Professor: Um Plantador de Amor

October 15, 2019



 

 (Créditos: Escola Adventista) 

 

Como podemos nomear a relação entre duas pessoas em que uma dá o melhor de si para que a outra cresça? Uma relação baseada na confiança e no afeto. Uma relação em que um dos envolvidos abre as portas dos mistérios da vida para que o outro possa entrar numa nova terra de possibilidades. De fato, nossa língua não parece ter mais um substantivo, um nome que descreva uma relação tão profunda quanto essa. Esse é um dos defeitos de nossa contemporaneidade, do nosso tempo histórico: perdemos palavras e com elas os significados e sentidos, as ideias. Mas, fugimos do assunto, desculpem-nos. Ainda buscamos uma forma de expressar esse encontro. Imaginem passar a vida inteira aprendendo e dedicar isso como uma oferta para alguém com quem não se compartilha laços sanguíneos? Como chamamos isso?! Os mais modernos chamam de relação estritamente profissional baseada na vontade de receber algum dinheiro. Os mais idealistas chamam de vocação. Vocação vem do Latim, Vocatio, que significa chamado, acrescido do sufixo -onis, que tem função aumentativa. Vocação, então, seria esse grande chamado. Que de tão imenso, só pode vir da alma. Dessa fonte inesgotável de Amor. Sim! Mas, que tipo de amor? Mais uma vez nossa escassez de palavras limita a expressão de nossos pensamentos. Nisso os gregos tinham uma vantagem em relação a gente. Possuíam três palavras para o amor. Bom, se não a temos, vamos inventá-la! Talvez, devêssemos chamar de amor-dação, pelo fato que citamos anteriormente, mas pensemos melhor. Se um desavisado esquecer o hífen, teríamos “amordação”, que nos remete ao ato de colocar mordaças, de censurar. Esse não seria um risco aceitável para correr na definição desta relação tão bela. E se chamássemos de ocupação sagrada? Uma vez que, de fato, a tarefa de guiar um ser humano na formação de sua própria humanidade é uma das tarefas das mais sublimes. Se concordarmos que essa é uma boa definição, então, já temos uma palavra para esse sacro ofício: “Sacrifício”! Essa palavra que já perdeu muito de sua ideia original, é verdade, antigamente estava relacionada a realização de um certo tipo de ação ritual para agradar a Deus. Você deve lembrar de Abraão levando seu filho Isaque para o alto da montanha. Ou dos gregos que não iniciavam nenhuma tarefa sem antes oferecer seus sacrifícios aos deuses. Hoje é usada como sinônimo de tortura, obrigação danosa ou esforço doloroso. Mas, o sacrifício como entendiam os antigos, aquele que nos faz oferecer o que temos de melhor para o sagrado, é uma Lei da Natureza. Dessa mesma forma, as árvores oferecem seus frutos em sacrifício para alimentar outros seres. As mães se sacrificam para seus filhos. Assim, também, nessa relação, um sacrifica a si mesmo para que outro suba mais um degrau na sua evolução. No final das contas, inventar palavras nem era mesmo necessário. O que precisávamos era voltar a entender aquelas que já nos ensinaram... 

 

Aquele que dá de si, aquele que nos guia na nossa evolução, aquele que abre as portas da vida, aquele que ama e sacrifica-se por nós, nos permitindo trazer a tona nossas potencialidades e ser a expressão mais bela que podemos ser nesta vida tem um nome: PROFESSOR. Se nós hoje escrevemos e você nos lê, é porque tivemos um encontro do tipo que descrevemos no início do texto. E se eles nos ensinaram algo, é porque também tiveram seus professores. Essa é uma cadeia que se estende até o início dos tempos. Professor e aluno. Mestre e discípulo. Dois dos personagens desse teatro da vida, que todas as pessoas, sem exceção, encenaram ou encenarão em algum momento.  

 (Créditos: Professores do Sucesso)

 

Mas, há entre nós aqueles que dedicam todos os seus dias a esta arte. Que encontraram nessa ocupação uma forma de viver a vida. Que acordam todos os dias de manhã e saem correndo para encontrar seus pequenos buscadores. Mas, antes precisam deixar a casa arrumada, o filho na escola... Que à noite, cansados, ainda têm que dedicar um tempinho para planejar a atividade do dia seguinte. Se você é um desses heróis, ou heroínas que não só faz tudo isso, mas ainda se encanta com a possibilidade de marcar a vida de alguém; que quando encontra um ex-aluno feliz, crescido, estufa o peito com a sensação de dever cumprido; que quando vê um ex-aluno perdido, vagando pela vida sem direção, chora a perda de um filho precoce; se sente no seu peito a ternura de guiar os passos de alguém que aprende a ser gente com você; se é impulsionado pelo amor e pela generosidade que nos faz vencer os desafios de uma sociedade injusta e ingrata… Então, receba nossa homenagem.  

 

“Ao ensinar, o Mestre orienta seus alunos sem arrastá-los; convida-os a avançar mas não os coage; abre-lhes caminhos mas não os força a caminhar. Orientando sem arrastar, torna o aprendizado agradável; convidando sem coagir, torna o aprendizado fácil; abrindo caminho sem forçar a caminhada, faz com que seus alunos pensem por si mesmos. Ora, alguém que torne agradável e fácil o aprendizado, e faz com que os estudantes pensem por si mesmos será o que se pode chamar de um bom professor”. (Confúcio, Liji – Recordações dos Rituais, 18) 

 

 

Seres humanos são feitos de humanidade. E se você tomou partido nessa aventura de compartilhar um pouco da sua própria humanidade com alguém, você é um tesouro. Mas, tome cuidado! Cada um só pode dar o que tem. Dessa forma, se você só tem as letras para oferecer, fará um grande bem para seus estudantes. Mas, nesta oferta, eles também coletarão suas emoções, suas ideias sobre a vida, suas intenções. Se tu queres que eles colham teus mais belos frutos, então cuida do teu próprio jardim. Planta a semente da humanidade em ti mesmo. Humanidade, como pensou Platão, grande filósofo grego, entendida como uma busca sincera pela expressão mais bela, boa e justa de sua própria vida. Faça mais este sacrifício: plante a semente da virtude em seu coração, como uma fé no ser humano e a regue com sentimentos nobres de amor à dignidade, à tolerância, à generosidade, à justiça, à bondade e à beleza. Colherás não somente frutos para iluminar teus alunos, mas tua própria vida pode ser transformada. E onde antes era deserto, castigado por anos a fio de pressão psicológica, estresse, desesperança, cansaço físico e mental, pode nascer um sentido novo, ou renovado, de viver a vida por um ideal. Aceita a caminhada como uma oportunidade de crescer. Luta o bom combate, não contra teus irmãos, mas por eles! Lembra-te que um dia tudo passa e quando restar apenas o que verdadeiramente é, poderás olhar a vida em perspectiva e serás, então, obrigado a se perguntar: eu melhorei a vida? Fiz meu papel de ser humano? 

 (Créditos: Escola Em Movimento)

 

Coube a você um dos papéis mais nobres e exigentes da epopeia humana, o de fazer parte de uma cadeia que não conseguimos enxergar onde começou, nem onde terminará. Não podemos encarar essa oportunidade apenas como uma forma de ganhar dinheiro. É uma chance, às vezes única, de acender um pequeno fogo no coração de homens e mulheres em formação. O fogo da Virtude, do gostar das coisas belas, boas e justas. Aproveitem essa chance! Reflita no seguinte: uma imensidão de variáveis teve que se harmonizar para que vocês dois se encontrassem nesse contexto. Se você tivesse errado mais uma questão na prova de ingresso para a faculdade... Se os pais de seu aluno não tivessem mudado para o bairro... Se você tivesse seguido a ideia da infância de se tornar astronauta... Se a morte, ou a doença tivessem beijado um de vocês no percurso... Mas, nada disso aconteceu e coube a vocês dois a escolha e o destino desse momento! Então, faça dele um encontro de transformação. Assim como os antigos alquimistas procuravam uma forma de fazer ouro a partir do chumbo, você professor deve buscar em cada aula uma forma de transformar homens de chumbo em homens de ouro! 

 

Talvez você não faça ideia, mas pode acender uma fogueira no peito de seu aluno, e esse fogo pode se alastrar e incendiar toda a humanidade! Um grande professor nascido num reino onde hoje se situa o Nepal, chamado Sidarta Gautama, começou em si mesmo essa transformação e depois passou a ensinar livremente o que aprendeu, e hoje suas palavras e lições são a base do Budismo, que está em todo o mundo. Um Cristo nazareno ensinou apenas doze bons homens e eles levaram sua mensagem revolucionando o mundo. Um grego nobre, chamado Platão, fundou uma Academia e nos deu tanta sabedoria que até hoje, 2.500 anos depois, continuamos aprendendo com ele. Confúcio, um sábio chinês escolheu a atividade de formador de homens como o seu caminho para cumprir seu papel na vida, e o seu trabalho foi responsável pela criação de uma grande nação. Você, professor, é herdeiro dessa estirpe, dessa linhagem. Olhe-se no espelho e sinta o orgulho e a responsabilidade disso! E fique com nosso “Muito Obrigado”, por cumprir a tarefa mais nobre dessa nossa saga humana. Todos os anos, no dia 15 de outubro, comemoramos um dia inteiro dedicado a você, professor. Nesta data, em 1827, Dom Pedro I, assinou o decreto imperial que criava o Ensino Elementar no país. Mas, só em 1963, seria oficializada no calendário brasileiro, no decreto federal que dizia: 

 

"Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias". 

 

Esse texto é a nossa solenidade. Receba-o como um presente de quem sabe que sem sua presença não seríamos quem somos, nem quem ainda poderemos ser.

 (Créditos: Pensador)

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