MATÉRIA ESCURA

April 30, 2020

 

Não podemos vê-la, ou percebê-la através de quaisquer de nossos sentidos ou tecnologias atuais, no entanto, sabemos que ela existe, e temos uma ligeira ideia de como se comporta. A matéria escura é um mistério que intriga a astrofísica, e serve para explicar porque a lei da gravidade de Newton não se comporta como deveria em ambientes cósmicos supostamente menos densos que o centro de uma galáxia, por exemplo. Mas não se preocupe, é fácil darmos um nó nas ideias quando falamos de algo que não sabemos o que é, mas tudo isso é muito mais simples do que pode parecer à princípio.

 

A Lei da Gravitação Universal de Newton fala da atração que todos os corpos exercem sobre outros em relação à sua massa e à distância entre si. A história conta que o astrônomo britânico estava sentado à sombra de uma árvore na Universidade de Cambridge, quando uma maçã caiu em sua cabeça, e lhe fez entender a gravidade. A maçã não apenas caiu dos três ou quatro metros de altura, mas, na verdade foi atraída pela Terra, encontrando com a cabeça de Newton no caminho. Segundo os cálculos desenvolvidos a partir dali, se a maçã se desprendesse de uma árvore na Lua, não seria atraída da mesma forma para a Terra, pois a enorme distância reduziria sensivelmente esse efeito. Assim funcionava com uma fruta, da mesma forma que funcionaria com uma galáxia. Era o que Newton pensava até então.

 

Como mostrado no vídeo, pesquisadores das primeiras décadas do século vinte perceberam que estrelas mais distantes do centro das galáxias, que deveriam realizar uma órbita mais lenta do que as que estavam mais próximas, na verdade se movimentavam de maneira muito mais rápida do que o previsto. As lentes dos telescópios mais potentes, porém, não enxergavam nada de anormal. É aí que o que parece complicado, começa a se tornar bem mais simples.

Se olhamos para uma foto em que as pessoas nela usam casacos e luvas, não é realmente necessário ter estado lá, ou mesmo saber onde foi tirada, para supor que o lugar estava frio no momento. Se pudermos ver os galhos de uma árvore inclinados numa mesma direção, somos capazes ainda de deduzir que havia bastante vento, por exemplo.

 

 

É possível, então, através do comportamento das estrelas e dos planetas, perceber que algo até então ausente na equação gravitacional influenciava sua movimentação, e a isso se deu o nome de matéria escura, já que não era visível por não interagir com a luz. Como o Universo é gigantesco, e ainda não temos tecnologia suficiente para alcançar de fato todos os seus limites, muitas descobertas astronômicas são realizadas dessa forma, ou seja, não através da observação direta do fenômeno em si, mas através da percepção dos distúrbios sofridos por tudo que o cerca.

Assim como quando entramos em uma sala e nos deparamos com pessoas em silêncio, olhando para horizontes distintos, e sentimos como se houvesse um desconforto, como se o clima estivesse mais pesado, não é preciso saber o que aconteceu, para que nossa empatia nos diga que alguma situação desagradável aconteceu ali. Do contrário, se entramos na mesma sala e encontramos as mesmas pessoas, dessa vez rindo, falando alto e se abraçando, é fácil perceber que provavelmente algo está sendo comemorado.

O Universo, como já supuseram os gregos há alguns milhares de anos, e certamente outras civilizações antes deles, é repleto de mistérios que ainda não podemos entender dado nosso grau de evolução, mas, cujas repercussões não podemos ignorar. Se não compreendemos bem a ideia da Justiça, podemos ainda assim nos dar conta quando presenciamos uma situação injusta. Podemos não entender profundamente o que é o Amor, mas, não é difícil reconhecer a relação especial que uma mãe tem com seus filhos, e perceber que outras pessoas além de nós também são capazes de reconhecer esse fenômeno, pois são semelhantemente impactadas por essa força.

 

 

Assim como uma maçã é capaz, de alguma forma, de nos conectar com os maiores segredos do cosmos, o que fazemos no dia a dia repercute em tudo e em todos que nos cercam, desde as atitudes mais insignificantes, até os desdobramentos mais desastrosos. Quando um amigo ou parente recebe uma notícia ruim, ou presencia algo que lhe provoca algum desequilíbrio emocional, estamos sujeitos a sermos atraídos por essa “massa gravitacional” de emoções. Ficamos tristes, com raiva, ou mesmo desiludidos, só por termos tido contato com alguém num desses estados. Por outro lado, quando as pessoas estão felizes, também podemos, inconscientemente ou não, alegrar-nos um pouco mais e aos que estão à nossa volta.

Assim como a gravidade, atraímos tudo aquilo que está à nossa volta, e também somos atraídos de volta. Mas não somos simplesmente consequência dessas forças externas que nos influenciam. Assim como essa matéria escura gera uma força que ninguém sabe de onde vêm, dentro de nós também existe uma grande e misteriosa força que chamamos de Vontade. Se o mundo me pressiona diariamente com forças destrutivas, de vulgaridade e desarmonia, eu devo exercer uma força muito maior, mais significativa, em direção a tudo aquilo que é bom, belo ou justo.

Não é preciso entender todos os mistérios do Universo para ser o melhor que podemos ser. Basta ter Boa Vontade para investigar as forças que ainda são desconhecidas, mas que sabemos que existe, e usá-las para orbitar virtudes ao invés de vícios. E, acima de tudo, simplesmente fazer o Bem.

 

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