Curta - Alike, Escolhas da vida

May 7, 2020

 

Numa sociedade onde os valores econômicos se sobrepõem aos valores humanos, todas as formas de organização e estrutura sociais tendem a ser resumidas a números: notas, salários, porcentagens, etc. Nesse sentido, a educação e o processo de formação dos indivíduos acabam se pautando por valores quantitativos e não qualitativos. Negar a importância dos processos subjetivos e não mensuráveis como os sentimentos e as emoções, que são características intrinsecamente humanas, é muito prejudicial para a formação das pessoas, e pode reduzi-las à máquinas. Isso pode trazer estados de sofrimentos e traumas, proporcionando uma série de doenças emocionais e físicas.

 

O curta de animação lançado em 2015, de aproximadamente oito minutos, intitulado por “Alike” (Original), e dirigido pelos espanhóis Daniel Martínez e Rafa Cano Méndez, nos traz uma reflexão sobre duas percepções de mundo,  a primeira é representada pelo pai, que dentro de uma sociedade ritmada pela rotina de uma alta produtividade no trabalho e uma formação rígida escolar, expressa através de imagens em cores desbotadas, paisagens monótonas ou sem vida. Em contrapartida, a segunda visão de mundo é representada pelo filho, com cores vivas e movimentos harmônicos, revelando um cotidiano doce e puro pautado pela arte, pela beleza, pelos sentimentos e pelo pulsar energético que só as crianças, ainda não condicionadas por esta sociedade mecanizada, podem nos revelar.

 

 

 

Durante todo o desenvolvimento da apresentação do vídeo, fala-se da história de um pai trabalhador que tem como objetivo formar e preparar o seu filho para o mundo padrão e sem cor, no qual todos estão inseridos. Essa missão exige responsabilidade e o dever de não fracassar diante do que a sociedade determinou como o “padrão”. Por sua vez, o modelo escolar adotado para o seu filho impõe à criança uma contundente supressão dos seus potenciais artísticos, criativos e o gosto pela as artes. E isso vai gerando um estado de sofrimento e dor que impacta diretamente o comportamento doce, puro e alegre da criança, chegando ao ponto de seu mundo começar a ficar descolorido como o do seu pai.

 

 

O curta metragem espanhol desperta em nós várias reflexões a respeito do perigo que pode ser um modelo social que priorize apenas as capacidades e habilidades técnicas das pessoas. É preciso formar e educar os indivíduos para darem respostas à vida e não apenas a determinado campo específico, educação humana é diferente de adestramento ou de programação de máquinas, pois os indivíduos têm necessidades que estão para além das físicas. Na sociedade atual, aprendemos a manejar nosso corpo, mas pouco conhecemos sobre a nossa psique, que assim como o físico, necessita ser formada e direcionada. Vivemos numa cultura em que é normal ensinar as crianças desde cedo a escovarem os dentes após as refeições, lavar as mãos após brincar com coisas sujas… Mas o que dizer, por exemplo, de nossa impotência diante de um sentimento de frustração? Ou como lidar com a dor da perda de alguém que amamos? Ou mesmo, por que nos parece ser tão difícil o controle de um impulso de tristeza ou de violência? Qual matéria na escola nos ensina isso? 

 

 

Na verdade, as respostas para essas perguntas se esbarram num total desconhecimento de nosso “corpo emocional”, que apesar de desconhecido, não deixa de exercer uma força violenta sobre as nossas ações. E, ainda assim, é um aspecto humano ainda muito negligenciado dentro de uma sociedade que equipara o indivíduo a uma máquina produtiva diante das demandas materiais.  

Por fim, é relevante ressaltar que a produção espanhola de maneira brilhante nos faz lembrar que estamos crucificados entre as duas visões de mundo citadas acima... Em alguns momentos, assumimos o papel do pai, guiado pela necessidade de pagar contas, sobreviver e seguir os padrões sociais, mas em outros momentos, assumimos a condição do filho porque sentimos uma necessidade real de um mundo mais colorido, mais harmônico e ritmado pela a música da vida que queremos dançar, por vezes, rodopiar e fazer as acrobacias mais fantásticas e engraçadas que se possa aceitar. Não se trata aqui de negar as necessidades reais de uma existência social ou de abrir mão das responsabilidades que elas nos conferem. Porém, é preciso sonhar com uma educação advinda de uma sociedade que forje indivíduos em sua completude, resgatando aquela chama divina que brilha no interior de cada um. É preciso preservar a pureza no olhar e a curiosidade das nossas crianças internas, que se negaram aos condicionamentos sociais impostos por um mundo insensível à beleza das coisas mais simples. Precisamos atar as duas pontas e unificar as necessidades existenciais a uma vivência que resgate o que há de mais humano em nós, buscando superar esse estado de “coisificação” que domina os homens hoje em dia.

 

 

Então, é importante refletir todos os dias: “Hoje preciso trabalhar para sobreviver, mas o que farei para manter viva a criança dentro de mim?.

 

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