A Vida de Alexander Soljenítsin

June 23, 2020

 


Em 1940, as forças de Hitler surpreenderam o mundo com um ataque brutal à União Soviética. Dois anos antes, as duas potências haviam assinado um pacto político estratégico para não guerrearem entre si, mas Hitler era muito imprevisível. A invasão iniciou-se com quatro milhões de soldados alemães e quase um milhão de tanques de guerra. A resposta da União Soviética foi ainda mais brutal, bloqueando o avanço das forças de Hitler, no que ficou conhecida como a Batalha de Moscou.

 

Na linha de frente da carnificina, lutava bravamente na defensiva um capitão do exército soviético chamado Alexander Soljenítsin. Durante a guerra, foi condecorado duas vezes pela bravura em prol de sua nação, mas no dia em que resolveu expressar sua opinião crítica, de forma privada, em uma carta a um amigo sobre o primeiro-ministro Stalin, foi interceptado, preso e condenado por propaganda anti-soviética, a uma penalidade perpétua de exílio, cuja execução se iniciaria em campos de concentração de trabalhos forçados.

 

Despojado da patente de capitão, Soljenítsin vai de uma frente de batalha para os porões mais cruéis de um dos sistemas prisionais mais desumanos da história. Nos Gulags, como eram conhecidos esses campos, os prisioneiros dificilmente conseguiam sair com vida. As mortes aconteciam principalmente por falta de alimento, frio excessivo, doenças sem tratamento adequado ou mesmo por execução. As fontes mais confiáveis falam em dois milhões e setecentas mil execuções nesse período.

 

Os primeiros anos de Soljenítsin como prisioneiro estão descritos no livro “O Primeiro Círculo”, em que relata o tratamento cruel que sofria, em vários campos para onde era levado como uma peça de uma engrenagem. Em 1950 quando estava em um desses campos, trabalhando como pedreiro, Soljenítsin descobre um câncer que vai se alastrando progressivamente, é nesse contexto que escreve o livro “Um Dia na Vida de Ivan Denisovich”. Três anos depois, estava às portas da morte. Somente em 1954, quando finalmente conseguiu se libertar dos campos de concentração, ao converter a sua pena em exílio no Cazaquistão, é que passa por um tratamento para a doença e consegue superá-la. Nesse período, pode-se dizer que ele esteve no inferno. Essa experiência é que dá origem ao livro “O Pavilhão dos Cancerosos”.

Em entrevistas, já na velhice, Soljenítsin diz que o sofrimento formou sua Alma. Ele começou a perceber que quanto mais sofria, mais sua vida interior se fortalecia. As dores da prisão, da condenação injusta, da distância da família e dos amigos, do abandono naquele inferno gelado, e ainda o sofrimento de um câncer permitiram descobertas profundas sobre a Alma Humana. Essas descobertas estão nas entrelinhas dos seus livros.

 

Como exilado, condenado a nunca mais retornar à sua pátria, Soljenítsin ensinava durante o dia em escolas públicas no Cazaquistão e à noite escrevia suas experiências dolorosas e suas descobertas filosóficas provenientes dessas vivências. Convencido de que nenhuma das linhas que tanto escrevia jamais seriam publicadas, e que se fosse pego escrevendo sobre aquilo seria mandado de volta aos campos, escondia a sete chaves as suas obras. Somente a partir de 1962, depois de muitas transformações no regime soviético, é que seus livros começam a ser publicados: “Um Dia na Vida de Denisovich” (1962); “O Primeiro Círculo” (1968); “O Pavilhão dos Cancerosos” (1968). Em 1970 ganha o nobel de literatura. Em 1973 publica o famoso “Arquipélago Gulag” e em 1984 publica “Agosto 1914”. Somente em 1994 é que consegue retornar à sua pátria, falecendo na cidade de Moscou em 2008.

 

Não somente as obras, mas o próprio exemplo de vida de Soljenítsin deixa profundas lições para toda a Humanidade. Ele não apenas suportou, mas transcendeu todo o sofrimento. Encarando situações que levariam muitos à loucura ou a cultivarem um ódio dentro de si, Soljenítsin descobre como transformar tudo isso em Sabedoria, em alimento para a Alma. Em meio a tanta dor, ele toma consciência de que ele não é aquela carne que sofre, mas sim uma Alma livre, então passa a usar todas aquelas experiências para se elevar mais e mais, e se libertar deste mundo de vilanias, tiranias e injustiças. Todos nós podemos nos inspirar com esta linda biografia, e também aprender a crescer com todas as dificuldades que a vida nos apresenta.

 

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