Tal Pai, Tal Filha

February 11, 2020

 

 

Quantas vidas podemos viver? Há quem diga que são inúmeras, mas, se temos consciência ou memória apenas da que estamos vivendo no momento, então, não importa quantas serão, na verdade, só uma temos o direito de viver. E quantos amores temos o direito de amar?

 

"Tal pai e tal filha", lançado pela Netflix em 2018, acontece diante de nós de maneira despretensiosa, enquanto nos identificamos, talvez não diretamente com seus personagens, mas certamente com suas escolhas.

 

 

 

O filme conta a história de uma jovem executiva de Nova Iorque, Rachel, devotada ao trabalho mais do que qualquer outra coisa. A história começa, para nós, na cerimônia de seu casamento, que termina de maneira infeliz quando seu noivo, Owen, decide deixá-la no altar, ao perceber que não poderia competir com o comportamento workaholic de sua futura esposa, quando a vê derrubar seu celular, escondido dentro do buquê. O relacionamento mais importante desse filme não é, entretanto, o do casal. Em meio aos convidados, Rachel vê seu pai, Harry, que foi ausente em sua vida quase inteira. Naquela mesma noite, Harry tenta reaproximar-se da filha, e ambos  acabam bêbados à bordo do cruzeiro que levaria Rachel e Owen em lua de mel. Sóbria, Rachel recorda de tudo que sentia por seu pai, por tê-la abandonado ainda criança. Mas o navio já havia zarpado, e não havia outros quartos disponíveis, então, foram forçados a conviver pelos próximos dias.

 

 

 

Durante a viagem, eles conhecem um grupo de casais em lua de mel, do qual fariam parte Rachel e Owen, se de fato tivessem se casado. Cada um em um estágio de vida e um contexto diferente. Um casal de idosos que comemora suas bodas como se fossem recém casados, outro casal que já havia se divorciado de outras pessoas, etc. A viagem mostra pra Rachel o quão apegada ela é ao seu senso de competitividade e busca constante por conquistas, vivendo sua vida para o trabalho, e não para as pessoas que a cercam e a amam. O passeio também mostra que Harry não é tão diferente de sua filha, mas que pode não ser tarde demais para mudar.

 

 

 

 

Se só podemos viver uma vida (por vez), porque dá-la para qualquer outra causa que não seja o amor? Também não podemos viver inúmeros amores, mas, podemos viver o mesmo amor que nos preenche, de forma maravilhosa, por todos ao nosso redor. Assim como Harry amava seu amigo e antigo sócio, com a força que só uma amizade verdadeira pode permitir, também se pode reconciliar um amor entre pai e filha, ou entre irmãos, ou mesmo entre recém conhecidos. 

 

 

 

 

O amor pode assumir diversas formas sem deixar de ser o que é. Às vezes transformamos o que achamos ser “amor” em ódio, mas na verdade era apenas paixão. Amor verdadeiro não morre, não degenera, não destrói. Este é um sentimento que não diminui, apenas é ofuscado por outras emoções mais viciosas, como a inveja, a luxúria, e mais uma lista enorme. 

 

Às vezes, também, sabendo que não podemos nos desfazer do amor, tentamos amassá-lo dentro de uma caixinha bem pequenininha e apertadinha, na espera de um dia esquecer que ele existe, ao invés de o observarmos, ouví-lo, e aprender com ele. Queremos amar, mas achamos que não devemos, seja porque nos sentimos usados, descartados ou pouco valorizados. 

 

O amor é capaz de curar qualquer coisa, desde que o deixemos fazer seu trabalho. Nosso papel, nesse caso, é impedir que a dúvida, o receio, o orgulho e outros intimidadores o atrapalhem. Quantas vezes brigamos com alguém, mas, na verdade queremos dizer que o amamos desde o começo? Não permita que nada se coloque à frente do sentimento puro, ele é a chave de todo relacionamento, como teria sido o de Rachel e Owen. Mas, esse não é o relacionamento mais importante do filme, como você já sabe. O que talvez não saiba, é que na verdade o que permitiu Rachel perceber tudo isso, e resgatar a tempo o amor por seu pai, e seu amor pela vida, foi sua relação consigo mesma. Não é possível amar ninguém, sem antes encontrarmos este sentimento dentro de nós mesmos.

 

 

 

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