas e artísticas de maneira comparada, eclética, permitindo-se explorá-las e descobrindo seus aspectos mais profundos. Só assim ampliamos nossos horizontes e nos aproximamos um pouco mais da Grandeza e Profundidade da Natureza Humana. E a Mitologia Maia é muito rica em símbolos e ensinamentos que conversam com a nossa Alma.

 

 

Após os atos de barbárie dos colonizadores espanhóis, restaram poucas escrituras do povo Maia para serem estudadas. Uma delas é o Popol Vuh, ou Livro do Conselho, uma obra que guarda uma narrativa muito interessante do Mito da Criação do Homem. 

 

Conta esse Mito que acima de todo o Panteão Maia, havia uma Trindade de Deuses regentes: Tepeu, Gucumatz e Hurucán. Este último é muito parecido com o Espírito Santo da Trindade judaico-cristã, pois ele aparece como um vento que sopra sobre a terra. Na narrativa da criação do mundo no Gênesis, é dito que o Espírito de Deus pairava como o vento sobre a face das águas. Inclusive, o termo no original hebraico traduzido como Espírito Santo é Huah, que significa vento, sopro ou brisa. 

 

Mas a parte do Mito Maia que fala da criação do Homem difere um pouco da criação de Adão na cultura judaico-cristã. Para os Maias, o Homem foi criado em etapas evolutivas. Primeiro os Deuses fizeram o Homem da lama, mas com o passar do tempo, o protótipo começou a desfazer-se e eles convidaram outros Deuses do Panteão para participarem da criação. Então, elaboram o segundo protótipo de madeira, mas depois de um certo tempo vêem que está faltando Vida. Nesse momento, eles chamam mais Deuses e confeccionam um terceiro Homem a partir do milho, e esta é a versão atual do Ser Humano, é a que vem apresentando mais Poder de realização na História.

 

Observe que o jeito como essa civilização trata a narrativa da criação do Homem envolve três aspectos muito curiosos: a evolução, a Vida e o sustento da Vida. Para eles, a criação do Homem não é um acontecimento concluído, mas um processo que continua, que ainda está acontecendo. E esse processo se aprimora à medida que manifesta mais Vida. Na primeira etapa, o barro, a presença da Vida era tão pouca que logo começou a diluir-se. Na segunda, os homens de madeira possuíam Vida, mas ainda era muito insatisfatória, pois eles eram incapazes de se lembrar dos Deuses, seus criadores. Por isso, os Deuses inundaram a Terra em um dilúvio e transformaram esses Homens nos macacos.  Na terceira tentativa, a partir do milho, que é considerado um alimento Sagrado, os Deuses criaram Seres Humanos capazes não somente de se alimentar e se reproduzir, mas também capazes de pensar, refletir sobre os Mistérios e se aproximar do Sagrado. 

 

O Mito é um convite para a evolução, pois nos mostra que passamos por várias etapas em nossas Vidas. Algumas delas podem parecer que foram falhas, mas na verdade, foram importantes para nos tornarmos quem somos hoje. E o objetivo disso tudo é nos transformarmos em seres cada vez mais capazes de compreender o sentido da Vida e de participar, de forma consciente, da criação dos Deuses.


Essa evolução é tão presente nessa civilização, que até os Deuses aparecem em uma escala evolutiva. A Trindade sinaliza uma ordem de Deuses em um etapa evolutiva maior do que todo o Panteão, depois há Deuses que são os primeiro chamados, depois os segundos, e à medida que essas escalas de Deuses se envolvem no processo da criação, o Homem evolui também. É como se cada um dos Deuses oferecesse algo a mais para que a criação ficasse cada vez mais Perfeita. Nesse caso, a criação somos nós mesmos, que precisamos agora entender de que forma também podemos colaborar com os Deuses, e com todos os Seres da Natureza, para participar da criação de um mundo cada vez melhor.

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