Quando me Amei de Verdade

October 1, 2019

 

 

 

Quando olhamos para a diversidade humana é muito comum que algumas pessoas passem por nós sem nos chamar tanta atenção, outras, ao contrário, nos imprimem um magnetismo que nos prendem para além do campo da visão, ficando gravadas em nossas mentes, como se representassem um símbolo mágico que muitas vezes convocamos para auxiliar em nossas decisões. Compreendido que cada pessoa, com sua individualidade e suas características, participa de um grande mosaico misterioso, formando uma Humanidade que existe e resiste atravessando o tempo, podemos compreender melhor quem nós somos e qual é o nosso papel no mundo.

E nessa grande epopéia de experiências e vivências, a Humanidade vai trilhando o seu caminho de evolução, aguardando pacientemente que cada indivíduo cumpra e faça valer a sua existência. Neste sentido, não existe receita pronta nem um caminho único  que deva ser trilhado por todos os homens... Cada pessoa precisa descobrir qual o seu rio que vai desaguar no mar. E nessas tentativas, há pessoas que vão expressar seu rio através de uma vida composta por notas musicais harmônicas, que se integram à melodia tocada por vários outros seres da história, como vários instrumentos em uma mesma sinfonia. Podemos citar vários exemplos, como Pitágoras, Platão, Plotino, que mesmo estando separados uns dos outros por séculos,  tocavam uma mesma “música”, de uma filosofia que busca a Virtude e os grandes Ideais. Na ciência, temos Eratóstenes (grego que foi capaz de medir a circunferência da Terra no século III a.c.), Galileu Galilei e Stephen Hawking, tocando a “música” do estudo dos mistérios da astronomia.

 

Há experiências vividas por indivíduos onde a capacidade de liderar e governar são tão intrínsecas à sua natureza que, muitas vezes, a vida os coloca à frente de grandes multidões e as conduzem, não como uma forma de manipulação, mas sim como uma forma de serviço, de fazer com que aquele grupo cumpra com o seu destino. Tivemos vários exemplos em nosso passado, como o faraó Ramsés, o general romano Júlio César, o líder africano Nelson Mandela, dentre outros. Vale ressaltar aqui também uma outra expressão dessa face humana, que vai experienciando essa evolução através da religião, no seu sentido mais profundo. Em geral, são mártires que, em nome de algo Sagrado, buscam religar o Ser Humano ao que há de mais divino dentro dele. E são essas pessoas que entregam suas vidas pela ideia do Bem, para que todos estejam inseridos e conectados a uma mesma fonte, gerando assim o sentimento de Fraternidade.

Ao olharmos essa humanidade como uma águia, que observa de cima um recorte dessa passagem humana, iremos perceber que apesar de diferentes tempos e culturas, há um fio invisível que perpassa todas as existências individuais, possibilitando o acúmulo de experiências que produzem o avanço da Humanidade como um todo. Mas, como e porquê para alguns encontrar o caminho, o rio que vai desaguar no grande oceano,  é aparentemente mais fácil do que para outros? O que nos diferencia uns dos outros?

 

 

 

(Créditos: jimmyadvocacia)

 

 

Algumas dessas respostas podemos encontrar se estivermos bem atentos às pistas que nos foram deixadas, por pessoas que expressaram em suas vidas uma busca genuína por percorrer o caminho do seu rio interno, para desaguar no oceano do Universo. O ator, produtor, humorista e escritor Charles Chaplin (1889 - 1977) nos presenteou com um  dos poemas que nos oferece uma fabulosa lição sobre o crescimento pessoal, “Quando me amei de verdade”. Longe de ser algo que se encerra em uma visão de autoajuda revestida de amor próprio. O poema é de uma profundidade que muito pode nos ajudar a encontrar o nosso caminho, nessa trilha humana ao lado dos demais. O poema também nos faz observar que, para trilhar qualquer caminho, precisamos ter clareza de quem nós somos. Pois, se não sei quem sou, facilmente posso me confundir e me identificar com algo que não me representa. Saber quem somos nos possibilita confiança no caminho e na aquisição da Vitória, principalmente, diante das adversidades.

O crescimento, em todos os níveis, precisa refletir maturidade e a compreensão de que tudo o que nos acontece, sejam os momentos bons ou os ruins, é motivo de agradecimento, pois é necessário para a nossa evolução. Essa condição nos ajuda a saber ver cada coisa, não como parte separada, mas sim integrada ao todo, como uma célula dentro do corpo.

 

Quando me amei de verdade
Charles Chaplin

 

                                                 (Créditos: Pensador)

 

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância eu estava no lugar correto e no momento preciso. E então, consegui relaxar. Hoje sei que isso tem nome… Autoestima.

Quando me amei de verdade, percebi que a minha angústia e o meu sofrimento emocional não são mais que sinais de que estou agindo contra as minhas próprias verdades. Hoje sei que isso é… Autenticidade.

Quando me amei de verdade, deixei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a perceber que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje sei que isso se chama… Maturidade.

Quando me amei de verdade, compreendi por que é ofensivo forçar uma situação ou uma pessoa só para alcançar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou que a pessoa (talvez eu mesmo) não está preparada. Hoje sei que isso se chama… Respeito.

Quando me amei de verdade, me libertei de tudo que não é saudável: pessoas e situações, tudo e qualquer coisa que me empurrasse para baixo. No início a minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que isso se chama… Amor por si mesmo.

Quando me amei de verdade, deixei de me preocupar por não ter tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os megaprojetos do futuro. Hoje faço o que acho correto, o que eu gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é… Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos. Assim descobri a… Humildade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Agora me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. E isso se chama… Plenitude.

Quando me amei de verdade, compreendi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, é uma aliada valiosa. E isso é… Saber viver!

 

De posse da consciência de qual o caminho seguir para encontrar o fluxo do rio que nos levará ao centro da Vida, perceberemos que as coisas são muito mais simples do que imaginamos, e iremos compreender que a maioria dos nossos problemas estão ligados aos nossos equívocos, e que muitas vezes não estamos com a razão... Na verdade, nunca estamos com a razão absoluta, pois esta não existe. Saber o nosso limite, o que nos compete e o que não nos compete, nos ajuda a olhar para o passado sem medo, ver o futuro sem ansiedades e focar no presente, o único tempo possível de atuar. Isso é plenitude. Como disse Chaplin, quando nos amamos de verdade, mente e coração caminham juntos como aliadas, e expressam o que há de mais eterno na humanidade: o Bem, a Beleza e a Justiça! Isso é saber Viver nas águas do nosso rio que deságua no mar do Universo.

 

 (Créditos: Islam em Português) 

 

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