A Princesa Isabel - Uma Heroína Esquecida

May 13, 2020

 

Uma das figuras mais intrigantes da história brasileira, a Princesa Isabel, era extremamente poderosa e ao mesmo tempo muito simples. Se por um lado era a herdeira direta na linha de sucessão do trono brasileiro, e assumia o comando da nação sempre que seu pai, O Imperador D. Pedro II, viajava, por outro, era uma senhora pacata, discreta, dona de casa, mãe de três filhos, e ainda havia sofrido dois abortos espontâneos e um parto de uma criança natimorta. Mantinha-se em geral distante dos despachos imperiais, mas nas três vezes que assumiu interinamente a regência do país, tomou decisões que mudaram a história.

 

Católica, muito fiel ao Papa, conservadora, mas ao mesmo tempo abolicionista, iluminista, com intensa formação intelectual nas mais diversas áreas do conhecimento como  literatura, astronomia, química,  economia política, geografia, geologia entre outras, falava fluentemente francês, inglês e alemão. Extremamente amada pelo povo, e extremamente odiada pelos republicanos.

 

Sancionou as principais leis que puseram um ponto final na escravatura, a Lei do Ventre Livre, que alforriava toda criança nascida de pais escravos e, posteriormente, a Lei Áurea que aboliu definitivamente a escravidão em 13 de maio de 1888. Essa atitude desencadeou um ódio mortal nos fazendeiros donos de escravos, levando-os a apoiar o fim da monarquia e permitir a ascensão dos republicanos, que ao tomarem o poder, acabaram com o império através de um golpe militar, submetendo cruelmente toda a família imperial à pena de banimento do país, e ainda cortando todas as suas pensões financeiras. Sem pátria e sem renda, toda a família, inclusive o Imperador D. Pedro II e a Imperatriz Teresa Cristina, que veio a falecer semanas depois da expulsão do país, tiveram que ser socorridos financeiramente pela família do cônjuge da Princesa Isabel, o Conde d’Eu. Do contrário não teriam onde morar e nem o que comer.

 

 

A história pessoal dessa princesa revela muito sobre como a ideia do republicanismo foi utilizada ideologicamente por uma elite para depreciar o Império, destruir o regime e tomar o poder, mesmo que isso não encontrasse nenhuma concordância com os interesses da maioria do povo brasileiro. A sua biografia revela também o quanto somos injustos com nossa própria história, mostra como tratamos de forma negligente e desrespeitosa nossos símbolos e nossa identidade de povo e nação.

Mesmo sendo tão injustiçado, o Imperador não queria ver uma guerra civil sendo travada entre os filhos da mesma pátria, por isso desestimulou aqueles que estavam prontos para lutar para a manutenção da monarquia. A nossa princesa também não fez resistência, não incitou nenhum movimento de retomada do poder, acolheu resignadamente o curso da História, deixando sua pátria com “o coração despedaçado de tristeza por estar deixando o país que amava tanto” como escreveu em seu diário.

Somente 32 anos depois é que a República retirou o banimento, mas não tinha mais como a princesa voltar, pois já estava em seu leito de morte.

 

Os sofrimentos que a estupidez do governo brasileiro lhe provocaram eram irreparáveis: no exílio, viu falecer primeiro sua mãe, nas primeiras semanas após a sofrida viagem marítima até Lisboa; Depois seu pai, o Imperador D. Pedro II, em Paris, que morreu em um hotel barato onde morava com as despesas pagas pela família do Conde D’Eu; Depois, em 1915, amargou o falecimento do seu filho mais novo, Antônio, que fora recrutado para a I Guerra Mundial e morreu dos ferimentos causados por um acidente aéreo, e em 1920 enterrou seu segundo filho, morto depois de sofrer com uma longa doença.  

 

Exilada, longe do seu país, padecendo por perdas sucessivas de pessoas que amava tanto, a princesa foi adoecendo gradativamente, perdeu a mobilidade das pernas, vindo a falecer aos 75 anos, em 14 de novembro de 1921.

 

 

A história da princesa Isabel é a história da indignidade de um povo frente à sua própria memória. É a história da desconstrução de uma identidade nacional, do desprezo de um símbolo. Que efeitos morais e civilizatórios recebemos como resultado desse desprezo e desse antagonismo que o espírito revolucionário nos incutiu pela história imperial do nosso país? O que ganhamos em desmitificar nossos reis e nossos heróis? Talvez esteja na hora de nos reposicionarmos diante da nossa própria história. Devemos reconhecer e resgatar a grandeza desses personagens e de suas contribuições, não por eles, pois nada mais podem receber, mas sim pela nossa pátria, para que tenhamos símbolos, referenciais de virtude, que sirvam de inspiração aos nossos jovens e a todos os brasileiros.

 

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