Sobre o Amor

May 5, 2019

 

“É só o amor 

Que conhece o que é verdade.

Ainda que eu falasse a língua dos homens.

E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria" 

 

Este célebre verso da Carta aos Coríntios, que depois foi transformada em música por Legião Urbana, nos remete a uma grande reflexão: o que é o Amor? A carta, e a música, explicam que de nada vale o homem ter vários dons e capacidades, se não houver o Amor por trás.

 

 

Hoje usamos a palavra amor para sentimentos tão divergentes! “Eu amo chocolate”, “eu amo meus pais”, “eu amo ir à praia”, mas como podemos usar uma mesma palavra para definir o sentimento pelos nossos pais e pela praia? Não deveria ser uma escala de “amor” diferente? Será que é correto usar esta mesma ideia para elementos concretos, como o chocolate, e mais abstratos, como o amor aos pais? E em casos ainda maiores, quando acima da família, um homem sacrifica sua vida pela pátria? Também é amor?

 

Na obra intitulada “O Banquete”, Platão vai explicar que existem três tipos de Amor de acordo com as três partes que compõem o ser humano, como mostra a figura abaixo:    

 

 

Essa divisão do homem em 3 partes, muito comum na tradição grega, mostra do aspecto mais físico ao mais elevado de todo ser humano. Soma equivale ao corpo físico, Psique às emoções e pensamentos e Nous ao espírito. No caso dos relacionamentos, Platão diz que quando há um interesse no corpo e na beleza, surge o amor-soma. Existe o sentimento, mas é muito físico, sexual, baseado mais na aparência externa… Não vai muito além disso.

 

Já o amor-psique, surge quando nos relacionamos com pessoas que possuem as mesmas afinidades, os mesmo gostos e os mesmos interesses psicológicos que os nossos. Quando percebemos tantas similaridades,  nos encantamos e ficamos cobertos por um sentimento de amor que está muito ligado ao nosso astral, às nossas emoções, por isso ele gera tanta empolgação, tanto fervor e tanta intensidade. Este tipo de amor é um pouco mais elevado que o soma e o mais comum de sentirmos, mas ainda possui suas limitações.

 

 

Por fim, há o amor-nous, que é o mais nobre, mais elevado de todos. É o sentimento que desperta quando se compartilha os mesmos princípios, os mesmos sonhos, o mesmo ideal de vida. Quando juntos vivem um mesmo propósito e tem um mesmo objetivo, que vai além de suas vidas particulares, englobando o todo, a humanidade. É quando juntos vivem para ajudar o próximo e tornar o mundo melhor.  

 

O amor-nous é o verdadeiro amor platônico. Não tem nenhuma relação com um amor impossível, nem com relacionamentos, mas sim com o sentimento mais altruísta que o ser humano tem desperto dentro de si, voltado para uma ideia, um ponto de união de todos, um ideal de vida. É o sentimento que motivou Joana Darc ou Giordano Bruno, é tão profundo e tão elevado que a própria vida fica em segundo plano em nome da ideia.

 

Talvez, em algum grau, este tipo de amor nos lembre as nossas mães, que sacrificam o sono, o conforto e o bem-estar, pelo amor ao filho, pelo bem do outro. Que possamos sempre lembrar deste belo sacrifício da maternidade e demonstrar nossa gratidão!

 

 

Mas, lembremos, quando Paulo escreveu a carta aos coríntios, ele percebeu que só o amor-nous, o amor altruísta, sem interesses pessoais, é que o tornaria um verdadeiramente homem. Tudo que amamos nos traz alegria, prazer… Amamos tudo que está no nosso campo de relações mais íntimas: nossa família, nossos amigos, nossa casa, nosso animal de estimação, nosso namorado, ou seja, tudo que é “o conhecido” e “o confortável”, mas será que esse sentimento tão profundo não nos dá mais possibilidades? Será que estamos usando realmente toda a intensidade e profundidade que essa palavra carrega? Será que não nos cabe ampliar este sentimento e alcançar um nível mais elevado? Pois, só através do desenvolvimento deste amor-nous, o amor espiritual, o amor pela a humanidade, que se conhece o que é Verdade, que se consegue ver as coisas como elas realmente são!

 

 

A palavra “Amor” significa a busca pelo que nos falta, a busca por uma completude. E o que será que falta para o homem? Será que estamos precisando de relações de aparências, de desenvolvimento de instintos sexuais, de vivências de gostos comuns, mesmo que esses sejam gostos que deformam o caráter e tornam o homem pior? Ou será que estamos precisando desenvolver o nosso lado mais sensível e humano, através do cultivo de sentimentos altruístas, solidários, que nos ajudem no desenvolvimento de nossos potenciais internos, nossas Virtudes, a exemplo da Bondade, da Justiça e da Beleza?

 

Que neste dia das mães que se aproxima, possamos refletir sobre o amor de mãe, muito mais generoso que outros de nossos “amores” e que além de alcançá-lo, possamos expandir ainda mais, em nome das ideias, em nome do todo que estamos inseridos!

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

DIFICULDADE COM AS LEGENDAS?

Caso você não saiba ativar as legendas nos vídeos do youtube, clique aqui para acessar o tutorial.

  • Facebook Social Icon
  • Instagram Social Icon
  • YouTube Social  Icon
Procurar por Tags
Histórico de publicações
Please reload

Please reload

Siga essa Idéia

I'm busy working on my blog posts. Watch this space!

Please reload

Você também vai gostar
Please reload

© 2017 por "Equipe Feedobem". Orgulhosamente criado pela Feedobem

    Gostou do nosso portal? Nos ajude a elaborar artigos e

conteúdos cada vez melhores para vocês. ;-)