A Filosofia Ocidental e a Filosofia Oriental estão Unidas pela Mesma Raiz

July 2, 2020

Se você gosta de filosofia, um bom exercício é olhar comparativamente os sistemas de pensamento Oriental e Ocidental, buscando uma raiz única entre eles. Comparar os mitos gregos, por exemplo, com os poemas épicos da Índia, ou comparar o Ideal de Humanidade presente na República de Platão com as ideias de Confúcio. Construir um paralelo entre os versos das meditações de Marco Aurélio com os ensinamentos de Buda, no Dhammapada. Esse tipo de fusão entre esses dois movimentos do pensamento humano, em busca de uma unidade entre eles, nos leva a um alcance muito profundo sobre as questões do espírito humano. Fazendo isso, lançamos luz sobre as questões atuais, obscuras e inconscientes que nos perturbam tanto: a corrupção generalizada; as doenças decorrentes de nosso sistema comportamental, associadas à pressa e ao stress do dia-a-dia; as angústias diante da morte; a busca insaciável pelo consumo ou pelo poder econômico; a mercantilização da fé... Tudo isso vai clareando ao atarmos as pontas desses dois macrossistemas filosóficos, o Ocidental e o Oriental.

 

 

Quando seguimos a linha da história, vemos que a nossa civilização Ocidental tem suas bases filosóficas na Grécia antiga. Não é para menos que a maioria dos termos que utilizamos hoje em nossas estruturas tem origem grega, por exemplo, “política”, “democracia”, “teatro”, “história”, “filosofia”, “biologia” e tantos outros. Isso demonstra que a nossa forma de falar e a nossa forma de pensar estão ligadas à esta tradição, e isto é tão forte em nós que tendemos a somente dar valor a um conhecimento se ele tiver uma formulação lógica nos padrões gregos. No entanto, a filosofia grega apoia-se em uma mitologia não grega. A maioria dos mitos e das teorias gregas têm origem em outras fontes, de outras culturas, como egípcia, mesopotâmica e às vezes vem de civilizações que nem conhecemos. Na obra de Platão, e também na de Pitágoras, por exemplo, encontramos muita influência do pensamento egípcio. O mito de Hércules, afirmam os estudiosos do assunto, reúne elementos de mitos provenientes de outras culturas anteriores à grega. 

 

 

 

Isso nos mostra que não existe um sistema de pensamento que seja possuidor da verdade, em detrimento de outro. Não existe isso! Se tivermos um espírito de investigação descontaminado de preconceitos ou preferências, veremos que todas as tradições, todas as mitologias em qualquer região do planeta, em qualquer povo e em qualquer época apontam para os mesmos horizontes, como se todos esses rios viessem da mesma fonte. As epopéias da Índia antiga, a exemplo do Ramayana ou do Bhagavad-Gita, falam de batalhas hercúleas entre o homem e seres monstruosos. O demônio Ravana do mito do Ramayana, com suas dez cabeças, pode facilmente ser comparado à Hidra de Lerna no mito de Hércules. No Bhagavad Gita, Arjuna enfrenta uma batalha mortal pela conquista de uma cidade ideal, Hastinapura. Isso nós encontramos na República de Platão, onde uma classe de guardiões é educada para proteger um ideal de cidade. A mesma ideia está presente na raiz das nossas religiões Abraâmicas, o judaísmo, o islamismo e o cristianismo, seguidas por mais da metade de toda a população planetária nos dias atuais. Tais formas religiosas, tão importantes na definição do sistema de pensamento Ocidental apoiam-se no mito da terra prometida,  análogo à luta por Hastinapura. 

O sistema moral que se apresenta na República de Platão, em que o sonho de uma cidade ideal está relacionado a um alcance de consciência por parte de cada indivíduo é facilmente identificado no pensamento confucionista, que entendia ser a ordem política fruto de uma ordem dentro do indivíduo, ou seja, de uma ordem ética. Platão nasce na Grécia, cerca de cem anos depois de Confúcio, que nasceu na China, mas esses dois pensadores tornaram-se ícones de sistemas de pensamento que, cada um ao seu modo, falam da mesma coisa. A forma filosófica de governo de Confúcio, a qual ele chamava de “Li” é o mesmo ideal de Estado presente na República de Platão. E o ideal de Ser humano que Confúcio chama de “homem-ju” é o mesmo ideal de Ser Humano que Platão chama de “homens de ouro”, ou “guardiões”. E se o pensamento platônico foi a semente do Império Romano, o pensamento confucionista é o responsável pela unificação da China.

 

 

Esse ideal de Ser Humano também está plasmado na figura de Arjuna, arqueiro do épico Mahabharata,  assim como podemos encontrá-lo como a meta de cada Ser Humano, na corrente filosófica do estoicismo, que surgiu na Grécia há 2.300 anos e alcança seu apogeu na cultura romana através dos pensadores Epicteto, Sêneca e Marco Aurélio. Esse movimento filosófico perseguia o ideal de um homem que desenvolvesse o poder sobre as paixões, sobre o tempo e sobre si mesmo. Mas isso é exatamente do que trata o Dhammapada, escritos dos ensinamentos de Buda, que projeta um ideal de Homem harmonizado com a grande Lei Universal que rege todas as coisas.

 

Como podemos ver, há uma raiz única entre as filosofias Ocidental e Oriental. E esse ponto que unifica está relacionado a um ideal de Ser Humano, associado a um ideal de Sociedade. Todo o movimento do pensamento humano ao longo dos séculos gira em torno deste sonho de um homem melhor e de um mundo melhor.  Infelizmente, o que vemos em nosso momento atual é um afastamento desses modelos. Temos acesso a muitas informações, é claro, mas não vivemos esses grandes ideais filosóficos ensinados por esses mestres do passado. Sabemos o nome de centenas de autores e obras, e usamos esta carga intelectual de forma conveniente para mostrar a nossa “inteligência”, mas na realidade, nós não sabemos nada sobre estas ideias, pois não as vivemos. As tradições Orientais e Ocidentais nos mostram que o afastamento desse ideal de Ser Humano sempre nos leva para um abismo. Quando os homens perdem o seu sentido de vida, a sociedade também entra num processo de decadência. 

 

 

Só há um meio de superarmos as contradições do nosso tempo, aproximando-nos dessas grandes ideias de forma Real e Verdadeira, ou seja, não somente com curiosidade, mas com o Compromisso de vivê-las cotidianamente. Este é um trabalho longo, por isso cada um de nós deve começar agora mesmo! 

 

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