O Mito do Rei Arthur

May 19, 2020

 

 

 

Não sabemos ao certo se Arthur realmente existiu, mas mesmo assim, até hoje é uma das história que mais nos fascinam. Não só pelo mistério dos acontecimentos, mas principalmente pelo simbolismo sobre a jornada humana, que fala diretamente com nossa intuição. O mito do Rei Arthur é um grande aprendizado sobre como ser herói de si mesmo.

 

Atualmente, não costumamos valorizar mitos, contos de fadas, livros sagrados, como fazíamos antigamente. Acabamos por revisitar as histórias de outros povos e culturas, em busca de respostas mais profundas sobre a vida e seus mistérios.  O Rei Arthur, a Távola Redonda, Merlin, Excalibur, Morgana, Guinevere, Lancelot, mesmo sendo partes da cultura celta, ainda assim esses personagens nos fascinam, sendo fonte de inspiração para vários livros, filmes, séries, etc. Parece que algo dentro de nós nos avisa que ali tem algo mais profundo do que uma história fantasiosa de um grande Rei.

 

Nossa mente prática muitas vezes não consegue alcançar a profundidade das ideias trazidas pelos símbolos presentes nos mitos. Mas se nos debruçarmos um pouco mais sobre eles, buscando perceber que eles se comunicam através da linguagem da vida, podemos extrair grandes ensinamentos sobre nossa jornada. Quase como um manual da arte de viver.

 

Usando uma chave psicológica para entender os mitos, podemos perceber que todos nós, muitas vezes, somos Lancelot e seu apego aos desejos do corpo; Outras, somos Guinevere e sua indecisão entre o mais nobre ou o que mais deseja, e em outras somos Arthur portando a Excalibur, e nos tornando heróis de nós mesmos… Se conseguimos captar isso, temos a chance de aprender com estes modelos, com estes ideais, para que ao menos tenhamos um norte, uma estrela para nos guiar, quando nos encontrarmos nas encruzilhadas da vida, naqueles momentos de profunda indecisão sobre o que é mais justo, mais sábio, mais bondoso.

 

Há uma quantidade grande de literatura a respeito deste mito, mas nós iremos principalmente nos basear para escrever este texto na obra “A Morte de Arthur”, de Thomas Malory, do sec. XV e no filme “Excalibur”, de 1981.

 

 

 

Antes de começar a contar sobre Arthur, temos que refletir sobre seu futuro Mestre, o Mago Merlin, que assim como todos os grandes seres nos diversos mitos da humanidade, teve um nascimento extraordinário - sua mãe, isolada numa grande torre, foi visitada por um anjo e assim ficou grávida. 

 

Merlin dizia ter como missão acompanhar um Rei digno, que realizasse a unificação da Bretanha. Suas ações refletiam uma visão profunda da vida e de suas leis, uma intuição e uma sabedoria que fazia com que todos os reis quisessem tê-lo como conselheiro. 

 

Todos nós temos este Mestre Interior simbolizado pelo Merlin. Todos nós temos aquela voz silenciosa, como diz Helena Blavastsky, que nos mostra o caminho mais justo, mais bondoso, mais harmonioso, que tem uma visão profunda da vida. A nossa dificuldade reside justamente em escutá-la e obedecê-la. Mas se aprendermos a ouvir seus conselhos, podemos chegar a esta unificação interior que Merlin tanto propôs. Uma unidade entre nossas ações, sentimentos e pensamentos. A Bretanha unificada simboliza, então, o Ser Humano íntegro, uno, indivisível. 

 

 

 

 

Na história, Merlin acompanha um grande conquistador, o Rei Uther Pendragon, e faz com que ele prometa que o fruto gerado da sua relação com Ingraine, a esposa de um outro cavalheiro, fosse-lhe entregue. Só assim ele ajudaria na realização da luxúria do Rei, que tanto desejava aquela relação proibida. Este bebê, Merlin sabia que se tornaria Arthur, um ser humano nobre e digno de ser Rei, e por isso levou-o para ser criado apropriadamente por um cavalheiro simples, longe da Corte.

 

Uther, ao perder o filho, enfiou sua espada, a famosa e poderosa Excalibur, em um pedra dizendo que só se tornaria Rei aquele que conseguisse retirá-la. Anos depois, como todos nós sabemos, Arthur, ainda adolescente, tira, de forma despretensiosa, a Excalibur da pedra e torna-se o novo Rei.

 

 

 

A espada de um cavalheiro, principalmente uma tão poderosa como a Excalibur, simboliza sua Vontade. A Vontade humana de realizar, de trazer pro mundo seu lado mais justo, bondoso e harmonioso, de forma a somar com a Vida e com o Destino. Arthur então, um Rei digno e nobre, consegue unificar a Bretanha, dando origem a Camelot, a corte central onde se uniam as mais nobres damas e cavalheiros para tomar decisões em benefício de todo o reino, e isso trouxe uma era de grande prosperidade. 

 

 

 

 

Entre estes nobres, é importante destacar três figuras principais: Arthur, o rei justo; Guinevere, a bela e virtuosa rainha e Lancelot, o leal e invencível cavaleiro. Dentro de nós, esta unidade interna entre os elementos espirituais (o que os gregos chamavam de Nous) simbolizado por Arthur, os psicológicos (Psique), simbolizado pela pureza de Guinevere e os materiais (Soma), simbolizado pelo grande cavaleiro Lancelot, é o que garante a harmonia e a justiça para todo o reino: Espírito, alma e corpo alinhados. Em outras palavras, quando os princípios elevados nos governam, as nossas emoções permanecem fiéis a eles e o nosso corpo cumpre com o nosso dever,  nos conduzindo a um estado de plenitude e harmonia interior.

 

 

 

 

A Távola Redonda, onde se reuniam os 12 cavaleiros mais importantes, possivelmente tem uma ligação direta com os 12 signos zodiacais, que por sua vez simbolizam as etapas que o ser humano deve passar para alcançar a plenitude. Podemos perceber que cada um dos cavaleiros nos remete às diversas experiências que temos que superar durante a vida, e ao quanto precisamos nos esforçar para dar o nosso melhor, defendendo nossos valores diante das adversidades, para continuar sendo dignos de ser quem somos. No caso da história, os nobres cavalheiros eram dignos de Arthur e defendiam Camelot, esta possibilidade, dentro de nós, de um estado de consciência uno e elevado. 

 

 

 

É interessante notar que Camelot começa seu declínio quando Arthur é tomado por uma grande tristeza ao descobrir a traição de Guinevere e Lancelot. Ou seja, A Alma do Cavaleiro (Lancelot) apaixona-se pelo seu lado mais material, e a partir daí se rompe a unidade, o ser humano integral, o indivíduo.  Arthur fica isolado, Guinevere fica perdida e Lancelot passa a vagar pelo mundo como um mendigo, por causa do arrependimento que sente. 

 

 

 

 

Isto acontece conosco todas as vezes que traímos a nós mesmos, nossos valores e virtudes, por coisas passageiras, por elementos grosseiros e pouco nobres. Todos os momentos em que a vida nos coloca no lugar de escolha, entre o mais denso e o mais elevado, entre o desejo e a Vontade, entre Ser e Não Ser, como diria Shakespeare, estamos sendo como Guinevere. E quantas são as vezes que escolhemos Lancelot? Por isso Camelot, nossa harmonia interna, definha. É interessante que o próprio Lancelot (o corpo) perde sua força por causa do arrependimento que sente. Podemos notar isso em nossas vidas quando estamos em um conflito interno, quando não fazemos aquilo que a nossa consciência nos pede, é como se estivéssemos traindo a nós mesmos, por isso nos sentimos fracos, sem energia e sem ânimo para nada… Nos tornamos o Lancelot sem rei, um cavaleiro que tem o potencial para vencer todas as batalhas, mas fica perdido, vagando por aí como um coitado, sem motivação para nada, pois perdeu o seu sentido de vida.

 

Muita coisa se passa até a parte final do mito, quando Arthur, agonizante no campo de batalha, traído pelo seu filho com sua meia irmã Morgana, decide jogar Excalibur, a espada da Vontade Humana, no meio de um lago. A água é tradicionalmente conhecida como símbolo do mundo material. E a espada ficará lá até que, novamente, algum ser humano seja capaz de portar novamente tal poder, ou seja, que seja capaz de se conectar com esta Vontade Espiritual e se tornar o novo Rei.

 

Nada mais belo e profundo para nos alertar sobre o quanto estamos mergulhados no materialismo. Ou seja, vemos as aparências das coisas e não suas essências, primamos pelo fugaz e não pelo eterno, estamos presos aos desejos e nem sequer sabemos o que é esta Vontade elevada que o Mito do Rei Arthur tanto nos fala.

 

Nós precisamos encarar tudo isso como uma realidade. Talvez seja muita ingenuidade entender isso tudo de forma literal, mas é preciso ver este mito e tirar Excalibur do lago. É preciso voltar a buscar esta harmonia interna. É preciso voltar a viver estes valores humanos que nos levam a um estado elevado de consciência, a Camelot. Isso tudo é real, e está dentro de nós.

 

 

 

 








 

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