A Sabedoria que perdemos do Antigo Egito

January 21, 2020

 

 

Acredita-se que entre os séculos VI e VII foi completamente destruído o maior centro intelectual do mundo na época, arquivo de centenas de milhares de papéis e outros materiais sobre tudo o que se havia aprendido até então. Deixaram assim de existir, não apenas as paredes e o teto da Biblioteca de Alexandria, mas principalmente todo o conhecimento que ela guardava. As versões mais aceitas sobre a destruição dessa biblioteca egípcia, contam que a disputa dos diversos grupos interessados na região, como cristãos, romanos ou muçulmanos, realizaram pouco a pouco o desmonte de partes menores de seu acervo durante batalhas intermináveis. A destruição total, entretanto, é normalmente atribuída a um incêndio que teria sido provocado em um dos inúmeros conflitos travados em Alexandria. Se ainda não é possível determinar o responsável pelo fim da biblioteca, certamente é possível perceber a lástima em que o mundo foi atirado por conta disso. Estima-se que lá poderiam ser encontrados documentos muito importantes que explicariam, por exemplo, a construção das grandes pirâmides. Se supõe também que lá existiam obras explicando a relação curiosa que os egípcios antigos haviam encontrado entre o mofo e a medicina, coisa que Alexander Fleming redescobriu por acaso somente em 1928, quando identificou o poder antibiótico da Penicilina.

 

 

Essa era em que vivemos é uma era de grandes avanços em vários campos que interessam à humanidade, principalmente no que diz respeito à tecnologia e seus desdobramentos em outras áreas, como a física, a computação, ou a automobilística. Já é possível para um cidadão comum adquirir um carro capaz de conduzir seus passageiros em segurança, sem que o motorista precise guiá-lo durante todo o trajeto, utilizando sistemas ultra sofisticados de auto pilotagem. As gerações mais novas já têm dificuldade de entender como viviam seus pais e avós em um mundo sem internet ou computadores, por exemplo. A internet tornou-se a Alexandria de nosso tempo.

 

 

Antes da tecnologia moderna, entretanto, muitas descobertas e avanços eram feitos exclusivamente através da observação de alguns cientistas bastante atentos ao que acontecia à sua volta. Até perto do início do século XX, não era comum que médicos lavassem as mãos para atender seus pacientes, acontecendo casos - com bastante frequência, inclusive - em que o profissional realizaria um parto logo após ter concluído uma autópsia, sem qualquer asseio. Parece inacreditável, mas isso foi uma realidade particularmente assustadora na Europa, onde o experiente médico Húngaro, Ignaz Semmelweis, percebeu que a mortalidade por infecção entre parturientes atendidas por médicos que também tratavam outros tipos de pacientes, era significativamente maior que aquela percebida entre as mães atendidas por parteiras que realizavam exclusivamente essa atividade. Só depois da morte de Semmelweis, entusiastas do seu trabalho conseguiram convencer cada vez mais médicos a realizar a devida assepsia, já que a princípio eram contra o procedimento hoje indispensável de se lavar as mãos.

 

 

Assim também, por observação, foi a descoberta de um dos avanços científicos mais importantes da história da humanidade, e que garantiu a Alexander Fleming o prêmio nobel de medicina em 1945: A Penicilina. Ao sair de férias, Fleming esqueceu uma bandeja onde cultivava uma bactéria nociva às pessoas, estafilococos, desatendida sobre sua estação de trabalho, e quando retornou, percebeu que parte daquilo havia permitido o crescimento de mofo. Não haveria nada de anormal se ele não tivesse percebido que aquele mofo produziu uma substância, a Penicilina, que estava atacando e destruindo a bactéria. Dali, iniciou-se uma jornada de experimentos, testes, e um complicado esquema de produção que permitiu que a substância pudesse ser usada em pacientes para conter infecções e reduzir substancialmente o índice de mortes por complicações bacterianas. Vemos, assim, que a descoberta da penicilina é considerada feito recente em nossa história, mas, o que dizer então sobre o que os antigos egípcios, mais de três mil anos antes de cristo, haviam aprendido sobre a utilização de mel como antisséptico, ou a utilização de mofo e bolor para curar feridas?

 

O Egito possuía uma mitologia muito rica, cheia de simbolismos, que podem dar a impressão de que eram pessoas supersticiosas e sem conhecimento científico. Porém, a solução para as doenças costumava ser tratada com seriedade, de forma técnica e eficiente. Através dos processos de mumificação, foi possível aos sacerdotes entender mais sobre anatomia e técnicas cirúrgicas que perduram até os dias de hoje. Mais especificamente, descobriu-se arqueologicamente que os egípcios já sabiam que era possível deter o processo de infecção em alguns casos, através da aplicação de partes menos nocivas de bolor, o que chama a atenção para a semelhança com o processo de produção da Penicilina.

 

 

Muito sobre o Antigo Egito ainda incomoda os pesquisadores, que admitem tratar-se de uma civilização bastante avançada em seu tempo, mas, não encontram explicações para tudo com o que se deparam. Se o conhecimento sobre a Penicilina, mesmo que fosse arcaico, se perdeu junto com a Biblioteca de Alexandria e, sem ele, levamos milhares de anos para chegar aos mesmos resultados, o que mais aquelas estantes guardavam e até hoje somos ignorantes a respeito? Há quem jure que o Egito Antigo foi obra de civilizações alienígenas nos incentivando o desenvolvimento. Se for mesmo verdade, tomara que não seja preciso esperarmos outra visita lá de fora para retomarmos todo o conhecimento perdido. Mas se aprendermos a ter mais humildade e entendermos que aquilo que parece antigo e ridículo à primeira vista, pode guardar muita sabedoria, talvez possamos dispensar os ETs.

 

 

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