O Que é Voluntariado?

January 5, 2018

 

Publicado originalmente em Filosofia Cotidiana

 

Dia 05 de dezembro é o Dia Internacional do Voluntariado, instituído, pela ONU, em 1985. Todos sabem que o voluntariado tem sido abraçado por uma cada vez maior quantidade de seres humanos, e isso é uma esperança. Mas, como tudo que é humano pode se aperfeiçoar, acrescento algumas observações ao assunto.
Já encontrei vários tipos de voluntários; alguns o faziam por se acharem “culpados” por algo, e quererem “saldar” este débito de erros passados. Outros há que sentem a necessidade de fazer um sacrifício em prol do bem alheio; acho ambos válidos, e até acho belo o espírito do sacrifício. Mas sempre me lembro de alguém que, um dia, após uma boa ação, desferiu a seguinte sentença: “Eu abri mão de muitas coisas por isso!” A expressão me pareceu um lamento por perder algo de maior valor, em termos de prazer e satisfação, por algo de menor valor, dolorido, “sacrificado”. Esse ainda não é bem o espírito do voluntariado com que sonhamos.

Um dia desses, lendo Nietzsche, ouvi-o falar sobre a “vontade de poder”, e me lembrei de que voluntariado nasceu do latim “voluntate”, vontade. Ele diz que é inútil a moral que busca converter o homem por meio de máximas insípidas, como “seja bonzinho etc”. Todo ser humano busca, consciente ou inconscientemente, o poder, e isso pode ser educado e convertido em ações morais.

Aí, chocamos com um preconceito nosso: “Mas o poder corrompe...”. Não creio. Como dizia Machado de Assis, está errada a máxima popular que afirma que a ocasião faz o ladrão; a ocasião faz o crime: o ladrão já nasce feito. Poder é capacidade de ser; a própria etimologia do nome poder vem do latim “potis esse”: posse do ser. É o atributo mais divino que posso imaginar: não ouso pensar em um Deus débil...

Enamorar-se dessa nobreza latente que a nossa natureza presume e querer profundamente vivê-la, trazê-la à tona, é vontade de poder. Continuava Nietzsche: “Há que substituir os códigos de moral por códigos de nobreza...”. Eu não chegaria a este ponto de abolir códigos de moral, pelo menos não tão cedo, mas chego realmente a duvidar que alguém diria: “Eu sacrifiquei muita coisa para ser humano, para ser nobre...”

O que você sacrificou, meu caro? 

O que havia de melhor, na sua vida, do que isso? E, se era menos importante, por que o lamento? Deveríamos viver como seres em construção, enamorados da vida humana e dos seus sonhos mais dignos, entre os quais está o de servir ao bem e servir voluntariamente.

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

DIFICULDADE COM AS LEGENDAS?

Caso você não saiba ativar as legendas nos vídeos do youtube, clique aqui para acessar o tutorial.

  • Facebook Social Icon
  • Instagram Social Icon
  • YouTube Social  Icon
Procurar por Tags
Histórico de publicações
Please reload

Please reload

Siga essa Idéia

I'm busy working on my blog posts. Watch this space!

Please reload

Você também vai gostar
Please reload

© 2017 por "Equipe Feedobem". Orgulhosamente criado pela Feedobem

    Gostou do nosso portal? Nos ajude a elaborar artigos e

conteúdos cada vez melhores para vocês. ;-)