Green Light

July 19, 2020

“Green Light é uma história sobre uma garota e um robô soldado, lançados numa péssima  situação provocada pelo uso indevido de tecnologia, tentando restaurar a terra para o que ela costumava ser. 

 

Eu tentei mostrar a amizade entre Mari, uma garota tentando construir um futuro melhor, sem perder a esperança, mesmo na trágica situação em que tudo foi destruído, e um robô que iniciou uma nova vida por causa dela (Mari) e como eles constroem um novo mundo.”

http://dflab.ajou.ac.kr/greenlight/

 

Assim o diretor Seongming Kim descreve esse curta-metragem animado Sul Coreano, produzido em 2016. A obra acumula diversas premiações ao redor do mundo. Como podemos ver, o roteiro aborda um tema comum em nossa época: um futuro apocalíptico, distópico, em que o uso desenfreado da tecnologia esgotou os recursos naturais do planeta. Nessa realidade, o homem lutará por sobrevivência, numa espécie de volta à idade da pedra, em que os fisicamente mais fortes prevalecerão. É um retorno à condição animal, porém potencializada por anos de desenvolvimento científico. Nesse futuro não combateremos com paus e pedras, mas com robôs de última geração, quase humanos, mas armados até os dentes. Essas máquinas apenas reproduzem a programação que alguém inseriu em suas memórias. Se lhes mandam defender um posto a todo custo, o farão até que a última célula de bateria descarregue. Focam apenas em suas missões e são incapazes de compreender qualquer coisa diferente do que já existe em seus softwares.

 

 

 

Em Green Light, encontramos exatamente isso. O robô 626 é um soldado que, envolvido em uma batalha, é avariado severamente por outro robô e é abandonado em uma construção. Sua sorte muda quando Mari, uma garota curiosa e alegre, o encontra e resolve consertá-lo. Ela o faz não apenas fisicamente. Conserta seu corpo, mas também seu “coração”. Com o seu contato, a potência física que antes era direcionada para a violência, se coloca à disposição de um trabalho muito mais nobre.

 

Mari carrega consigo um propósito de Vida: quer reconstruir o mundo! Quer replantar as sementes que a ganância humana ceifou da Terra. Só pode ter um propósito como esse, quem carrega a Virtude da Generosidade para onde vai. E por ter dentro, ela consegue pôr esta Virtude para fora e entregar a tudo e a todos. Ela entrega ao robô soldado, à porta de um cofre que fora arrancada com violência por ele e às plantas que encontra guardadas dentro do cofre. Todas as coisas que ela toca sentem os efeitos dessa Generosidade.

 

Mas, será que esse curta fala realmente de um futuro possível, porém distante? Que lições podemos tirar dessa animação para nossos dias atuais? Antes de qualquer coisa, é preciso que entendamos uma ideia óbvia: o futuro não existe ainda, ele é como uma porta no fim do corredor, mas que está sempre um passo à nossa frente. O que queremos dizer com isso? Que tudo o que você tem é esse momento Presente. Viver com ansiedade e medo pelo que ainda não aconteceu pode nos paralisar. Devemos então, abandonar uma visão do amanhã e focar somente no agora? Vejamos o que Marco Aurélio, o imperador filósofo nos disse na Roma clássica em duas citações.

 

“Esta é a marca da perfeição do caráter, viver cada dia como se fosse o seu último, sem frenesi, preguiça ou qualquer fingimento.”

 

“Que cada coisa que você faça, fale, seja ou pretenda ser, seja como se você estivesse à beira da morte.”

 

Um olhar desatencioso para estas palavras pode nos fazer pensar que a resposta para a pergunta acima é “sim”. De fato esse filósofo nos indica que devemos ter a morte como conselheira e não desperdiçar nosso tempo. Mas, o que significa ter a morte como conselheira? Significa colocar sua Vida em perspectiva e refletir sobre suas prioridades. Se você morresse amanhã, sua Vida teria valido a pena? Cuidado aqui! É comum que ao responder a estas perguntas digamos: não valeu a pena porque não vivi todas as emoções que eu queria! Mas a reflexão é mais profunda. Se o seu dia de realizar a grande viagem acontecesse amanhã, o investimento que a Natureza fez em você teria valido a pena? Você recebeu um corpo, uma energia vital, a capacidade de sentir emoções e de pensar. O que você fez com eles? Tornou o mundo um lugar melhor? Pensando dessa forma, a morte é uma ótima conselheira. Porque, se você acredita que a sua Vida é benéfica ao mundo e às pessoas ao seu redor, então basta continuar fazendo as mesmas coisas. Mas se chegar à conclusão de que a resposta é “não”, você deve pensar: “Que bom que percebi isso! Pois ainda estou em tempo de corrigir o rumo da minha história.”

 

A morte é o futuro de todo ser que vive. Pensar nela é um exercício de imaginação. É bom imaginar o quanto você gostaria que a Vida melhorasse depois da sua passagem. Quem faz esse exercício não precisa esperar que o amanhã chegue para viver de acordo com ele. Pode viver hoje o futuro que deseja. Nesse sentido, nós conseguimos pensar no amanhã e usá-lo como propulsor para uma nova forma de Vida no presente. Ele não nos paralisará! Nem o temeremos, porque entenderemos que estamos construindo ele hoje. Mari entendeu isso. Ela não vive reclamando sobre o passado que destruiu o planeta, mas foca no amanhã que terá dias melhores, mas que deve começar a ser construído desde já. Essa garotinha muda o mundo a cada ato de Generosidade que realiza. E nos ensina assim, a acender uma luz verde de Esperança.

 

E o robô 626? Ao contrário de Mari, ele vive sem perspectiva de amanhã. Focado na sua missão, ele não usa o futuro como bússola. Apenas quer atacar, ou defender. E usa todas as armas que possui para isso. Muitos de nós vivemos como ele, mecanizados. Acordamos e cumprimos o roteiro que a opinião comum depositou em nossas cabeças, como se fossem linhas de programação. Desde crianças, somos conduzidos para pensar apenas em consumir, ter prazer e se sentir amado. Não pensamos porque, nem para que buscamos essas coisas ardentemente. Não é que realmente tenhamos escolhido isso. É que todo mundo disse que era bom, então vamos seguindo a manada. Somos programados a Vida inteira para isso… Assim como um robô.

 

Alguns de nós tem a sorte de encontrar um alguém especial. Alguém que, por ser Puro, nos ensina Pureza, que nos ajuda a controlar as armas que usamos nas horas de violência e descontrole. Se necessário, assim como Mari fez com 626, ela nos coloca Generosamente amarras nos braços. Não porque nos rejeita, mas porque entende que não sabemos manejar com Justiça e Sabedoria a força que temos. Uma pessoa que nos mostra a Vida a partir de um outro ângulo, que nos faz questionar nossa programação mental, que divide seu Propósito conosco... E de repente somos outras pessoas, porém, o que estranhamente sentimos é que nos transformamos em nós mesmos, pois nos tornamos mais Humanos e mais Felizes.

 

Se nós encontrarmos alguém assim, devemos tratá-lo como um Tesouro. Defendê-lo, Amá-lo, sentir Gratidão e Confiar nele. São essas pessoas que chamamos de Mestres. Mas é necessário que nos mantenhamos atentos aos seus ensinamentos. Se abandonarmos seus conselhos e tentarmos agir com nosso “antigo eu,” é possível que sejamos causa de tragédias. Quando um Mestre morre? Quando seus discípulos abandonam suas ideias. Mari ensinou a 626 a não usar sua potência física como arma de destruição, mas como instrumento de Generosidade. Quando atacado por seu inimigo mortal, pressionado a escolher entre manter-se fiel ao que aprendera com a garota, ou voltar a reagir como sua antiga programação mandava, deixou-se por um instante dominar-se pela raiva. E isso matou Mari.

 

Às vezes, esse Mestre é alguém que amamos muito. Às vezes é um dos grandes Mestres da Humanidade que deixaram suas palavras ecoando nos livros clássicos. E algumas vezes, podemos escutar a sua voz cantando no fundo de nosso coração, nos ensinando que a verdadeira guerra a ser travada não deve ser contra nossos irmãos, mas sim contra nossos próprios defeitos, para o Bem deles. 

 

Um Mestre vive para sempre através de sua obra. Da mesma forma que Mari, a luz verde da Esperança que um Mestre planta não é uma semente física, é uma semente Espiritual que começa a germinar na Alma de seus discípulos. Se essa semente floresce, o Ideal pelo qual ele entregou a sua Vida tem uma chance de nascer, crescer e preencher toda a Terra… E assim se tornar Eterno.

 

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