Nossas Semelhanças e Diferenças com os Animais

April 21, 2020

 

 

É incrível a semelhança das expressões de afetividade que alguns animais parecem ter, que são próximas às características humanas. As pesquisas científicas no campo da evolução biológica ou estudos na área comportamental apontam resultados reforçando as similaridades entre as emoções humanas e de outros animais. A cada novo resultado, descobre-se que a capacidade de sentir prazer, dor ou medo não é exclusiva dos seres humanos. Essas emoções são, na verdade, necessárias à sobrevivência dos seres das mais variadas espécies. A inteligência emocional de alguns bichos, especialmente a dos mamíferos, demonstra que eles possuem um sistema nervoso que tem semelhanças impressionantes com o dos humanos, e isso possibilita a demonstração de vários fenômenos afetivos. Por exemplo, o sentimento materno das mães primatas (chimpanzé) que já foi demonstrado pela ciência em diversos estudos. Porém, até que ponto se dá essas semelhanças?

 

 

Vários vídeos estão disponibilizados na internet em plataformas de compartilhamento de imagem e som, por exemplo, e em um deles, mostra a história de um macaquinho de aproximadamente um ano de idade, sendo devolvido à sua família depois de um tempo afastado para cuidar de um machucado na perna. As cenas que seguem são demonstrações de puro afeto entre ele, a sua mãe e os demais membros. Ao perceber que estava livre, e ao reconhecer a sua família, o bebê macaco corre como uma criança para sentir o calor e a proteção de sua mãe e fica grudadinho nela como se quisesse ter a certeza que, realmente, ali era o melhor lugar do mundo para ele estar. Ao olharmos o encadeamento das cenas, podemos chegar até a sentir a emoção do macaquinho bebê e da sua mãe, e esse sentimento nos torna mais próximos do que distantes dessa espécie.
 
 
Uma pesquisa realizada em 2012 pela revista “Science” descobriu as semelhanças na audição dos gafanhotos com a dos humanos. Segundo o estudo, assim como nos seres humanos, os ouvidos dos gafanhotos possuem tímpanos, possuem também um sistema ósseo de alavanca, que faz com que as vibrações sejam amplificadas, e uma vesícula que contém um líquido, local onde ficam as células sensoriais que transmitem as informações sonoras ao sistema nervoso. A Universidade McGill e a Universidade de British Columbia, em uma pesquisa com ratos em 2010, concluíram que, assim como os humanos, eles fazem caretas quando são submetidos à dor. Outros estudos desenvolvidos em Yerkes Primate Center, em Atlanta, nos Estados Unidos, apontam que os macacos-prego conseguem ter sentimentos próximos ao senso de justiça, e se juntam quando se se sentem injustiçados. Em seu livro, A Inteligência Emocional, Pablo Herreros, o sociólogo, antropólogo e divulgador científico espanhol, especializado em primatas, aborda sobre os vários exemplos de amor materno de animais que cuidaram de suas crias com tanto carinho e dedicação como faria um humano. Isso revela a larga literatura acerca do tema, comprovando as semelhanças existentes entre humanos e animais.

 

 

 

Entretanto, nem precisamos analisar os estudos científicos para perceber a variedade de emoções expressas pelos animais, basta prestarmos atenção aos nossos bichos de estimação, em seus comportamentos diários que, certamente, teremos inúmeros exemplos para partilhar. Quem de nós já viu um animal se esconder de seu dono depois de fazer uma traquinagem? Ou então, quem já presenciou a tristeza profunda de um animal com saudades de seus donos? Ou ainda, a felicidade de rever os seus donos depois de longos dias de distanciamento?  Ciúmes, expressões de prazer, de dor ou de medo são reveladas por nossos bichinhos através de seus estados emocionais, que chegam a nos deixar perplexos. O vínculo afetivo estabelecido entre os animais e o ser humano possibilita um crescimento e uma troca mútua de afeto. Mas ainda assim, as possíveis semelhanças devem nos alertar para um detalhe importante: sentir emoções é diferente de possuir sentimentos e, talvez, as nossas semelhanças com os demais mamíferos sejam limitadas até esse ponto.

Diante dos vários exemplos citados acima, é um fato que compartilhamos com os animais os instintos de sobrevivência, as sensações de medo, os prazeres ou dores, porque isso faz parte de uma evolução comum com os outros seres, daí deriva a proximidade dos sistemas nervosos. Entretanto, quando se trata da expressão de sentimentos elevados, estamos falando de fenômenos afetivos de uma natureza superior, ou seja, afetos duradouros assentados em bases conscientes que nos permitem uma experiência autêntica e contínua. São sentimentos como o de contemplação de algo sublime, o sentimento de dever cumprido, ou mesmo aquele sentimento místico alcançado somente por experiências religiosas muito profundas.

 

 

Segundo algumas tradições filosóficas, ter sentimentos nos exige muito trabalho e esforço para possuir e desenvolvê-los.  E isso, dentre todos os seres, só pode ser exercido pelo livre arbítrio humano, ou seja, o homem, diferente dos animais, pode escolher viver apenas emoções ou sensações ou pode escolher viver sentimentos profundos, que surgem somente com a escolha consciente de se cultivar o verdadeiro Amor, o Bem e a Justiça, por exemplo. 

Então, nós como seres humanos, podemos ter a mesma experiência dos animais, tendo as mesmas emoções: sentindo o prazer com o alimento, com o conforto e com o sexo; fugindo daquilo que nos dá medo; sentindo a sensação de segurança em nossas residências... E nada disso é ruim, na verdade é tudo muito bom. Inclusive, como vimos acima, os animais têm experiências muito inspiradoras, como a da mãe que reencontra o filho, e tanto para os animais como para os humanos, isso é muito bonito. Mas ainda é puramente instintivo, pois é uma expressão do instinto de procriação da espécie. É natural que toda mãe ame a sua cria e até mesmo sacrifique a sua própria vida por ela. O que transforma este amor materno, numa verdadeira experiência Humana, é quando ele se transmuta num Amor não somente pela sua cria, mas por toda a Humanidade. Claro que isso, para nós, é uma meta distante: “amar a todos!”, mas não foi este o ensinamento deixado por tantos mestres?

 

 

Assim, a nossa decisão pode nos levar a dois caminhos, e ambos nos trarão compromissos - se escolhermos apenas sentir emoções de tipo instintiva, estaremos comprometidos somente com a nossa parte animal. O que tem o seu lado bom, porém é muito restrito e limitado. Mas se escolhermos, como seres humanos que somos, desenvolver todos os sentimentos profundos que são expressão do verdadeiro Amor, sem distinção de etnia, credo ou nacionalidade, podemos nos assemelhar àqueles tantos santos e heróis representados nos mitos, e quem sabe,  nos aproximaremos de Deus, ou dos seres divinos que tanto nos inspiram e nos conduzem na busca de uma vida mais harmônica, que é exatamente o que o mundo tanto precisa nos dias de hoje.

 

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