A Pergunta Mais Importante da sua Vida!

March 10, 2020

 

 

 

Se tem uma característica que marca o Ser humano, a capacidade de fazer perguntas certamente está entre as mais destacadas. Somente o homem duvida. Somente o homem olha o céu e sonha em saber o que são aqueles pontos brilhantes na escura noite. E só a nós foi dada a capacidade de nos perguntarmos sobre nossas próprias entranhas, mergulhando num universo microscópico, atômico, quântico. Perguntas orientam toda a nossa história. Para respondê-las, criamos mil religiões diferentes, escrevemos milhares de linhas em todas as línguas que já existiram, inventamos métodos, tecnologias, morremos, criamos. Até onde sabemos, as rochas mantêm-se alheias a seus entornos, faça chuva, ou faça sol. Plantas tampouco se interessam em saber de onde vem a luz que as alimenta. E os animais estão ocupados demais em garantir sua própria sobrevivência, para refletir sobre uma maneira mais eficiente de dividir um pedaço de carne. É mesmo triste perceber que milhares de seres humanos passam a vida sem essa dádiva da dúvida e, tal como pedras, só resistem. Ou como vegetais, se contentam em ter o suficiente para crescer e multiplicar. Ou animalizam-se e, quer seja por problemas impostos por uma sociedade egoísta e desequilibrada, quer por dilemas internos de suas próprias mentes, levam a vida (melhor seria dizer que são por ela levados) com medo do que causa dor e desconforto, ou apegados e dependentes do que oferece alguma forma de prazer. Uma vida não questionada, não merece ser vivida, já nos advertiu o grande Sócrates, filósofo grego, imortalizado por seu discípulo Platão em diversos diálogos.

 

Nós vivemos de porquês, é verdade... E de tantas interrogações, será que haveria alguma que pudéssemos considerar como a mais importante de todas? Aquela para a qual dirigimos nossa vida, nossas ações e nossos recursos? Sócrates nos diz que tem a ver com a nossa busca pela felicidade. É como se estivéssemos todo o tempo que passamos nesse planeta nos perguntando como sermos felizes. E de fato, avaliamos nossas decisões nesses termos. Pensemos em alguém que comprou um carro, por exemplo. A próxima reflexão que ele fará é sobre como se sente após essa aquisição. Se pensar que está feliz, seguirá com seu possante por mais algum tempo. Se chegar à conclusão de que comprou gato por lebre, irá se desfazer da lata velha assim que tiver a primeira oportunidade. Mas, talvez haja outra pergunta tão importante quanto essa. E que pode inclusive colocar em perspectiva nosso conceito de felicidade. Voltemos ao exemplo animal. Se fosse possível questionar a uma zebra sobre o que ela precisa para ser feliz, sem embargos, podemos imaginar que ela diria: “Dai-me um pasto recheado, água e elimina os leões da savana”. Por que será que ela não pediria carros, joias, dinheiro ou outras coisas do tipo? É provável que dissesse isto porque é zebra e não tem escolha. Nas palavras do filósofo veneziano Pico Della Mirandola em seu Discurso sobre a Dignidade do Homem: 

 

“Os animais, logo que nascem, diz Lucílio, trazem consigo do útero de sua mãe tudo aquilo que possuirão. Os espíritos superiores se tornaram, desde o princípio ou logo depois, aquilo que serão nas eternidades perpétuas.”

 

Para este jovem gênio, cada ser que há no Universo possui em si o gérmen do que é e será por toda a vida. Com exceção de nós, seres humanos.

 

 

Ao nascer o Homem, o Pai lhe infundiu todos os tipos de sementes e germes de todas as espécies vivas. E elas hão de crescer naquele que as tiver cultivado e nele darão seus frutos. Se forem vegetais, tornar-se-á uma planta; se sensuais, se animalizará; se racionais, se transformará num animal celeste; se intelectuais, será um anjo e filho de Deus. E se, não contente com o destino de nenhuma criatura, ele se recolher no centro da sua unidade, poderá se tornar um só espírito com Deus, na escuridão solitária do Pai que está além de tudo, transcendendo assim a todas as criaturas.

 

Dessa forma, cabe a cada homem e mulher escolher quem será, e daqui partirão todas as demais respostas. No fim das contas, só uma pergunta parece que realmente importa: Quem sou eu? Por favor, não responda tão apressadamente a esta indagação. Dela depende toda a felicidade, toda a harmonia da vida em sociedade e com a Natureza.

 

 

Platão nos disse: Não há nada bom nem mau a não ser estas duas coisas: a sabedoria que é um bem e a ignorância que é um mal. Nós diríamos que a maior das ignorâncias é não saber quem se é. Frequentemente pensamos que somos os papéis que representamos:  – Sou um médico respeitado, disse aquele. – Sou uma mãe amorosa, disse a outra. E geralmente é assim que respondemos a esta questão. Se alguém nos pergunta quem somos, damos nosso nome, onde moramos, nossa profissão e as características de nosso entorno (família, estudos, etc). Mas, propomos ir mais além da casca de nossas personalidades. Pense no mais íntimo de seu ser e averigue que traços o definem. Se olhar com cuidado, achará entre uma pilha de vaidade e os entulhos de traumas do passado, uma virtude brilhante como as estrelas. Há aqueles para os quais a Bondade é algo imprescindível. Quem chega esta conclusão, não pode mais viver sem ela, tal como quem viu algo, não pode apagar do cérebro as imagens captadas. O máximo que conseguirá, é ignorar a voz em sua consciência, lhe cobrando Bondade a cada ação, pensamento e emoção. 

 

Alguns conseguem se fazer de surdos, mas se sobrar alguma porção de dignidade, viverão com o peso de carregarem uma máscara vinte e quatro horas. Outros tem isso tão fincados em seus corações que já não conseguem ser outras pessoas. Se lhes pedem um conselho, o dão amorosamente. Se lhes demandam pela capa, dá-lhes também a túnica, parafraseando uma frase cristã. Como Jean Valjean, protagonista do musical “Os Miseráveis”, inspirado no romance de Victor Hugo, que se passa na França. Ele é um homem condenado por roubar um pão para alimentar a sobrinha que estava morrendo. 

 

 

Acaba preso por vinte anos e numa sucessão de incríveis acontecimentos tem sua bondade colocada a prova a todo momento. Mesmo depois de solto, continua perseguido, forçado a assumir uma nova identidade, e a duras penas alcança algum sucesso material, tornando-se prefeito da cidade de Montreuil-sur-Mer. Até que o passado bate à porta, na figura de Javert, o inspetor de polícia que o descobre e denuncia às autoridades de Paris. Todavia, recebe como resposta que o criminoso Jean Valjean encontra-se preso e aguarda julgamento. Fiel a seus princípios, Javert confessa ao prefeito que o denunciou injustamente e pede para ser expulso da corporação. Jean encontra-se numa encruzilhada. Se ficar calado, um inocente vai para a prisão, mas ele se livra do seu algoz e enterra seu passado para sempre. Se falar, volta a cumprir pena de trabalhos forçados, dessa vez, até morrer. Se fosse você nessa hora, o que faria? Nosso herói, toma a decisão respondendo à pergunta, quem sou eu? A resposta que ele encontra, escavando no mais profundo dele mesmo é que ele é Bondade. E essa identidade lhe dá forças para fazer o impensável. Você pode ver o trecho do filme lançado em 2012 no fim deste texto e descobrir como Jean tratou desse assunto. E quem sabe você mesmo não possa fazer como ele. E sempre que a vida te pedir uma decisão, procure a resposta na pergunta mais importante da sua vida…

 

 

 

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