O Menino e o Vento

August 27, 2019

 

Você já parou para pensar que grandes mudanças são iniciadas por indivíduos?


Durante toda a evolução humana houveram seres excepcionais dentro da sociedade e estes se tornaram modelos que qualquer um poderia seguir, ou seja, Heróis. Ao longo da história, vários desses modelos foram inseridos de diversas formas por grandes personalidades que compreenderam as leis da natureza, como Orfeu, ao nos trazer os mitos da Grécia, como Homero ao nos mostrar a Odisséia, e todos os heróis que conhecemos hoje em dia. 


Com o diretor Chiwetel Ejiofor, ao escrever o drama “O menino que descobriu o vento”, não foi diferente. William Kamkwamba (Maxwell Simba) era um garoto inteligentíssimo, autodidata, que descobriu um método de criar energia eólica no meio das terras secas do Malawi, de modo a garantir a irrigação das colheitas e a sobrevivência de uma população faminta e injustiçada. A obra, baseada num caso real, faz uma exaltação da importância dos estudos, da ecologia, da solidariedade, do senso de responsabilidade quanto à sociedade, da perseverança e da coragem daqueles que lutam por Justiça. Numa outra perspectiva, o filme nos mostra também o que acontece quando cedemos às nossas debilidades e permanecemos inertes. O indivíduo se torna um fruto do meio, o exato oposto do Herói, que é aquele que tem o poder da mudança sobre si mesmo e sobre a sociedade. 


Além destes pontos, é possível perceber que, devido à alta sensação de injustiça  gerada pela corrupção dos governantes que agem de forma egoísta e imoral, se torna notável a perda do senso de cidadania na população e uma consequente fragmentação da sociedade. O resultado disso é um aglomerado de pessoas que agem com os instintos e perdem o senso do que é o Ser Humano.
 

(Créditos: HUFFPOT Edition Br)

 

É possível perceber que o garoto William é direcionado para representar algo muito maior do que a si mesmo. Por esta razão, a história se transforma num grande tratado de valores morais e éticos, que o diretor acredita serem necessários a todas as pessoas. “Nós temos que garantir que as pessoas saibam o que está acontecendo aqui”, afirma a certa altura o personagem Trywell Kamkwamba, interpretado pelo próprio diretor, Chiwetel Ejiofor. O cineasta também acredita na necessidade da informação, tratando de explicar, aos olhos europeus e americanos, as consequências da miséria e da corrupção nos países africanos.
 
“O menino que descobriu o vento” funciona igualmente como uma fábula de precaução para avisar ao espectador o que acontecerá caso não coloquemos em prática os valores enunciados acima. Os símbolos são claros: o céu preto indica a chegada da chuva, mas também a tragédia na vida da família; enquanto o sol é apresentado numa fusão com os olhos do garoto, afinal, ele representa a esperança para o futuro. Não por acaso, uma das últimas frases pronunciadas no filme, acontece durante uma prece religiosa, onde a garota interrompe o momento com um “Vá para a escola”, indicando claramente que ela prefere acreditar nos conhecimentos científicos do irmão do que esperar pelo atendimento divino, nos remetendo a importância de fazer nossa parte antes de pedir algo a Deus. 


Isso não impede que o drama carregue o olhar solidário  ao nos expor a dor de um povo, tão presente em produções sobre catástrofes africanas. Assim como Hotel Ruanda e Rainha de Katwe, temos uma narrativa que nos leva a ver os personagens com carinho. A descoberta do método de irrigação é mérito da genialidade de William, mas os letreiros finais tratam de avisar que ele saiu do país em busca de uma educação mais especializada, pois mesmo os gênios precisam de mestres para continuar aprendendo. Por outro lado, a sua história nos ensina que não é necessário ter um conhecimento absurdo para se fazer grandes ações, nem uma sabedoria tão vasta para ajudar quem está um pouco atrás de nós. E como fim, esse projeto trouxe muita ênfase de que não viemos ao mundo para fazer coisas, viemos para melhorar a nós mesmos, para nos tornar verdadeiramente Humanos. E as coisas que são feitas, só tem valor na medida que servem para ajudar as pessoas. Quando isso acontece, nosso coração vibra! Afinal, devemos usar as coisas e amar as pessoas, o contrário nunca dará certo.
 

(Créditos: Blog Eccaplan)


Ejiofor ainda encontra espaço para destacar o folclore, as diferentes línguas do país e os costumes típicos, enquanto retrata a si mesmo como a geração bondosa, porém tolhida pela dificuldade de acesso à informação. Este é claramente um filme político, mas no sentido clássico, que é a arte e ciência que leva a sociedade para a Justiça, e não as manipulações e jogos partidários. Por isso, as aparições do governador corrupto ficam em segundo plano. Apesar disso, em determinados momentos, fica evidente a influência que existe de cima para baixo em uma sociedade, ou seja, o peso que as decisões de um governante e das classes privilegiadas têm sobre o povo.
 
O filme transmite a crença de que, mediante o esforço necessário, qualquer um pode se tornar um engenheiro promissor, assim como o personagem principal. E este raciocínio é apresentado com uma paixão e uma honestidade inegáveis. O diretor impregna cada cena com humanismo e empatia, além de ressaltar a importância das mulheres dentro das transformações sociais. Nos fazendo acreditar que é possível sair de qualquer situação imposta, se dedicarmos nossa energia à Vontade, ao Amor e à Inteligência.

 

“O menino que descobriu o vento” e algumas outras produções semelhantes podem ajudar a pensar no cinema como um veículo para a educação. A questão é menos óbvia do que parece: será que a arte tem como vocação ensinar as pessoas, ou somente chocar e impactar, como nos é apresentado hoje? Não seria um papel da arte transmitir valores, heroismo, inspiração e coragem em suas obras? Ou a arte deve ser simplesmente um objeto utilitário, com a finalidade de passar o tempo? Ejiofor faz uso da sétima arte para transmitir uma mensagem direta e simples para seu interlocutor: ele diz, com clareza, o que está acontecendo no Malawi, o que falta ao país e como consegui-lo.
 
Em outras palavras, “O menino que descobriu o vento” nos oferece o problema e a solução, como um professor bondoso, que dá o peixe, mas também ensina a pescar. Ao espectador, não cabe fazer muito esforço: o filme o envolve, o faz rir e chorar, entregando a mensagem e a recompensa prometida. Nos dando a oportunidade de refletir sobre tudo o que acontece na África e mudar nossos conceitos, hábitos e meios de vida. Pois, uma vez que enxergamos a verdade, quando entendemos a verdadeira causa do sofrimento humano, não podemos mais fechar os olhos e negar a realidade. Assim como o protagonista do filme, devemos ajudar as pessoas quando lhes faltam água, alimento, energia elétrica… Mas nunca devemos esquecer que a verdadeira causa por trás de todos esses males é a falta de valores humanos na sociedade, e a falta de um sentido de vida dentro do indivíduo. Por isso, mais importante que ajudarmos com elementos materiais básicos que lhes faltam, faz-se necessário buscarmos transmitir e mostrar aos homens que vale a pena desenvolvermos nossos potenciais humanos, nossas virtudes, pois estamos na vida para isso!
 

(Créditos: Metrópolis) 
 

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