O que os 300 de Esparta tem a ver com a sua vida?

August 12, 2019

A conhecida batalha das Termópilas não só inspirou a história em quadrinhos e o famoso filme “Os 300 de Esparta”, mas ainda hoje inspira a todos que olham para esse fato histórico, perplexos diante da lendária coragem dos guerreiros espartanos e do seu rei Leônidas, que protagonizaram a resistência ao exército de milhares de persas, possibilitando a vitória grega. Há historiadores que afirmam que a atuação dos espartanos muito contribuiu, não somente para a supremacia do povo grego na antiguidade, mas também para a atual configuração que conhecemos hoje como ocidente. Ou seja, caro leitor, a Batalha das Termópilas influenciou a sua história.

 

A batalha é um dos conflitos mais importante da história antiga, marcada pela presença de heróis, mártires, estratégias militares, alianças políticas e lutas por territórios que envolveram as cidades-estado gregas e os persas durante quase todo século V a.C.. Este choque de civilizações aconteceu na região do Mediterrâneo Oriental. Chamamos esses conflitos de Guerra Médicas, e para entender a Batalha das Termópilas é preciso compreender quais os fatos originaram esses conflitos. 

 

Hoplita grego e guerreiro persa se enfrentando.

 

As Guerras Médicas tinham como principal objetivo a luta pela independência das cidades jônicas, colônias gregas que correspondem atualmente ao território da Turquia. Essas colônias foram anexadas pelos persas em seu projeto de expansão territorial, comprometendo dessa forma o comércio grego no Oriente e gerando uma luta acirrada entre os dois povos que iria perdurar durante anos.

 

Geralmente, os historiadores dividem os conflitos em duas fases: a 1ª Guerra Médica, em 490 a.C. e a 2ª Guerra Médica entre 480 e 479 a.C., e é nessa segunda fase que acontece a Batalha das Termópilas. Batalha esta que, apesar de ser apenas um momento dentre os vários conflitos greco-persas, é um dos eventos que mais teve importância na história antiga e o seu impacto material, cultural e moral ainda repercute na histórica de todo ocidente, quiçá de toda humanidade.

 

 

Esta batalha aconteceu devido à ameaça da invasão do império Persa ao território helênico, sob o comando de Xerxes (filho de Dário I). Isso resultou numa aliança política entre todas as cidades-estado gregas, coordenada pela cidade de Esparta. Segundo o historiador Heródoto, o rei Leônidas demonstrou ser um grande estrategista e líder militar, pois diante do desafio de proteger as cidades gregas da invasão, fez um estudo sobre o terreno mais propício e escolheu as Termópilas como o lugar ideal para um combate frontal contra o extenso exército inimigo. A batalha seria travada entre os 300 espartanos, apoiados por 6.000 gregos de outras cidades, contra um exército persa de mais de 300 mil homens. 

 

A pequena passagem existente entre o desfiladeiro de montanhas, pelo qual os persas eram obrigados a passar em pequenos grupos e enfrentar os poderosos guerreiros espartanos, possibilitou que a diferença numérica não fosse tão determinante quanto a diferença de qualidade e valor militar e, nesse quesito, os espartanos eram infinitamente superiores. Um espartano, desde o nascimento era treinado fisicamente e psicologicamente para ser um guerreiro protetor da Hélade (Grécia). Por outro lado,  os soldados de Xerxes eram, em sua maioria, homens simples arregimentados por conta de sua condição de escravos. Os espartanos sabiam que podiam segurar as tropas do rei persa pelo tempo necessário, tempo esse que possibilitaria as outras cidades gregas a se organizarem para as futuras batalhas e, consequentemente, a derrota persa.

 

 Esboço de como seria a passagem das Termópilas em 480.a.c

 

Nem Leônidas e nenhum dos 300 guerreiros espartanos marcharam para o combate com alguma esperança de voltarem vivos. A missão deles não era vencer todo o exército persa, mas sim atrasá-los o suficiente para garantir a sobrevivência de seus compatriotas e do Ideal filosófico e espiritual que era o Espírito do povo grego. E assim aconteceu, os gregos resistiram por 5 dias, barrando o exército persa naquele local.  

 

Um morador grego da região, chamado Ephialtes, traiu o seu povo e mostrou aos soldados de Xerxes um caminho que os levaria até a retaguarda das tropas gregas. Já no quinto dia de resistência, ao perceber que seriam cercados, Leônidas dispensou todos que não eram espartanos, para que pudessem se salvar. Ficariam ali para encontrar a morte apenas os espartanos e o seu Rei.

 

Na obra de Frank Miller, o quadrinho “300”, em uma das cenas finais, quando os espartanos estão cercados pelos persas, Leônidas olha para o traidor e diz: “Você aí, Ephialtes. Que viva para sempre!”. Isso não é historicamente correto, mas demonstra muito bem que, para um guerreiro, uma vida sem dignidade é a pior coisa que pode acontecer a um ser humano, por isso desejou que o traidor fosse castigado com uma vida eterna se lembrando o quão medíocre ele era. Por outro lado, os espartanos morreriam ali, porém o seu exemplo de honra, coragem e dignidade ficariam eternizados na história.

 

Páginas da revista em quadrinho “300”, de Frank Miller

 

 

Ao final, o sacrifício de Leônidas não foi em vão, pois os povos gregos puderam se preparar para enfrentar e obter a vitória sobre os persas. Isso garantiu-lhes o controle comercial da região no Oriente, imortalizou os seus heróis e garantiu a sobrevivência da Grécia não só no sentido geográfico, mas principalmente no sentido cultural. 

 

Não resta dúvida de que a grande vencedora das guerras entre gregos e persas foi a civilização ocidental, ou seja, nós mesmos. A Grécia é o berço do mundo moderno, de conceitos filosóficos importantes, de sistemas políticos e também de uma cultura marcial que provou que a coragem, a honra e a inteligência tem muito mais valor que a força bruta e a quantidade. 

 

 

 

Estátua do Rei Leônidas de Esparta

 

Do século V a.c para cá, tivemos muitos outros acontecimentos históricos, e o mais interessante é que a Grécia acabou sendo conquistada por Alexandre, o Grande, e posteriormente pelo Império Romano, que acabou dominando praticamente todo o mundo conhecido. Porém, apesar de ter sido conquistada a nível geográfico, a cultura grega foi que conquistou todo o mundo, já que tanto Alexandre quanto os romanos assumiram que a filosofia e os valores morais dos gregos eram superiores e deveriam ser espalhados pelo mundo.

 

Apesar do Judaísmo e do cristianismo também contribuírem como alicerces de nossa sociedade, se a Grécia tivesse sido conquistada pelos persas, a história dessa civilização que criou suas raízes na Europa seria outra. Para isso, é importante lembrar que essa vitória passa pela Batalha das Termópilas, que passa inegavelmente pelo heroísmo de um rei chamado Leônidas e seus 300 guerreiros. Ou seja, essa batalha faz parte da sua história.

 

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