O que Devemos Ofertar em Nossa Relação?

June 14, 2020

 

 

O termo “relacionamento” sempre nos aparece associado a um tipo de ligação afetiva entre pessoas. Mas quando falamos neste assunto, um ponto sempre surge para a reflexão: o desafio de viver uma relação à dois. Por vezes, se torna pesado demais quando um dos indivíduos tende a renunciar a si mesmo para viver a vida do outro. Dessa forma, a relação que antes se iniciou com duas pessoas, passa a ficar com apenas uma, pois com o passar do tempo um deles perde a sua identidade e se torna um “acessório” do outro. É importante lembrar que relacionar-se é antes de tudo partilhar, é integrar a partir de elementos diferentes que se complementam. O outro deve nos ajudar a nos conectar com a nossa própria identidade, para que possamos partilhar o que temos de melhor em nós mesmos. O problema surge quando um passa a exigir que o outro abandone a si mesmo para se adequar a alguma forma.

 

 

 

Quando decidimos iniciar uma relação, levamos bagagens, experiências e anseios que pertencem somente a nós mesmos, e não ao outro. Quem tem consciência disso, sabe definir os seus limites e os limites do seu parceiro. Mas, quem sou eu e quem é o outro dentro do relacionamento? Esta é uma pergunta importante de se responder ao adentrar numa relação.

 

Quando você conhece a si mesmo, quando sabe o que tem dentro de si para partilhar numa relação, quando não se cobra nada, nem a si e nem ao outro, é possível compreender que a chave da realização e plenitude está no ato de doar-se, dar de si mesmo na relação. A única pessoa responsável pela sua felicidade é você mesmo.

 

Segundo alguns psicólogos, dividir a vida com alguém exige do indivíduo identidade e maturidade. Entretanto, na maioria das vezes isso nos falta, pois, geralmente, entramos nos relacionamentos exigindo tudo do outro e ficamos decepcionados quando o outro se nega a nos dar. Projetamos nas pessoas nossos desejos, e cobramos delas as virtudes que não possuímos. E o resultado de tudo isso são as famosas frustrações e dores que colecionamos, deixamos ou levamos ao longo de nossa caminhada afetiva. Porém, um pouco de autoconhecimento e um olhar mais sincero para o nosso interior nos ajudaria a diminuir as nossas fantasias e, certamente, as expectativas externas seriam trocadas pelas batalhas e conquistas internas.

 

Por outro lado, no mundo atual, os sentimentos transformaram-se em uma moeda de troca ou num tipo de investimento, onde passa-se a calcular os riscos e os benefícios a curto, médio e longo prazo em dividir a vida com alguém. A busca pelo lucro a qualquer preço se tornou um modo de viver e atuar no mundo, então, passamos a “coisificar” tudo, inclusive, as nossas relações afetivas. Sempre há aquela pergunta em mente: “O que vou ganhar com isso?”. E, caso o projeto afetivo não tenha êxito, nos sentimos com um enorme prejuízo e dizemos coisas do tipo: “Dei a minha vida para viver essa relação e olha só o que ganhei?”, como se a relação a dois expressasse uma transação financeira que deu errado. Esse tipo de comportamento nos reduz a um mero investidor do mercado afetivo, e retira de nós a nossa própria condição humana.

 

Diante disso, é preciso que fique claro uma coisa: só é possível existir um relacionamento afetivo saudável entre duas pessoas plenamente conscientes de suas individualidades. Ou seja, somente dois Indivíduos plenos se relacionam de forma saudável, quando se busca no outro aquilo que não foi capaz de encontrar dentro de si mesmo, o relacionamento estará fadado à frustração.

 

Quando buscamos no outro o que nos falta, não conseguimos ver um outro Ser Humano, mas sim uma “coisa” que será útil para preencher o meu vazio. Somente aquele que tem posse de si mesmo, que sabe quem é, pode enxergar o outro Ser Humano como ele realmente é, e não a partir de fantasias que nascem das suas carências. Dessa forma é possível construir uma convivência rica e profunda, pois cada um participa oferecendo o que tem de melhor, e aceitando o outro com todas as suas qualidades e defeitos.


Precisamos aprender a ressignificar as nossas relações afetivas, mas para isso é imprescindível o autoconhecimento, pois com ele, aprenderemos a conviver conosco mesmos. E esse é o primeiro passo que devemos tomar antes de compartilhar a vida com alguém. Uma relação é sempre uma forma de ofertar e não de pedir. E só oferta quem tem algo para dar! Portanto, olhemos para dentro, sempre há algo de muito bom a dar. Acredite!

 

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